4 de junho de 2026

Famílias de menor renda são mais afetadas pela inflação em janeiro

Cálculos do Ipea revelam maiores altas inflacionárias entre as famílias de renda muito baixa e baixa; renda alta tem menor variação
Foto de Pixabay via pexels.com

A inflação calculada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) destaca a disparidade do impacto de determinados itens para cada faixa de renda familiar no mês de janeiro de 2024.

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Os cálculos mostram um aumento da inflação de 0,66% para o segmento de renda muito baixa e de 0,59% para o de renda baixa, por conta do aumento dos preços dos alimentos. As famílias com maiores rendimentos tiveram a menor variação no período (0,04%).

No acumulado em 12 meses até janeiro, porém, as famílias de renda muito baixa apresentaram a menor taxa de inflação (3,47%). A maior variação ficou com o segmento de renda alta (5,67%).

O comparativo com a inflação de janeiro de 2023 mostra que as famílias de renda mais baixas não viram desaceleração inflacionária. Pelo contrário: perceberam uma piora no cenário por conta do impacto dos alimentos no domicílio e dos artigos de higiene pessoal em seu orçamento.

Segundo o Ipea, as variações de preços desses itens, de 1,8% e 0,94%, respectivamente, ficaram acima das observadas no mesmo período de 2023 (0,60% e -1,3%).

No caso das faixas de renda mais elevada, houve uma alta menos intensa da inflação por conta da melhora das passagens aéreas, que registraram deflação de -15,2% este ano (-0,51% em janeiro de 2023).

Os combustíveis também colaboraram para essa tendência, com uma queda de 0,39% em janeiro deste ano, ante um aumento de 0,68% no mesmo período de 2023.

Alimentos e saúde puxam inflação para menor renda

Os grupos que mais afetaram a variação de preços em janeiro foram alimentos e bebidas e saúde e cuidados pessoais, o que explica inclusive o impacto mais expressivo entre as famílias de renda mais baixa.

Segundo o Ipea, a maior pressão inflacionária para as classes de rendas mais baixas veio do grupo “alimentos e bebidas”, especialmente devido ao aumento dos preços dos alimentos no domicílio – como cereais (6,8%), tubérculos (11,1%), frutas (5,1%) e óleos e gorduras (2,1%).

Em menor escala, o impacto do grupo “saúde e cuidados pessoais” na inflação das classes de renda mais baixas foi visto nos reajustes de 0,70% nos produtos farmacêuticos e 0,94% nos produtos de higiene pessoal.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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