4 de junho de 2026

Algumas propostas para a reconstrução do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

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O objetivo desse texto é indicar um conjunto de ações e iniciativas mínimas para a reconstrução do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Longe de pretender ser definitivo, o texto tem a intenção de abrir ou estimular o debate sobre o tema. Dispensável fazer o balanço dos últimos sete/oito anos e enumerar os erros, os desmandos e indicar exemplos da péssima administração do TMRJ no Governo em fim de mandato, e que entrará para história como a pior gestão desde sua fundação em 1909.

A palavra “reconstrução” é aqui usada com muito critério e explica, por si, a natureza do trabalho que deve ser feito no Municipal em função do que aconteceu nos últimos anos, e que pode ser definido numa palavra: desmonte. Essa foi a tarefa a que se propuseram a Secretária de Cultura, Adriana Rattes, e a presidente da Fundação Theatro Municipal, Carla Camaruti, ambas produtoras e/ou empresárias  do setor audiovisual. As duas senhoras tinham uma missão: terceirizar o Municipal. A própria ex-atriz Carla Camurati confirmou o objetivo em recente entrevista à revistaValor“No início da gestão, em 2008, a gente tentou. A Adriana Rattes sabia que era a primeira coisa que ela deveria fazer como secretária de Cultura”.

Quebraram as caras. Os funcionários do teatro, com apoio do meio musical e do público impediram a aventura que beneficiaria apenas a pirataria que ronda o belo prédio da Cinelândia.

Por trás da evidente incompetência de quem vem gerindo o Municipal nos últimos anos estão o autoritarismo e as decisões arbitrárias. E um certo espírito vingativo em relação aos funcionários do TMRJ. O mandonismo resulta sempre em incompetência, além de facilitar os mal feitos de toda espécie e o alcance de objetivos muitas vezes desonestos, como o favorecimento de pessoas, empresários, produtoras e pequenos grupos.  

A tarefa agora é tentar, num esforço coletivo, reconstruir essa importante instituição pública que é a Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A Instituição

A Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro (FTM/RJ) foi instituída pela Lei 1242 de 3 de dezembro de 1987:

Parágrafo único – A FTM/RJ terá por finalidade promover, incentivar e executar atividades culturais, especificamente nos campos da música, dança e representações cênicas, no âmbito de atuação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, conferindo-lhes flexibilidade e autonomia.

Art. 2º – A FTM/RJ será supervisionada pela Secretaria de Estado de Cultura, terá personalidade jurídica de direito privado, sede e foro na Capital do Estado e duração indeterminada, regendo-se por esta Lei e pelos Estatutos que forem aprovados por Decreto do Poder Executivo.

O objetivo da Lei é claro. A intenção do legislador ao transformar o TMRJ em Fundação, com “personalidade jurídica de direito privado”, foi dar ao teatro autonomia administrativa e financeira, gestão mais ágil e maior capacidade de captar recursos no setor privado, além daqueles previstos no Orçamento Estadual.

A FTM/RJ não vem cumprindo a própria Lei que a criou! E tem sido assim há quase três décadas. Institucionalmente está absolutamente desorganizada, a começar por seus órgãos diretores. O TMRJ sequer tem um Vice-Presidente! Tem sido praxe dos governantes limitar-se a indicar um nome para a presidência da FTM, sem consultar os funcionários do teatro e o meio artístico, e dar de ombros para o resto. 

Assim, o Theatro Municipal costuma ser lembrado mais pela imponência do prédio histórico e menos por sua importância para a cultura do Rio e do Brasil.

Na verdade, o Municipal foi reduzido a mais uma entre tantas unidades da Secretaria de Cultura, como se não fosse a instituição diferenciada que é -um dos maiores, mais belos e mais bem equipados teatros da América do Sul, único equipamento do Rio de Janeiro adequado para encenações de óperas e balés. Teatros menores foram reformados para outras finalidades ou demolidos.  

A reconstrução

Reorganização administrativa da Fundação.

a) Eleição dos Órgãos de Direção da Fundação: Presidência e Vice-Presidência, Conselhos etc. No caso das Fundações o presidente não é a autoridade máxima na tomada de decisões. Esse papel cabe a um Conselho –Diretor ou Curador.  Esse órgão, que tem poder decisório, é o responsável pelas decisões finais. A Presidência cumpre.  

b) Atualização dos Estatutos e Regimento Interno da FTM. Na verdade, não se sabe ao certo se existem Estatutos e Regimento. Ao longo dos anos ninguém deu bola para isso. Desorganizada, a Fundação Theatro Municipal está com as portas escancaradas para todo tipo de piratas.

