4 de junho de 2026

Governador do Acre denunciado ganhou cadeira com o fenômeno bolsonarista de 2018

O Governador do Acre denunciado nesta quinta por 5 crimes, Gladson Cameli (PP), ganhou eleições na onda bolsonarista de 2018
Recém eleito pelo Acre em 2018, Gladson Cameli em encontro com Jair Bolsonaro, também recém eleito - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o afastamento de Gladson Cameli (PP) do governo do Acre pela prática de 5 crimes, nesta quinta-feira (30). Ele foi um dos candidatos a governos que se assomou no Executivo no fenômeno bolsonarista de 2018, por declarar apoio ao ex-presidente durante a campanha.

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O governador é de família influente da elite acreana, boa parte arrolada na denúncia por ilegalidades em contratos fraudulentos nas empresas de construção de sua família. Até as eleições de 2012, era aliado local do PT, mas desde 2018 se apresentou como oposição.

Cameli foi eleito governador do Acre em 2018, pelo PP e uma coligação do Centrão, na onda de candidatos que expressaram apoio a Jair Bolsonaro. Naquele ano, a sua vitória em primeiro turno foi uma surpresa diante dos prognósticos, que esperavam uma disputa em dois turnos no Estado.

Em agosto de 2018, Cameli aparecia empatado na pesquisa Ibope com o ex-prefeito da capital Rio Branco, Marcus Alexandre (PT). Um mês depois, com declamado apoio direto ao extremista da direita Jair Bolsonaro, Cameli saltou 10 pontos percentuais, atingindo 47% das intenções.

Nas urnas, os números foram ainda melhores: venceu com 54% dos votos do Acre. Em 2022, Cameli foi reeleito. No segundo turno presidencial do ano passado, declarou continuar apoiando Jair Bolsonaro. Só recuou com a vitória de Lula, em aceno sutil ao presidente eleito, por governabilidade.

De acordo com a denúncia da PGR, ele cometeu os crimes desde o primeiro ano de seu governo no estado, 2019. Foi acusado de organização criminosa, corrupção nas modalidades ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a licitação.

Ainda em fase de apuração, a Procuradoria indica que os crimes teriam causado prejuízo de quase R$ 12 milhões aos cofres públicos e a somatória das condenações geraria uma pena de 40 anos de prisão. A Justiça ainda precisa aceitar a denúncia e iniciar o processo.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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