Uma lista com 500 nomes de estrangeiros foi liberada, nesta quarta (02), para deixar a Faixa de Gaza, mas nenhum brasileiro foi incluído na lista. Embaixador do Brasil na Palestina, Alessandro Candeas diz estar trabalhando para a liberação dos brasileiros nos próximos grupos.
É a primeira vez que estrangeiros são autorizados a deixar a Faixa de Gaza desde o início do conflito entre Israel e Hamas, em 7 de outubro. As saídas acontecem pela passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, única por terra em Gaza que não leva a Israel e que ficou fechada durante todo o conflito. Não há informações sobre por quanto tempo a passagem ficará aberta.
Além de pessoas de outras nacionalidades, palestinos em grave estado de saúde também serão transportados para fora de Gaza. A saída de estrangeiros foi permitida por meio de um acordo mediado pelo Catar com Israel, Egito e o grupo Hamas. Os Estados Unidos coordenaram os esforços.
Até o momento, não existe informação sobre quando ou se os brasileiros serão autorizados a deixar a região. O embaixador brasileiro no Egito, Paulino de Carvalho Neto, disse que há uma expectativa, mas não uma certeza, de que os brasileiros sejam liberados entre amanhã e depois de amanhã.
Resgate de brasileiros na Cisjordânia
Um grupo de 32 brasileiros resgatados da Cisjordânia chegou ao Brasil nesta quinta-feira (02). A aeronave VC2 (Embraer 190) da Presidência da República decolou de Amã, na Jordânia, e teve escalas em Roma, Las Palmas e Recife, antes de ser finalizado em Brasília.

O grupo, composto por 11 crianças, 9 mulheres e 12 homens, são de diferentes cidades do Brasil. Em uma escala, por volta de 5h35 da manhã, no Recife (PE), desembarcaram seis deles. Entre os viajantes estão seis idosos, 11 crianças e dois cadeirantes.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), apenas um passageiro terá como destino final a capital federal. Os demais seguirão para outras cidades brasileiras, em vaga cedidas em voos disponibilizados pela Azul Linhas Aéreas, com destino a Goiânia (GO), Foz do Iguaçu (PR), São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba(PR), Porto Alegre (RS).
Saddam Maher Mohamad Safa, neto de um dos resgatados, conta que o avô tinha ido à Palestina para visitar os familiares e coincidiu da guerra começar.

“Meu avô nasceu em 1928, na Palestina, mas saiu de lá depois que a Palestina foi colonizada por Israel. Israel tomou documentos de muitos. Meu avô não tem documento palestino. Até nossa identidade tiraram de nós”, conta Saddam.
Saddam diz que está feliz com o retorno do avô. “É uma felicidade que não cabe no peito. Meu vô é uma história viva de toda essa linha de tempo que aconteceu na Palestina”.
Vítimas da guerra
De acordo com informações do portal Aljazeera, até o momento, 8.924 palestinos foram mortos e 1.405 israelenses foram vitimados pela guerra, que teve início em 7 de outubro.
“Gaza tornou-se um cemitério para milhares de crianças e adolescentes”, afirma o porta-voz da UNICEF, James Elder. Por dia, 400 crianças são mortas ou feridas no conflito. O número total de crianças e adolescentes mortos é de 3.450. A organização pede um cessar-fogo humanitário imediato.
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