4 de junho de 2026

Economista do BCE afirma que concentração de renda é maior do que se pensava

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Jornal GGN – Estudo do economista Philip Vermeulen, publicado no site do Banco Central Europeu, mostra que a concentração de renda é maior do que se pensava. Vermeulen defende que a parte mais rica da população tende a omitir os dados reais sobre sua renda. O economista combinou dados de inquéritos do BCE com o ranking dos mais ricos do Mundo publicado pela revista Forbes. Como exemplo, ele diz que nos EUA, os 1% mais ricos do país detém de 35% a 37% da riqueza total, ao contrário dos 34% afirmados anteriormente. 

Enviado por Gilberto

Do Público.pt

 
SÉRGIO ANÍBAL
 
Estudo de economista do BCE mostra que o peso da fortuna dos mais ricos ainda é maior do que se julgava
 
Afinal, o peso da fortuna dos mais ricos ainda é maior do que se julgava, conclui um estudo publicado esta semana no site do Banco Central Europeu. No caso português, um quarto da riqueza está nas mãos de 1% da população.

 
Philip Vermeulen, um economista da autoridade monetária europeia, decidiu verificar se os dados da distribuição da riqueza publicados nos Estados Unidos e em diversos países da zona euro com base na realização de inquéritos às famílias nos davam uma imagem próxima da realidade. Em particular, o autor quis tentar perceber se os resultados apresentados eram afectados pelo fenómeno, já verificado em outras ocasiões, de não resposta ou resposta subavaliada por parte dos inquiridos com maiores rendimentos. E concluiu que sim.
 
Na resposta a inquéritos sobre a fortuna e os activos acumulados, as famílias pertencentes aos escalões mais elevados de rendimento, tendem a omitir de forma mais significativa os dados reais. E, por isso, a conclusão é simples: o peso da fortuna dos 1% e dos 5% da população mais ricos é afinal mais elevada do que se suponha.
 
Como explica o autor, isto acontece porque, para estes escalões de rendimento, a informação sobre a sua riqueza se torna mais sensível, com a motivação para a representar erradamente em inquéritos a acentuar-se. A análise de Philip Vermeulen parte dos dados publicados nos Estados Unidos nos inquéritos ao rendimento das famílias e produzidos para nove países da zona euro (incluindo Portugal) a partir de um inquérito do Banco Central Europeu que apenas pode ser consultado por investigadores.
 
Com base nos dados destes inquéritos, os 1% mais ricos nos EUA detinham 34% da riqueza total das famílias. Um valor que é o mais alto entre as economias mais desenvolvidas. No entanto, conclui Philip Vermeulen, ainda deveria ser maior, situado num intervalo entre 35% e 37%. O economista chega a esta conclusão combinando a informação dada pelos inquéritos com os dados presentes no ranking dos mais ricos do Mundo publicado pela revista Forbes.
 
Nos países da zona euro, embora a concentração da riqueza seja menor, a verdade é que a subavaliação registada nos inquéritos ainda é maior. Na Alemanha, os dados do inquérito apontam para uma concentração de 24% da riqueza global nas mãos dos 1% mais ricos, mas o estudo de Vermeulen sugere que esse valor pode chegar aos 33%. Outros países com diferenças substanciais entre os dados dos inquéritos e a análise do estudo são a Itália, que passa de 14% para 21% e a Holanda, que sobe de 9% para 17%.
 
Em Portugal, para o qual o Instituto Nacional de Estatística não publica o peso dos rendimentos e da riqueza dos 1% mais ricos, é interessante verificar que o inquérito realizado pelo BCE calcula que esta parte da população detém 21% da riqueza total. O estudo agora publicado que o número mais próximo da realidade poderá estar situado entre 25% e 26%. No que diz respeito aos 5% mais ricos – que nos EUA detém perto de 60% da riqueza – Portugal regista nos inquéritos 41%, que sobe na análise de Philip Vermeulen para um valor entre 44% e 45%.
 
Entre os nove países da zona euro analisados, Portugal é o terceiro país com uma maior concentração da riqueza, apenas atrás das Áustria e da Alemanha.
 
O debate em torno das questões da distribuição do rendimento e da riqueza passou a ocupar lugar de destaque a nível internacional nos últimos meses, especialmente após a publicação nos Estados Unidos, do livro “Capital no Século XXI” de Thomas Piketty. Nessa obra, o economista francês defende, com base em dados retirados das administrações fiscais de vários países do Mundo, que se tem vindo a registar desde o início dos anos 80 um agravamento acentuado na desigualdade da distribuição dos rendimentos e da riqueza. A tendência é particularmente forte nos EUA, mas também se verifica na Europa. Piketty diz que este é um fenómeno que resulta do facto de a rentabilidade obtida pelo factor capital crescer a um ritmo superior à economia e que tende a prolongar-se caso não sejam tomadas medidas correctivas, como o agravamento dos impostos sobre os mais ricos.

 

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10 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    16 de julho de 2014 11:57 am

    rsrsrsrsrsrsrsr

    Só agora estão descobrindo isso?

    Tenho insistentemente  provocado aqui no blog, afirmando:

    O mundo grita chega de crescer.

    Crescer na base da concentração em uma ponta, exclusão na outra.

    Parece que agora os próprios economistas que defendiam o crescimento via aumento do PIB caíram na real.

    Finalmente terão que repartir o bolo.

    Será que os patrões dos governos e dos economistas permitirão?

    1. hc.coelho

      16 de julho de 2014 2:11 pm

      Esquece.

      Será que os patrões dos governos e dos economistas permitirão? E o apoio inquestionável dos jornalistas, também deles? Esquece. A próxima etapa e provar que os pobres é que são os culpados e que a concentração ainda é pequena. O pig está ai para isso.