1) Recriação da Orquestra Jovem (formação de músicos e prática de conjunto). A Orquestra Jovem foi uma das melhores experiências vividas pelo Municipal. Foi extinta nos anos 70. Seu último Diretor foi o Maestro Nelson Nilo Hack. Seus discípulos ainda estão aí nas estantes das nossas orquestras.   

2) Criação, ou recriação, da Escola de Canto e Canto Coral (formação de futuros coristas e solistas). O TMRJ já contou com a “Escola de Canto Carmem Gomes”. Foi transferida do Municipal para a Escola de Música Villa-Lobos e lá perdeu sua função.

3) Criação da Divisão de Cenografia, Artes Cênicas e Figurinos. Nos anos 50 e 60 o TM tinha um setor de cenografia, dirigido por Mário Conde. Dele saíram nomes como Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãozinho Trinta (este era do corpo de baile e depois se projetou elaborando figurinos).  

4) Redução no curto prazo da enorme capacidade ociosa do TMRJ. Transformado pela atual gestão em casa de aluguel para convescotes variados o TM deve voltar a se dedicar à atividade artística como manda a Lei que criou a Fundação: “promover, incentivar e executar atividades culturais, especificamente nos campos da música, dança e representações cênicas”.

5) Eleição direta do Presidente da Fundação Theatro Municipal, por Lista Tríplice, a exemplo do que ocorre nas Universidades Públicas e em fundações federais. Essa medida simples protegeria o Municipal contra as nomeações políticas, que geralmente atendem aos interesses do baixo clero e beneficiam empresas e pequenos grupos de pessoas. 

6) Transparência nas contas do TMRJ, uma verdadeira “caixa preta” recheada de contratos marotos. O TM é mantido por dinheiro público e tem a obrigação de prestar contas ao público. 

Atividades

1) Recriação da Temporada Lírica Nacional, resgatando a “Lei Ary Barroso”, Decreto-Lei 248 de 1948, com o objetivo de revelar novos talentos e dar chances aos artistas jovens –cantores, maestros, bailarinos, músicos, cenógrafos, figurinistas e técnicos.

2) Organização anual de uma Temporada de Concertos com a Orquestra do TMRJ. É absurdo um teatro manter uma orquestra sinfônica de qualidade que vem atuando apenas no fosso, em óperas, balés e eventos isolados. Isso faz mal aos músicos, ao público e à cultura do Rio.

3) Organização de uma Temporada de Balé que corresponda ao nível de qualidade do Corpo de Baile do Municipal, com a renovação da programação e incentivo à produção de coreografias próprias. Desde o início dos anos 80 o TM vem apresentando anualmente a mesma montagem de “O Quebra Nozes”! Um exagero absurdo que beneficia apenas uma ilustre empresária da dança.

4) Aproveitar espaços como o Foyer do Theatro para a organização de programação dedicada à Música de Câmara a preços populares. Público não faltará. Isso já foi feito no passado com muito sucesso. Sem prejuízo da inclusão desse repertório nas programações de concerto para o palco. Os próprios músicos da Orquestra Sinfônica do TM seriam incentivados a formar duos, trios, quartetos etc.

5) Organizar estratégias, com apoio profissional, de captação de recursos no setor privado para complementar o financiamento da área artística. O TMRJ jamais fez isso. Sequer empenhou-se junto ao próprio Governo para conseguir uma posição melhor no Orçamento Estadual.  

Recursos financeiros

Comparativamente a outros teatros do mesmo porte no Brasil, o Municipal do Rio só tem receita menor do que o Municipal de São Paulo. Por descaso do atual Governo, o que não é um privilégio do setor cultural, e por absoluta inoperância (incompetência seria o termo mais adequado) dos gestores do TMRJ. Mas as comparações com o TMSP são estapafúrdias e revelam grande dose de ignorância misturada com ma fé. Na verdade, nos últimos anos, a diferença entre os orçamentos de um teatro e outro não foi tão grande assim. E houve ano em que o Municipal de São Paulo trabalhou com orçamento até menor do que o congênere do Rio. Nem por isso o público de São Paulo ficou privado de óperas e concertos. A diferença é que teatro de São Paulo tem contado com gente séria e comprometida com a música. John Neschiling não é uma unanimidade entre os músicos e tem consciência disso. Mas ele é competente e não sai por aí fazendo asneiras. 

Como alertado no início, não tive a pretensão de esgotar o assunto. Também não tenho a arrogância de achar que essas propostas ou ideias sejam as melhores ou as mais adequadas. Tenho apenas duas certezas: 1) é preciso debater com seriedade e de forma organizada o futuro próximo do Theatro Municipal; e 2) Os funcionários do TMRJ e o meio musical do Rio de Janeiro devem ser os protagonistas da reconstrução do Municipal. Apoio e participação do público não faltarão.

