A Enel, concessionária responsável pela energia elétrica de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, informou que Antônio Scala assumirá a presidência da companhia. Até a nomeação de escala, Guilherme Gomes Lencastre será o presidente interino da empresa, tendo em vista que o atual líder, Nicola Cotugno, irá se aposentar.
De acordo com a nota da Enel, divulgada nesta quinta-feira (23), Scala atua na concessionária desde 2009, contratado como responsável de Gestão de Risco para Gerenciamento de Energia na Itália. Desde então, foi responsável de Desenvolvimento Industrial e de Serviços de Energia para o mercado residencial e chefe de Planejamento e Controle de Global Trading.
O novo presidente tem graduação em Administração de empresas e foi sócio Júnior na McKinsey & Company com foco nas áreas de energia, gás e finanças corporativas.
Modernização da rede?
Segundo o informe, a saída de Cotugno foi definida em reuniões do conselho da companhia desde outubro, mas foi postergada para 22 de novembro, para que o executivo pudesse apoiar o processo de substituição e as recentes contingências.
A empresa agradeceu o desempenho de Nicola Cotugno, que esteve à frente da Enel nos últimos cinco anos, pela dedicação ao grupo e colaboradores, pelo foco nos clientes e pela transformação da concessionária em uma “empresa 100% renovável no País e ampliou em 76% a capacidade de geração eólica e solar.
Cotugno teria investido ainda R$17 bilhões de 2019 a setembro de 2023 na modernização da rede elétrica nos três estados em que está presente.
Contraponto
No entanto, não é esta a percepção que especialistas entrevistados no programa TVGGN 20H têm a respeito dos investimentos da Enel. Segundo Eduardo Annunciato, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, a empresa passou por um expressivo processo de precarização típico de privatizações em São Paulo.
Em 3 de novembro, quando a região metropolitana de São Paulo foi atingida por um vendaval com ventos de mais 100 km/h, a população ficou mais de 60 horas no escuro. “Muitos dos problemas que ocorreram foi desligamento por cabo tocando um no outro, cruzeta partida porque estava podre, galhos de árvore tocando na rede e comprometendo o circuito”, comenta Annunciato.
No último sábado (18), a região metropolitana do Rio de Janeiro foi aingida por uma tempestade. Quase 100 mil famílias de Niterói e de São Gonçalo ficaram no escuro por mais de 48 horas. No dia 20, a Justiça determinou o prazo de seis horas para que a companhia reestabelecesse os serviços, sob multa diária de R$ 100 mil.
Segundo o sindicalista, a Enel também não investe na manutenção preventiva da rede elétrica na região metropolitana. Entre 1996 e 1998, a empresa, já sob gestão da AES Eletropaulo, tinha 12 caminhões de manutenção preventiva e apenas dois voltados para o atendimento de emergências. O cenário hoje se inverteu.
Eduardo Annunciato comenta ainda que a Enel reduziu de 7 mil empregados para 3900 próprios, perdendo a memória técnica. A concessionária também investiu em terceirização, em que os funcionários recebem aproximadamente um salário mínimo e meio (R$ 1.980).
Confira a entrevista na íntegra:
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