O chefe da diplomacia dos Estados Unidos (EUA), Antony Blinken, declarou nesta quarta-feira (8) que o governo de Israel não tem a intenção de reocupar a Faixa de Gaza, na Palestina, embora tenha afirmado que o enclave não pode continuar sob o governo do Hamas.
Segundo o secretário de Estado, Washington acredita que a resolução do conflito no futuro “deve incluir as vozes e aspirações da população palestina”. Nesta configuração, “deve incluir um governo palestino e a unificação de Gaza com a Cisjordânia sob a Autoridade Palestina”, acrescentou.
Por outro lado, cada vez mais os EUA se posicionam no Oriente Médio, na atual escalada das hostilidades de Israel contra a Palestina, em resposta considerada desproporcional pelas Nações Unidas aos ataques do Hamas, como “porta-voz oficial” do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Sobretudo, como a palavra final a respeito do destino da região no Oriente Médio.
Ocorre que esse papel é delegado à Organização das Nações Unidas (ONU), que pede cessar-fogo imediato, ajuda humanitária livre, acredita que Israel comete crimes de guerra e que há indícios de genocídio contra o povo palestino, além da criação do Estado da Palestina em território unificado.
“Quando se trata de governança pós-conflito em Gaza, há algumas coisas que são claras e necessárias. Primeiro, Gaza não pode continuar a ser governada pelo Hamas. […] Também é claro que Israel não pode ocupar Gaza, o que poderá haver um período de transição no final do conflito”, disse Blinken em entrevista coletiva após se reunir com os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 em Tóquio, Japão.
O secretário disse ainda ter ouvido a informação dos próprios líderes israelenses, “que eles não têm intenção de reocupar e recuperar o controle de Gaza”.
Voltar ao ‘status quo’
Neste contexto, o chefe da diplomacia dos EUA insistiu que “não podemos” voltar ao ‘status quo’ que existia antes do ataque do Hamas no último 7 de Outubro. No entanto, voltou a manifestar relutância quanto à perspectiva de um cessar-fogo no enclave palestino.
“Todos nós queremos que este conflito termine o mais rapidamente possível. Mas, como discuti com os meus colegas do G7, aqueles que apelam a um cessar-fogo imediato têm a obrigação de explicar como lidar com o resultado inaceitável que provavelmente ocorreria”, declarou.
Ele enfatizou que o Hamas permanece no local com mais de 200 reféns, “com capacidade e intenção declarada de repetir o que aconteceu em 7 de outubro, indefinidamente”.
A paz duradoura para os EUA
Blinken traçou linhas gerais para alcançar uma “paz duradoura” em Gaza e garantir que israelenses e palestinos possam viver “nos seus próprios estados”.
Mencionou que os EUA se opõem ao deslocamento forçado de palestinnos de Gaza, tanto agora como depois da guerra, mas rejeitam a utilização do enclave como “plataforma para o terrorismo”, sendo possível equacionar tais demandas sem a reocupação de Gaza por Israel ou a tentativa de sitiá-la ou bloqueá-la, incluindo aí a redução territorial da Faixa de Gaza.
Com informações da CNN News e The Guardian
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