Daqui a três meses o Rio elegerá um novo Governador. Da mesma forma como tantos outros segmentos sociais, os músicos e os amantes da música precisam se preparar e estar dispostos a influenciar nas decisões do futuro governante.

 

Redação

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10 Comentários
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  1. André de Oliveira

    17 de julho de 2014 2:40 pm

    Democratizar e descentralizar as ações

    Todos que atuam na cultura do Estado do Rio de Janeiro, sabem da importância do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Grande parte dos agentes envolvidos com a cultura, também sabem, que o equipamento é privilegiado com grande parte do orçamento da cultura para a manutenção do espaço, e dos funcionários e dos corpos artisticos, que tem um dos melhores planos de cargos e salários do funcionalismo estadual.

    Sou defensor dos equipamentos culturais publicos de qualidade como o Municipal, mas também é necessário, que a pauta do teatro, seja acessível para a população que paga os impostos para manter o local. Que os corpos artísticos, além de se apresentarem no Municipal, também façam apresentações nas regiões mais carentes, cidades metropolitanas e interior do Estado. Sabemos das inumeras dificuldades que se criam para que esses corpos, pagos com o dinheiro do contribuinte, saiam um pouco do belo palco e se apresentem em outras regiões menos nobres.

    Espero que esse manifesto, também olhe para essa questão, e não apenas pro seu próprio umbigo.

     

    1. Henrique Marques Porto

      17 de julho de 2014 5:35 pm

      Theatro Municipal

      Caro André,

      Os conceitos e sobretudo as práticas da democracia e da descentralização estão suspensos no Municipal do Rio desde 2007. Carla Camurati é uma espécie de Carlota Joaquina -mandona, centralizadora e desastrada. Os projetos sociais do TMRJ, defendidos pelos músicos, foram todos suspensos ou engavetados na gestão de Camurati, como esclareceu Jesuina Passaroto, Presidente da Associação dos Músicos da Sinfônica do TMRJ, em comentário no Blog Ópera Sempre.  

      “Nós artistas temos lutado muito durante todo este tempo não só por uma programação mais digna com o nosso potencial e vontade, mas lutamos também pela volta dos nossos projetos da área social. Alem de artistas, somos servidores públicos e temos a obrigação, perante a sociedade, de promover a CULTURA PÚBLICA. No início desta gestão levamos aos responsáveis pelo TM vários projetos voltados para esta área. Nenhum deles aconteceu e os que existiam foram engavetados. Nossa programação foi reduzida a quase nada, o pouco que acontece é graças aos “buracos” dos aluguéis deste espaço. Os músicos cobram eternamente mais concertos sinfônicos, e a resposta que recebemos da direção é que concertos sinfônicos não são prioridades para eles.” 

      A íntegra em http://www.operasempre.com.br/2012/11/comentario-sobre-materia-o-desmonte-do.html 

      Abraço,

      Henrique Marques Porto

  2. alfredo machado

    17 de julho de 2014 2:45 pm

    TMRJ

    Henrique,

    Tudo em paz?

    Texto excelente sobre uma Fundação que foi transformada numa verdadeira casa de mãe joana.

    Na época da reforma propriamente dita, comandada por Carla Camurati, ouvi dizer que houve muita “maquiagem” nos detalhes da obra, com muitos serviços de engenharis tendo sido propositalmente ignorados.

    Talvez caiba algum tipo de vistoria especializada, para então, se for o caso, fazer tudo aquilo que foi jogado para de baixo do tapete. 

    Um abração

    1. Henrique Marques Porto

      17 de julho de 2014 6:14 pm

      Theatro Municipal

      Tudo em paz,  Alfredo. Espero que com você também. 

