8 de junho de 2026

Fux ameaçou mandar atirar em golpistas e Aras disse que “ele está certo”: os bastidores do 7 de Setembro revelados por Luís Costa Pinto

Fux mostrou a Braga Netto que não sucumbiria à pressão pela GLO; Aras ficou ao lado do ministro do STF na resistência democrática
Foto: Carlos Moura/SCO STF

O então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, ministro Luiz Fux, desmontou a primeira tentativa de golpe arquitetada para o 7 de setembro daquele ano, ameaçando acionar snipers contra bolsonaristas que tomaram a capital federal, revela reportagem do site Brasil 247, publicada nesta sexta-feira (12). 

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Segundo as informações obtidas pelo jornalista Luís Costa Pinto, os atos convocados pelas redes sociais, que levaram milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à Brasília, em 7 de setembro de 2021, tinham como plano de fundo forçar as autoridades acionar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para que as Forças Armadas assumissem o controle. 

O plano, no entanto, não teve nenhum êxito, diferente de 8 de janeiro de 2023, quando os bolsonaristas conseguiram ir além e invadir as sedes dos Três Poderes. 

O recado

De acordo com o 247, na madrugada daquele 7 de setembro, Fux telefonou para o general da reserva e então ministro da defesa Walter Braga Netto “num tom ameaçadoramente resignado e frio”: “Ministro, eu não vou pedir GLO. Já disse isso ao general Matsuda”, teria afirmado o presidente da Suprema Corte ao subordinado de Bolsonaro. 

O general Yuri Matsuda era o Comandante Militar do Planalto naquele momento. Luiz Fux foi além ao explicar o porquê de não pedir GLO ao então ministro da Defesa: – Há atiradores de elite que eu ordenei que fossem estrategicamente colocados na laje do prédio do Supremo Tribunal Federal. Vou mandar que abram fogo contra quem quiser invadir o STF e se eles romperem o terceiro bloqueio na Esplanada dos Ministérios. Já romperam dois. Se romperem o terceiro, darei ordem de atirar. Estou dentro do Supremo, e daqui não sairei”, relata a reportagem.

Braga Netto, então, teria consultado o então procurador-geral da República, Augusto Aras, para saber se Fux poderia cumprir com as ameaças. “Pode, claro. E ele está certo”, teria dito Aras. 

Jair Bolsonaro foi então avisado pelo seu aparelho militar que haveria uma dura repressão às hordas de apoiadores seus que compareciam a Brasília convocados por ele e por meio de suas redes e de seus perfis golpistas em aplicativos de mensagens. Fux fez seu recado chegar, com idêntica gravidade, ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. “O que ele quer que eu faça?”, chegou a perguntar Ibaneis a um interlocutor comum dele e de Fux. E ouviu uma resposta em revés: “que ponha a Polícia Militar para controlar o povo na Esplanada e mantenha a terceira e última barreira de acesso ao Congresso e ao STF”, mandou dizer o presidente do Supremo à época”, acrescenta o texto.

Além disso, antevendo a possibilidade de conflitos, Aras teria agido desde maio de 2021 para evitar o apoio de policiais militares aos atos de 7 de setembro. 

O procurador-geral do Ministério Público Militar, Marcelo Weitzel, foi despachado para rodar o País e esteve reunido nas 27 unidades da federação com todos os comandantes das PMs. Ele pediu que, entre 6 e 8 de setembro de 2021, todos os soldados da ativa, de todas as forças estaduais e do DF, estivessem aquartelados e em regime formal de prontidão. Mantidos assim, em prontidão, os policiais militares não poderiam estar presentes aos eventos que Bolsonaro convocava e teriam de seguir as ordens de seus comandantes diretos. Caso contrariassem aquelas ordens, enfrentariam a Justiça Militar”, explica a reportagem.

Ainda, procuradores-gerais de Justiça de todos os estados e do Distrito Federal foram convocados a Brasília no início de agosto de 2021, para uma reunião na sede do STF com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que teriam advertido os procuradores estaduais que “desordens e badernas associadas a eventos de cunho golpistas nos estados fariam com que a culpa recaísse sobre os governadores e sobre os comandantes de cada uma das Polícias Militares”.

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    12 de janeiro de 2024 6:31 pm

    Matéria do Luís Costa Pinto, jornalista bem conceituado. Mas…fica difícil acreditar no Fux e principalmente no Aras, matando uma tentativa de golpe no peito. Como que um enviado de Aras percorre os 27 estados para praticamente coagir os governadores a aquartelar suas puliça, sem que a informação não chegue ao genocida para denunciar a coação? Como um fato desses leva dois anos para ser revelado, especialmente em se tratando de BSB, que está entre um queijo suíço e uma peneira, quando se trata de vazamento laudatório. Pode não ser, mas bem com cara matéria encomendada, tipo engenheiro de obras prontas.

  2. Luiz Mattos

    13 de janeiro de 2024 11:56 am

    FUX,ARAS, FALTA O REBELO NESSA FÁBULA

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    13 de janeiro de 2024 1:28 pm

    Essa história evidência o estágio de profundo apodrecimento das instituições brasileiras após o golpe de 2016, que foi executado “com o STF, com tudo”. Quando a investidura no poder mediante eleições foi removida de cena por intermédio de uma farsa (o Impeachment sem crime de responsabilidade), o sistema constitucional começou a desabar. Beneficiários desse processo político de desdemocratização do país, Bolsonaro e os generais golpistas que ele comanda perceberam que só faltava chutar a porta do STF para o Estado democrático inteiro desabar. Nós sabemos o que eles pretendiam colocar no lugar. Nós seríamos as vítimas preferenciais do regime criminoso que estava sendo construído. Aras pode ter ajudado a desmobilizar o golpe, mas ele não fez nada contra a estruturação da vigilância política em massa organizada pelo bolsonarismo sob o comando do general Heleno. Fux certamente agiu bem ao repelir a ameaça de invasão do STF, mas ele manteve a prisão de Lula para impeedi-lo de disputar a eleição contra o capitão genocida. 700 mil mortos e ninguém parece querer mais responsabilizar aqueles que usaram a pandemia para reduzir as despesas orçamentárias com os pobres deixando-os morrer. O desprezo pela vida das pessoas comuns no Brasil é tão grande, que Bolsonaro será punido por um crime menos grave. Isso é realmente asqueroso.

  4. +almeida

    13 de janeiro de 2024 9:20 pm

    A notícia surpreende e o crer ou não crer recebem 50% para cada um.
    A razão está sempre com dois lados, até que a verdade se manifeste.
    Tem gente séria endossando o acontecimento, ainda que o retrospecto de algumas pessoas envolvidas pareça não ter topete pra tal atitude.

  5. emerson57

    14 de janeiro de 2024 9:38 am

    Ibaneis foi peça central nas ilegalidades.
    Chegou a ser preso.
    Porquê foi reconduzido?

  6. +almeida

    14 de janeiro de 2024 10:08 am

    Eu imagino que o Augusto Aras começou a colocar suas barbas de molho quando percebeu que estava se bolsaronando demasiadamente, o que atrapalhava sua intenção de se manter no cargo, no governo Lula.
    Quanto a Luiz Fux, eu penso que ao perceber que o seu tímido exercício na presidência do STF iria ser um dado negativo em seu currículo, ele reagiu e fez o que ninguém esperaria dele, ou seja, mostrou que tinha topete para encarar situações de extrema tenção e perigo. Talvez, nem ele sabia que poderia chegar a tanto.
    Portanto, de foi assim que aconteceu, agradecemos e parabenizamos a ambos.

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