  2. Mar da Silva

    16 de julho de 2014 11:59 am

    E no Brasil, qual economista

    E no Brasil, qual economista vai adaptar esse estudo? O Armínio Fraga, o José Serra – sem currículo – ou o Pedro Malan?

  3. alfredo machado

    16 de julho de 2014 12:27 pm

    Eurozona sem saída

    Nassif,

    A manchete cita Portugal, com 25% da $$$ total na mão dos 1%, quando 1% dos USA tem mais de 34% da $$$ total.

    Se a irritação da banca com o livro de T. Piketty já era enorme, vem agora um do BCE, a partir de dados de inquéritos do próprio banco, mostrar que T. Piketty parece ter sido bonzinho.

    O BCE, depois de fixar taxa negativa para depósitos, deve ter seus motivos para divulgar um estudo como este. A depender da vontade da banca cada vez mais voraz, a zona da eurozona não tem saída – banca de um lado, classe política inteiramente submissa à banca de outra, e as populações no meio, espremidas como laranja.  

    Lá se vão uns cinco anos de incontáveis reuniões, diversas delas em finais de semana, e o resultado prático de todos aqueles desejos da boca prá fora é nenhum. Em comum ao longo do tempo, apenas a forte presença do mandachuva, o Bilderberg.   

    .

  4. Roberto Monteiro

    16 de julho de 2014 12:29 pm

    Pois é!

    Vão desqualificar este estudo também, como estão tentando fazer com o trabalho do Pikkety?

  5. hc.coelho

    16 de julho de 2014 1:30 pm

    Bolsa Muito Ricos

    A bolsa familia é sempre questionada, mas a bolsa Muito Ricos é de longa tradição e de um sucesso retumbante. É o grande trunfos do capitalismo, agora liberalismo. Estes artigos e o Capital do Piketti só mostram um pouquinho do crime.

    Enquanto os “comunistas”, também chamados santinhos do pau oco, nós inclusive, tentam levar uma empresa tipo “apoio a jovens engravidadas” os capitalistas gloriosos tocam um “bordel”. Quem vocês acham que faz mais “sucesso”? Sempre fará? Quem, por exemplo, mora no coração da revistinha do esgoto?

  6. altamiro souza

    16 de julho de 2014 2:01 pm

    o piketty defende que seja


    o piketty defende que seja cobrada uma taxa das grandes fortunas e certamente essa elite do capitalismo denunciará que essa cobrança não faz parte das teses da economia clássica e, portanto, é contra o regime capitalista…

    marx já provou, adotando as teses clássicas, que o capitalismo resultou nisso aí – quanto mais tem, mais o cara quer, usufruindo da tal mais valia enquanto nós defendemos o ambiente e os direitos humanos e eles riem de nós porque a maioria não questiona a essencia do problema – valor, condições de trabalho m renda do trabalhador, etc e tal…

  7. Lineu Ignacio

    16 de julho de 2014 4:00 pm

    concentração de renda

    Esse fato reportado relativo a economia de Portugal tem semelhança  com o que esta acontecendo no Brasil.

    Apesar do esforço de distribuir renda  que o giverno federal vem desenvolvendo, pesquisa da FGV   mostra  que  a renda esta se concentrando.

    O xis do problema é que o governo   federal distribui cerca  de  12 bi  por ano a titulo de transferencias socias  atendendo cerca de 12  milhoes de pessoas. Mas distribui cerca  de  8 bi a titulo de fortalecimento de multinacionais brasileiras atraves taxas reduzidas de emprestimos, usando  linhas de  credito  do BNDES   ( JBS, Marfrig, Eike Batista e outros ) atendendo cerca de 20 empresas.

    ou seja, 12 bi dividido por 12 milhoes  da  uma alavancagem social  financeira de 12.000 per  capita, enquanto que  8 bi dividido por  20 da uma alavancagem financeira empresarial de 600 Mi per capita. 

    Essa  diferença  gerada pela politica economica do governo federal alimenta a concentração de renda e desfaz tudo o que o bolsa famlia faz.

     

    1. maurobrasil

      16 de julho de 2014 6:14 pm

      Cabo eleitoral de Aécio!

      Pela maneira que você defendeu Aécio em outros posts, dá pra ver sua isenção…

  8. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de julho de 2014 5:37 pm

    A concentração exagerada de

    A concentração exagerada de riqueza não é uma doença social. Prova disto é que o fenômeno não ocorria em nenhuma sociedade tribal que existia no Brasil. Os índios compartilhavam as mesmas habitações, dividiam o que plantavam, caçavam e produziam tendo para si apenas a pintura dos seus corpos e alguns adereços que faziam para se distinguir dos demais. As crianças e os velhos indígenas não eram abandonados à privação, pois suas parentelas cuidavam deles mesmos que seus pais e filhos tivessem morrido. A concentração de riqueza é um sintoma social da doença mental que algumas pessoas desenvolvem quando se transformam em máquinas de ganhar dinheiro. Quando alguém se torna incapaz de reconhecer a humanidade dos demais, se dedica à super exploração dos que estão fragilizados e se recusa a dividir um pouco do que conquistou (inclusive mediante impostos, que se esforça para sonegar) e se transforma numa máquina de contar e acumular dinheiro não há dúvida de que a doença já o dominou. O problema é que ao invés de receber tratamento, o doente é aplaudido por outros doentes iguais à ele que dominam a cena jornalística e o resultado é que o mundo segue naufragando na barbárie não porque há pouco mas paradoxalmente porque há muito para todos e pouco para alguns que querem ter tudo e algo mais. Quando a sociedade começar a tratar estes doentes e a dividir o que deve ser dividido, a civilização voltará ao seu curso natural (que é aquele que havia entre os indígenas).  

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