      Sobre a chamada “reforma” do Theatro Municipal (ah, a indústria do restauro…como sabem ganhar dinheiro esses caras!) ainda vai dar panos para mangas. Conheci um arquiteto que é (ou era) funcionário da empresa que foi contratada para fazer o restauro do TM. Com muito medo, e pedindo para não ser identificado, ele me disse que testemunhou o sumiço diário de peças decorativas do prédio histórico. Ele via via pilhas de objetos depositadas em cantos num dia e que desapareciam no dia seguinte, sem voltar para o lugar de origem. Dou outro exemplo: os antigos banheiros do Municipal foram todos construídos com material importado de países da europa. Espelhos de cristal holandês ou tcheco (ou de outra procedência), louças de porcelana inglesa, torneiras e maçanetas de bronze sei lá de onde etc. Se você fizer hoje uma visita a um banheiro do Municipal vai entrar num banheiro de shopping! E o IPHAN permitiu! Nunca vi ninguém transformar bronze, cristal e porcelana em sucata. Houve pilhagem, com certeza. Também sumiram algumas placas, todas em bronze, que homenageavam algumas cantoras. Ficavam na entrada da platéia e no Foyer no teatro. A saber: Placa em homenagem à soprano italiana Claudia Muzio, colocada em 1936 logo depois de seu falecimento (foi iniciativa do público, apoiada pela direção do Theatro); Placa em homenagem à Bidu Sayão, afixada tamhém em 1936, ano em que ela foi contratada pelo Metropolitan Opera House; Placa em homenagem à soprano brasileira Carmem Gomes, colocada no Foyer do TM em 15 de junho de 1955. Carmem Gomes faleceu menos de um mês depois. Tenho fotos dessa homenagem à Carmem Gomes, feita em cena aberta. E tenho também o texto da placa; Placa em homenagem à soprano Diva Pieranti, colocada nos anos 60 (se não me engano 1967) que assinalava a centésima representação de “La Traviata” protagonizada por Diva. E por aí vai. Esse último restauro um dia será objeto de investigação séria. Ou cairá no esquecimento, como costuma acontecer em casos que envolvem grandes empresas e figurões.

      Por fim, a tão falada reforma já apresenta sinais de deterioração. Logo, logo vão querer fazer outra.

      Grande abraço,

      Henrique Marques Porto 

                   

    2. Helô

      17 de julho de 2014 7:19 pm

      Theatro Municipal

      Salve, Alfredo!

      Que ninguém se esqueça da parte do forro de gesso que caiu do teto do Municipal após a premiação do Craque do Brasileirão! Sorte que ninguém se machucou. Foi em dezembro de 2010, sete meses após a reinauguração.

      Grande abraço.

  3. Lucinei

    17 de julho de 2014 3:17 pm

    Três trechos que me preocupam

    Três trechos que me preocupam no texto, embora possa concordar com as críticas à atual gestão e com a necessidade de se ter um calendário de atividades ais robusto.

    “sem consultar os funcionários do teatro e o meio artístico”.

    o Municipal foi reduzido a mais uma entre tantas unidades da Secretaria de Cultura, como se não fosse a instituição diferenciada que é

    Eleição direta do Presidente da Fundação Theatro Municipal, por Lista Tríplice”

    No meu humilde entender uma instituição como TM merece tanto respeito quanto qualquer outra, sem diferenciação. Damesma forma que não é posse da cúpula administrativa, que parece ter aderido à ideologia da entrega, também não é posse dos funcionários.

  4. lalo

    17 de julho de 2014 6:17 pm

    Falando apenas como

    Falando apenas como consumidor cultural, vou com certa frequência ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro e nada tenho a reclamar quanto à qualidade dos espetáculos ali apresentados, especialmente quando se trata de óperas, destacando ainda que a recente reforma/restauração pela qual passou a casa foi excelente. Só lamento o Assírio não ter a real destinação para a qual foi idealizado, pois seria mais um ponto de referência turística para a cidade e, certamente, com grande retorno para o Theatro.

    1. Helô

      17 de julho de 2014 7:39 pm

      Só pra compararTemporada de

      Só pra comparar

      Temporada de óperas do Theatro Municipal de São Paulo, 2014:
      Il Trovatore, Falstaff, Carmen, Salomé, Cavalleria Rusticana, Pagliacci e Tosca

      Temporada de “ópera” do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 2014:
      Carmen (teve outra?)

       

  5. joe

    17 de julho de 2014 6:40 pm

    Gostaria de entender como

    Gostaria de entender como pode um Teatro MUNICIPAL pertencer ao Estado e não a cidade do Rio de Janeiro.

    Alguem poderia me explicar?

    1. Henrique Marques Porto

      17 de julho de 2014 9:07 pm

      O Municipal que é Estadual

      Joe,

      É simples. O Theatro Municipal foi construído e administrado pela antiga Prefeitura do Distrito Federal, que em 1960 virou Estado da Guanabara, e que em 1975 passou a ser Estado do Rio de Janeiro com a fusão, que juntou a antiga Cidade-Estado a Niterói e todo o interior. Um arranjo político marotíssimo e complicado adimistrativamente, realizado em plena ditadura militar. O TM foi junto. Ao longo dos anos houve quem tentasse a municipalização do TMRJ, mas o Estado não quis se desfazer do TM e nem a Prefeitura se interessou. O orçamento do teatro para este ano está em cerca de 54 milhões.

      Abraço

      Henrique Marques Porto

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