4 de junho de 2026

Morre, em Campinas, o escritor e educador Rubem Alves

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Jornal GGN – Morreu hoje, às 11h50, no Hospital Centro Médico de Campinas, o escritor e educador Rubem Alves. Aos 80 anos, o escritor morreu em decorrência de falência múltipla de órgãos, conforme informou o Hospital. No início da manhã de sábado, a assessoria do hospital divulgou boletim médico em que informava sobre o agravamento das condições de Rubem Alves. Algumas horas depois nova informação, que informava seu falecimento. O corpo do escritor sera velado a partir das 19h na Câmara Municipal de Campinas.

Rubem Alves foi um intelectual respeitado. De Dores da Boa Esperança, Sul de Minas, nasceu em 15 de setembro de 1933. Sua cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves, na música “Serra da Boa Esperança”.

Em 1945 mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Alvo de chacotas no colégio, refugiou-se na religião. Prosseguiu com o estudo de teologia e iniciou sua carreira dentro da igreja como pastor em uma cidade do interior de Minas.

Entre 1953 e 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas, transferindo-se para Lavras (MG) em 1958, onde exerceu suas funções como pastor até 1963.

Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio, Marcos e Raquel. Sua caçula foi a musa inspiradora na elaboração de contos infantis.

Em 1963 foi para Nova York, retornando em meados de 1964 com o título de Mestre em Teologia. Denunciado por autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar. Ato contínuo, abandonou a igreja e retornou com a família para os Estados Unidos. Lá, tornou-se Doutor em Filosofia pelo Princeton Theological Seminary.

Sua tese de doutorado, “A Theology of Human Hope”, foi publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books e é, no entendimento do próprio Rubem, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teoria da Libertação”.

Quando voltou ao Brasil, Paul Singer o indicou para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).

Em 1973 transferiu-se para a Unicamp, como professor-adjunto na Faculdade de Educação. No ano seguinte, assume o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da própria Unicamp.

Optou por Campinas, onde viveu por várias décadas. Seu trabalho é extenso. Publicou textos em jornais e revistas do país e, conforme disse em sua página oficial na internet, foi cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros infantis e também psicanalista.

Na literatura e poesia achou seu porto seguro, sua alegria de viver. Admirava Adélia Prado, Camus, Santo Agostinho, Fernando Pessoa, a lista é extensa, mas trouxe a paixão para a vida em produção extensa. Afirmava que era “psicanalista, embora heterodoxo” pois nesta crença residia a certeza de que “no mais profundo do inconsciente mora a beleza”.

Aposentou-se e abriu um restaurante em Campinas, onde deixou brotar o amor pela cozinha. No espaço eram ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além da boa música ao vivo, inclusive com participação de alunos da Faculdade de Música da Unicamp.

Rubem era membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

Em um texto biográfico, Rubem Alves escreveu trechos sobre a morte. “Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos”. 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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16 Comentários
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  1. altamiro souza

    19 de julho de 2014 9:21 pm

    o deswejo de ruben alves,seu

    o deswejo de ruben alves,seu diamante, como dizia, sempre foi a educação…um mestre na arte de ensinar we aprender,essencia da educação….

  2. Nilva de Souza

    19 de julho de 2014 9:29 pm

    (Sem título)

  3. Nilva de Souza

    19 de julho de 2014 9:29 pm

    Rubem Alves – Sobre a Morte e

    Rubem Alves – Sobre a Morte e o Morrer

    ” Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. 

    Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

    Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.

    Via Tereza Cristina Gonçalves, no Facebook

  4. Gustavo Albuquerque

    19 de julho de 2014 9:37 pm

    Triste Notícia

    Infelizmente perdemos dois mestres brasileiros em um curto espaço de tempo. Que Rubem Alves e João Ubaldo Ribeiro possam inspirar muitos com os seus fantásticos legados.

  5. Odonir Oliveira

    19 de julho de 2014 9:40 pm

    A caixa das ferramentas … a caixa de brinquedos

    Meu querido Rubem Alves, encontre-se com seus sonhos mais buscados. 

    VOCÊ MERECE!

