Uma sindicância do Departamento de Auditoria do SUS comprovou que 33 médicos cometeram irregularidades na central de atendimento do Samu no Rio Grande do Sul, entre elas o descumprimento da carga horária previamente determinada em contrato.
A denúncia foi exibida pelo Fantástico, em 27 de agosto. Ciente do teor da matéria, a Secretaria Estadual da Saúde abriu a sindicância dois dias antes para apurar os fatos.
Na época, o denunciante e enfermeiro Cleiton Felix afirmou que era comum os médicos plantonistas na central de atendimento do SAMU desrespeitarem a carga horária que tinham de cumprir.
Servidores públicos, os médicos plantonistas tinham de trabalhar presencialmente em jornadas de 12 horas, das 19h às 7h. Na prática, eles chegavam ao trabalho com cinco horas de atraso e atendiam efetivamente as ligações com pedidos de socorro durante quatro horas por dia.
Teve dias em que a central de atendimento ficou vazia, quando deveria, por contrato, contar com sete profissionais em atividade.
Em contrapartida, a população teve de enfrentar horas de espera por socorro médico, negligência que chegou a vitimar uma idosa de 72 anos, que não resistiu a um infarto agudo do miocárdio.
Punições
Segundo Bruno Naldorf, diretor do Departamento de Auditoria do SUS, além da sindicância, a pasta promoveu ainda uma auditoria em que ficaram comprovadas as infrações dos médicos plantonistas.
Além do descumprimento da carga horária, um dos atendentes investigados colocava uma garrafa de plástico sobre o teclado do computador para manter as teclas pressionadas e indicar que estava em atividade, quando na realidade o profissional estava fora do posto de atendimento.
Comprovadas as irregularidades, os médicos terão de responder a um processo administrativo disciplinar pela Procuradoria Geral do Estado. Entre as punições previstas está a exoneração dos servidores.
Os plantonistas do Samu foram contratados para trabalhar 100 horas por mês. Em contrapartida, recebem R$ 11 mil de salário. Porém, era comum que cumprissem apenas 40 horas mensais, além de justificar as faltas e atrasos como “problemas na marcação pelo relógio de ponto”.
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