O mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não deveria ter chegado ao fim. Não, pelo menos, sem punições pelas sucessivas tentativas de golpe de Estado, como revelou o jornalista Luís Costa Pinto, do Brasil 247, nesta sexta-feira (12).
Convidado do programa TVGGN 20H, o jornalista repercutiu a denúncia feita mais cedo, de que a tentativa mais promissora de tomada do poder seria realizada em 7 de setembro de 2021, nas celebrações do Dia da Independência.
Na ocasião, a capital federal seria tomada por bolsonaristas, ação que tinha como objetivo forçar um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), medida dispositivo para o controle de uma crise na segurança pública, em que as autoridades do Exército passam a exercer o poder de polícia.
“Bolsonaro queria forçar um pedido de GLO, que seria feito pelo STF [Supremo Tribunal Federal]. Bolsonaro queria ter as polícias militares, sobretudo a do Distrito Federal, de São Paulo e Rio de Janeiro, aliadas a essa estratégia golpista”, comentou o jornalista.
O planejamento do golpe teve início em 29 de março de 2021, quando o então ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva deixou o cargo. Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica), comandantes das Forças Armadas, seguiram Azevedo, fato que, nem durante a Ditadura Militar, aconteceu.
“Eles, que vinham chancelando a escalada golpista de extrema direita do Bolsonaro até aquele momento, já sabiam o que o Bolsonaro estava tramando, que era a tomada definitiva do poder”, continua Costa Pinto.
Resposta
Cientes da possibilidade de tomada de poder, oficiais do Exército legalistas entraram em contato com a Procuradoria Geral da República, a fim de reproduzir as estratégias de golpe. Augusto Aras, então procurador-geral, percebe a gravidade do tema.
“Esse dispositivo vai buscar informações para saber se era aquilo mesmo e quando eles verificam que havia risco e que aquela estratégia golpista para que uma GLO fosse pedida, e que as polícias militares garantiriam as capilaridades aos movimentos golpistas, teriam de aderir ao movimento de aderir ao 7 de Setembro”, continua o jornalista
Fica sob a responsabilidade do procurador-geral do Ministério Público Militar, Marcelo Weitzel, a tarefa de percorrer os 27 estados, a fim de se reunir com governadores e comandantes da PM para sentir se a adesão ao golpismo era uma realidade.
Ao constatar que o risco era real, as instituições então iniciaram uma estratégia para desmontar a tentativa de golpe, a partir do apartamento das PMs de Brasília do Palácio do Planalto, fazendo com que todos os comandantes decretassem estado de prontidão entre 6 e 8 de setembro de 2021.
“Em estado de prontidão, todo o efetivo das polícias militares teria de ficar aquartelados, mesmo que estivessem em casa, e não poderiam servir de massa de manobra para capilarizar o golpismo que o Bolsonaro queria.”
Recusa
Entretanto, três estados negaram o pedido de aquartelamento: Mato Grosso, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Apoiados pelos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Luiz Fux, do STF, os procuradores gerais da Justiça informaram aos governadores e comandantes que dos respectivos estados seriam responsabilizados diante de qualquer adesão ao movimento golpista por parte dos policiais militares.
“Fazem tudo isso sem dar a Bolsonaro o que eles queriam: o argumento do confronto”.
Fux teve outro papel importante na contenção da tentativa de golpe em 2021. Enquanto presidente do STF, teria o poder de pedir GLO, a fim de evitar a tomada de poder dos bolsonaristas nas sedes de três poderes.
Na ocasião, ele entrou em seu gabinete, demandou atiradores de elite e prometeu, ao general Yuri Matsuda era o Comandante Militar do Planalto, que abriria fogo contra quem quiser invadir o STF e se eles romperem o terceiro bloqueio na Esplanada dos Ministérios, fazendo com que os golpistas recuassem.
Tentativas
A Democracia brasileira sofreu, nos últimos anos, diversas tentativas de golpe, como observa o jornalista. O impeachment de Dilma Rousseff (PT) sem crime de responsabilidade em 2016 foi um deles. A prisão e, consequentemente, o impedimento imposto a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de disputar o pleito de 2018 também.
No entanto, os fatos revelados por Costa Pinto nesta sexta mostram que a GLO era uma ambição de Bolsonaro há mais de dois anos e que todos os elementos desta estratégia resultaram no 8 de janeiro.
Na comemoração de 7 de setembro em 2022, ano em que foi celebrado o bicentenário da Independência, Bolsonaro e militares também planejavam um golpe. No entanto, os líderes das instituições constataram que o então presidente estava sem moral entre os apoiadores, até porque muitos deles almejavam se eleger, tinham grandes chances de tornar as próprias candidaturas exitosas e, portanto, não toparam cair em uma eventual cilada golpista.
O entrevistado conclui que as instituições foram eficientes para evitar golpes de Estado. Mas questiona o porquê da impunidade e ausência de investigações destes atores até o momento, negligência que possibilitou o desenvolvimento de outras tentativas de golpe e colocaram em risco a preservação do Estado Democrático.
Confira o programa na íntegra:
LEIA TAMBÉM:
Cleiton do Prado Pereira
14 de janeiro de 2024 11:32 amPrezado Luiz Nassif, até parece que você não é mineiro de verdade. Não conheço nenhum mineiro que como você não consegue enxergar o óbvio. Vou tentar como bom mineiro lhe ajudar a entender. Quem colaborou com a FARSA do MENTIRÃO que tinha o objetivo de criminalizar o PT e impedir a reeleição do Lula? A mídia e o judiciário, de 1ª instância ao STF, lembra do voto de condenação do Zé Dirceu pela LITERATURA? Sigamos em frente, que arquitetou o segundo plano de criminalização do PT e a derrubada dele do poder? O parlamento, o judiciário, desde a 1ª instância até o STF e os EUA (de olho em nosso petróleo), que havia gasto US$ 3 trilhões para ter o petróleo do Oriente Médio e aqui gastou apenas uns bilhões de dólares. E você acredita mesmo que alguém terá peito para condenar e prender o escolhido por eles para fazer o trabalho, com Moro e o sujeito das joias? E a paura da mídia, dos EUA e dos matadores de aluguél das milicias?