    Abraços ao PAULO FREIRE.

  6. Urariano Mota

    19 de julho de 2014 9:46 pm

    Grande síntese

    “Na literatura e poesia achou seu porto seguro, sua alegria de viver”. Bela frase, expresessão da verdade nas crônicas de Rubem Alves. Bela síntese.

    1. Urariano Mota

      19 de julho de 2014 9:54 pm

      “espressão da verdade”, quis

      “espressão da verdade”, quis dizer.

  7. Fernando J.

    19 de julho de 2014 10:27 pm

    o bar Dali do Rubem Alves

    Bares e música chegam a mim por gravidade. Fui morar em Campinas no final de 95. Talvez ali por 96 ou 97, descobri o bar Dali. Ficava no Guanabara, entrava-se por um corredor e ao fundo abria-se o bar entre mesas sob jabuticabeiras. Ao lado do balcão, um diminuto palco. A decoração, motivada no pintor Salvador Dali, era um charme de ponta a ponta, ambiente delicioso. Atrás do balcão e do caixa, um simpático “velhinho” que eu não imaginava quem era, só sabia que tinha um bom gosto infernal para música, pois no bar tocava simplesmente a melhor música instrumental de Campinas. Passei a bater ponto no Dali toda semana, ficava até fechar. Os melhores músicos da noite de Campinas passavam por ali, para deleite do velhinho dono do bar, percebia-se que ele gostava mais do que os clientes.  

    Foi ali que conheci o pianista Bebeto Von Buettner, o contrabaixista Gilberto de Sylos e uma turma de instrumentistas de primeiríssima qualidade, formados ou estudantando música na Unicamp. Nunca vou me esquecer de uma noite, Gilberto no contrabaixo e um pianista que não conhecia. Terminada a apresentação, Gilberto acomodou o contrabaixo e engatou um papo musical com o pianista. Os últimos frequentadores foram embora, o bar começou a fechar, mas a minha mesa continuava lá. O “velhinho” dispensou o garçom e ficou esperando os últimos três clientes irem embora, eu e os dois músicos.O bar já quase escuro, os músicos vem para a minha mesa só porque era a única ocupada, o papo segue animadíssimo, era sobre notas e acordes. E eu, que conhecia os dois apenas de vista, escutando a conversa. De repente, o Gilberto vai e abre a caixa, tira de dentro o imenso contrabaixo e demonstra para o pianista o que estava querendo dizer. O pianista abre o piano e acompanha o Gilberto, e os dois tocam mais uns 20 minutos um para o outro. Passava das duas da manhã, no balcão o “velhinho” exibia um ar de felicidade pelo que estava presenciando, e eu agradecia aos deuses da música por ter resistido e não ter ido embora. Eram apenas duas testemunhas. Só muito tempo depois fiquei sabendo que aquele velhinho dono do bar era o Rubem Alves. 

    1. Luzineide

      19 de julho de 2016 1:30 am

      Bar do Rubem Alves
      Olá! Sou leitora diária do Rubem Alves. E hoje, às vésperas de completar dois anos do seu encantamento, lendo “O sapo que queria ser príncipe” e a cada página pesquisando no Google, encontrei seu comentáriosobre o Bar do Rubem. Fiquei tão emocionada… Quis que o tempo voltasse, que eu já tivesse naquela época amor que tenho por ele hoje só pra poder ter o gostinho de desfrutar algumas horas com o meu amor: Rubem.
      Por favor, conta-se mais sobre aquele Bar, a comida, o olhar do Rubem,alegria dele.
      Abraços,
      LuNovais.

  8. Dôdi

    19 de julho de 2014 11:38 pm

    “Deus é  alegria. Uma criança

    “Deus é  alegria. Uma criança é  alegria.Deus e uma criança têm isso em comum:Ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos, Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre a procura de companheiros para brincar.”

                             Rubem Alves

     

  9. Eduardo Pereira

    20 de julho de 2014 2:31 am

    Grande brasileiro

    Nassif , amigos

    Eu , um geólogo frustrado , que me tornei posteriormente em um pequeno comerciante , por questão de sobrevivência em tempos difíceis , tenho um filho adotado com sérias dificuldades cognitivas , TDA etc .  Assim , como numa busca por resgatá-lo , sempre me interessei por assuntos ligados à Educação e seus desdobramentos como remédio às mais diversas carências do ser humano .

