10 de junho de 2026

Obrigações de empréstimo pressionam mercado de imóveis comerciais nos EUA

Investimento obscuro tem sido afetado pela pressão de mutuários, que tentam pagar empréstimos ligados a imóveis comerciais
Foto de Nader Abushhab na Unsplash

Uma modalidade de investimento usada para financiar projetos imobiliários de risco nos Estados Unidos tem sido pressionada intensivamente, na medida em que mutuários tentam pagar empréstimos ligados a empreendimentos comerciais.

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As chamadas obrigações de empréstimo garantidas por imóveis comerciais (CRE CLO) englobam dívidas consideradas especulativas demais para títulos de risco e retorno que possuem as hipotecas tradicionais como garantia.

Dados da Bloomberg mostram que, em sete meses, a porcentagem de ativos problemáticos que esses produtos de nicho possuem aumentou quatro vezes, para mais de 7,4%. No caso dos mais afetados, a inadimplência já chega na casa dos dois dígitos.

Assim, os principais interventores no mercado estimado em US$ 80 bilhões correram para renegociar empréstimos, enquanto os vendedores a descoberto intensificavam suas investidas aos emissores de capital aberto que, na visão deles, podem estar com tantos débitos em aberto que possuem pouco ou nenhum valor patrimonial.

Tal cenário é mais um golpe no mercado imobiliário comercial dos Estados Unidos, que tem passado por dificuldades desde a pandemia. Avaliado em US$ 20 trilhões, o setor quase levou o New York Community Bank à falência ao ponto de suscitar alertas da secretária do Tesouro, Janet Yellen, e do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.

Porém, os observadores da indústria dizem que poucos produtos estão mais expostos do que os CRE CLO – inclusive, um diretor de investimentos afirma que esse mercado “é o primeiro a ser afetado por inadimplência nos mercados de dívida CRE”.

“Os empréstimos dentro dos CRE CLOs tendem a ser para propriedades transitórias, por isso os mutuários contam com a revenda antes do vencimento do empréstimo. Mas hoje muitos mutuários não conseguem vender propriedades perto de onde as compraram”, ressaltou Mark Neely, diretor de investimentos alternativos da gestora financeira GenTrust.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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