O presidente Lula decidiu demitir o número 2 da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alessandro Moretti, apontado de envolvimento no monitoramento ilegal da agência durante o governo de Jair Bolsonaro. A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
Lula já havia dito que “não havia clima” para manter o funcionário no cargo, durante uma entrevista nesta terça-feira (30), à CBN de Recife. Agora, o segundo maior posto do órgão passará a ser ocupado por Marco Aurélio Chaves Cepik, conforme nota divulgada pela Casa Civil. Cepik é professor universitário e o atual diretor da Escola de Inteligência da Abin.
Moretti foi alvo, juntamente com Carlos Bolsonaro, da investigação da Polícia Federal no monitoramento ilegal de pessoas. Ele já atuava na Abin, sob o comando do ex-diretor Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi alvo das investigações na semana passada.
Lula explicou que ele permaneceu no cargo, após a troca de governo, a pedido do atual chefe da Abin, Luiz Fernando Corrêa, a quem o presidente confirma ter “muita confiança”.
“Esse companheiro [Corrêa] montou a equipe dele, dentro da equipe dele tem um cidadão [Moretti] que é o que está sendo acusado, que mantinha relação com o Ramagem, que é o ex-presidente da Abin no governo passado, inclusive relação que permaneceu já durante o trabalho dele na Abin. Olha, se isso for verdade, e isso está sendo provado, não há clima para esse cidadão continuar”, disse o presidente.
Quem é Moretti
Moretti já havia sido apontado por integrantes do governo Lula como aliado de Bolsonaro, uma vez que ocupou cargo alto da Polícia Federal – diretor de Inteligência Policial – no governo anterior. Na pasta, ele era braço-direito de Anderson Torres, que foi preso por omissão nos ataques golpistas de 8 de janeiro.
Ele também autuou como diretor de Gestão e Integração de Informações da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) no primeiro ano do governo Bolsonaro e diretor de Informação e Inovação da PF entre 2022 e 2023.
Antes, em 2019, Moretti assumiu ainda como secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o braço-direito da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, sob o então comando de Torres.
Atualmente diretor adjunto da Abin, Alessandro Moretti foi apontado nominalmente em relatório da PF sobre a “Abin paralela” e o uso da agência em benefício pessoal de Bolsonaro e familiares.
Lula ainda acredita que não respingou em Corrêa as ligações bolsonaristas e envolvimento nos crimes. Ele também avalia que a Abin, sob o comando dele, está colaborando com as investigações.
A demissão de Moretti deve ser publicada em breve no Diário Oficial da União (DOU).
+almeida
30 de janeiro de 2024 10:57 pmDesculpa Lula, mas este já passou da hora até por demais.