    Nessa minha busca e curiosidade , participei há alguns anos atrás , como espectador , no Teatro Sesc do Quitandinha , aqui em Petropolis , de um ciclo de palestras sobre esse tema tão fundamental e , ao mesmo tempo , tão menosprezado pela sociedade aqui no Brasil , onde um dos convidados era justamente Rubem Alves , de quem eu conhecia algumas idéias , mas sem maiores profundidades para formar uma opinião sobre !

    Pois fiquei encantado com as suas palavras ! Que homem ! Que conhecimento , serenidade , mensagem de esperança e de otimismo quando dizia , por exemplo , que houveram os tempos difíceis de plantar , referindo-se à universalização da Educação , e agora , os tempos eram de adubar ( melhora na qualidade ) para o país colher os frutos à frente , processo este , que ao contrário da minha visão e de vários amigos pedagogos presentes ali , ele via com muitas esperanças e alegria !

    Continuo preocupado com o nosso processo educacional , sua carência de uma verdadeira gestão , seu distanciamento de nosso mundo real , cotidiano , a persistente falta de um projeto para uma geração ( ao invés de projeto para um governo , que é o que acontece atualmente ) , e vejo toda essa deficiência como o maior entrave ao nosso desenvolvimento como nação , mas , apesar de tudo ,  aquelas palavras mágicas de Rubem Alves , me despertaram a fé em uma luz no fim do túnel , mesmo que esta luz esteja ainda muito distante !

    O Brasil perdeu hoje um de seus maiores homens , um grande pensador , símbolo do que temos de melhor ! Que ele se junte a gente como Paulo Freire , Darcy Ribeiro , Josué de Castro , Milton Santos , Celso Furtado , Gilberto Freyre , e se transforme em mais uma estrela de primeira grandeza a zelar por , e inspirar na Eternidade e nos Céus , a nossa Educação !

  10. edna baker

    20 de julho de 2014 3:00 am

    Oi Rubem Alves! Que você

    Oi Rubem Alves! Que você encontre lá o que gostava tanto daqui – a vida. Lembraremos sempre de você.

  11. wanderley

    20 de julho de 2014 6:56 am

    homenagem

    HONESTIDADE,INTEGRIDADE,PROBRIDADE,BRASILIDADE,DIGNIDADE,TUDO QUE UM HOMEM PODE TER OU SER NA VIDA MESMO TENDO UMA DE SUAS OBRAS VERGONHOSAMENTE APROPRIADAS POR frei beto.,frei beto,freibeto,frei beto…….

  12. wanderley

    20 de julho de 2014 7:04 am

    homenagem

    HONESTIDADE,INTEGRIDADE,PROBRIDADE,BRASILIDADE,DIGNIDADE,TUDO QUE UM HOMEM PODE TER OU SER NA VIDA MESMO TENDO UMA DE SUAS OBRAS VERGONHOSAMENTE APROPRIADAS POR frei beto.,frei beto,freibeto,frei beto…….

  13. Josaphat

    20 de julho de 2014 8:42 am

    Com todo respeito

    ao “de cujos”, mas ele nunca foi professor de escola pública, foi?

    Mas gostava de dizer como se deve fazer.

    E muitos em baixo à aplaudir.

    Não é a cara da educação brasileira?

    1. helcio dias de sa

      20 de julho de 2014 2:43 pm

      com todo respeito.

      Pessoas como eu que detesto escolas,julgo cada uma delas pior que a outra devido a’metodologia’ onde somos obrigados a cumprir pena ao frequanter, saindo com um canudo de papel com a cabeça cheia de merdas e cabrestos.Perdemos uma cara que pregava o raciocinio em substtituiçao a decoreba,tudo muito simpleszinho assim.Mais facil que lavar as maõs antes de uma cirurgia.(assepsia)gestozinho que salvou milhoes de pessoas e quase lincharam o autor da ideia.

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