10 de junho de 2026

Caso Marielle Franco deve ter desfecho até março, afirma diretor da PF

Sobre o 8 de janeiro, diretor-geral acusa militares que "aderiram ao movimento golpista" de serem "coniventes"

O caso Marielle Franco pode ter um resultado até março deste ano. Foi o que revelou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em entrevista ao Valor.

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De acordo com ele, houve “dificuldades” pelo crime ter ocorrido há quase seis anos e sem avanços nas investigações durante o governo de Jair Bolsonaro. Mas, mesmo o caso estando “menos de um ano” sob apuração de uma equipe especial da PF no Rio de Janeiro, indica que estão próximos da conclusão.

“Entramos em uma fase importante da investigação. Eu, particularmente, tenho muita confiança na equipe que está à frente disso, no Rio”, disse.

“A equipe está há menos de um ano com a investigação de um crime que ocorreu há quase seis. Com todas as dificuldades desse distanciamento temporal, a expectativa é de que, ainda neste primeiro trimestre, a gente consiga dar uma resposta”, continuou.

Os ataques de 8 de janeiro

Durante a entrevista ao Valor, Rodrigues também comentou sobre a atuação da instituição nos ataques de 8 de janeiro.

“A situação já estava fora de controle, e havia uma preocupação de tentar, minimamente, conter aquilo. O governador [Ibaneis Rocha] não era encontrado e o secretário de Segurança em exercício até então estava dizendo que tudo estava bem, tudo estava tranquilo”, narrou.

Andrei Rodrigues também lembra que afirmou junto ao corpo de segurança pública e documentado “que as pessoas que estavam no acampamento não eram manifestantes, mas criminosos, porque estavam pregando golpe de Estado, intervenção militar, tomada de poder”.

“Portanto, essas pessoas não poderiam sair de lá sem serem presas. A garantia da secretaria era de que os manifestantes violentos não sairiam de lá e que os manifestantes que pacificamente fossem protestar teriam um limite, só poderiam ir até certo ponto. Ainda assim, eu encaminhei o ofício afirmando sobre os riscos para os prédios do Congresso, do Planalto e do STF”, narrou.

O diretor-geral da PF também acusa as Forças Armadas de então de serem “coniventes” ao aceitar os acampamentos em frente aos quarteis e responsabiliza militares que “aderiram ao movimento golpista”.

Segundo ele, o quadro atual não é assim: “Isso muito difere dos atuais comandantes das Forças Armadas, que são legalistas, democratas, que têm conduzido a instituição de maneira absolutamente serena.”

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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