4 de junho de 2026

Aliados de Campos analisam capacidade de transferência de votos de Marina

Do O Globo
 
 
Avaliação do diretor do Ibope analisa que interferência da líder caiu desde as últimas eleições
 
por Maria Lima

A dificuldade da dupla Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade) de deslanchar nas pesquisas de intenção de votos vem causando nervosismo crescente no comando da sua campanha nacional. Aliados de Campos, inclusive, encomendaram ao Ibope uma pesquisa nacional para avaliar a rejeição de Marina e sua capacidade de transferência de votos, seja como candidata a vice na chapa ou apenas como apoiadora do socialista. O objetivo é mensurar o que ocorreria com a candidatura de Campos se Marina voltasse atrás na decisão de ser sua vice por conta de alguma negociação de palanques regionais.

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O foco da crise foi a decisão do diretório do PSB de São Paulo de aprovar, por unanimidade, uma coligação com o PSDB, apoiando a reeleição do governador Geraldo Alckmin. Desde que PSB e Rede resolveram se unir, em outubro passado, a candidatura própria no maior estado do país foi colocada como cláusula pétrea pelos marineiros. Por outro lado, apoiadores de Campos atribuem à ex-senadora dificuldades na formação de palanques competitivos em grandes estados. Para o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, apesar de ter um amplo capital político, Marina vem demonstrando pouca capacidade de transferência de voto como candidata a vice.

Na avaliação de Montenegro, já repetida por outros especialistas e articuladores políticos, o poder de transferência da Marina caiu muito desde a última eleição. Isso estaria sendo mostrado em todas as pesquisas e foi confirmado na última consulta do Datafolha, na qual, além da queda de quatro pontos de Campos (de 11% para 7% nas intenções de voto), 48% dos entrevistados disseram que não votariam no candidato indicado pela ex-senadora. O único cenário em que ela teria condição de mudar o jogo eleitoral, na opinião dos especialistas, seria aquele em que ela fosse candidata à Presidência. Nesse caso, poderia agregar mais votos que recebeu em 2010.

— A Marina é uma pessoa querida, correta, ética, mas, como vice, não tem poder de transferência de votos para o Eduardo Campos. Uma parte dos votos dela em 2010 foi de protesto. Os votos de protesto eram 9% a 10%. Na eleição, ela chegou a 20%. Depois, caiu para 9% e 10% de novo. No começo, a notícia da coligação Rede-PSB foi um boom, uma notícia positiva. Mas, no final, acabou dando confusão. Ela é contra o agronegócio, Campos, a favor. Depois, surgiram os problemas em Goiás, São Paulo e Minas. A coisa do açaí com tapioca faz sentido. Os dois não combinaram. Era uma coisa previsível, que ia dar confusão, e deu – avalia Montenegro.

A assessoria de Marina e integrantes do comando do PSB dizem que a pesquisa para medir a rejeição da ex-senadora não foi encomendada pelo partido, mas integrantes da campanha confirmaram a sondagem. Apesar do nervosismo que tomou conta da campanha após a queda de quatro pontos na intenção de votos no Datafolha, Campos tenta salvar a parceria com Marina. Procura compensar a incompatibilidade dos dois em São Paulo com a formação de um palanque próprio em Minas Gerais, defendida há meses pela Rede.

Os dois combinaram que ela iria hoje em Minas retirar a candidatura do desconhecido professor aposentado Apolo Heringer (Rede) para apoiar o nome do deputado Júlio Delgado (PSB). Marina já teria gravado apoio a Delgado; porém, na reunião com a Rede, o deputado continuou sendo criticado e chamado de “laranja de Aécio Neves”, pré-candidato tucano à Presidência. Marina, porém, elogiou Delgado e anunciou que os dois disputarão a candidatura na convenção.

Em São Paulo, Marina lançará um candidato ao Senado, provavelmente na chapa do PV, para que possa ter um palanque alternativo ao de Alckmin.

Ao ser firmada, a parceria de Campos com Marina levou aliados dele à euforia; hoje, porém, há no grupo do socialista quem questione essa estratégia. A esperada transferência massiva de votos não veio e parte do grupo de Campos avalia que as interferências dela nas articulações estaduais do pernambucano deixaram o campo livre para Aécio.

– Eles, da Rede, não estão entendendo que o que Marina teve em 2010 foi o espaço que sempre teve a terceira via nas disputas presidenciais. Mas Eduardo não é uma terceira via para ter 20 milhões de votos. Ele está na disputa para ganhar. Está na hora de resolver isso – cobrou Roberto Freire, um dos aliados que mais brigaram pela aliança com Alckmin e que está incomodado com as ações do entorno de Marina para sabotar as articulações do PSB nos estados.

Há, entre os aliados de Campos, quem aposte que ele reaja ao que, entendem, Marina está articulando: usar o PSB como vitrine para se fortalecer para 2018, sem compromisso com a eleição de Campos.

– O Eduardo tem que repensar essa parceria. Foi uma aposta que não deu certo. Se ele tivesse deixado que ela se filiasse ao PPS, hoje Marina seria um problema do senhor Roberto Freire e não teria contaminado sua candidatura. Ia ter seus 6% de votos e levava a eleição para o segundo turno do mesmo jeito. Marina desidratou Eduardo – avaliou um integrante da Executiva do PSB.

 

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9 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    10 de junho de 2014 11:29 am

    O bicho tá pegando.
    O que

    O bicho tá pegando.

    O que leva aliados encomendar uma pesquisa desse calibre?

    Não encontro outro resposta a não ser atender ao que quer a grande mídia que nesses últimos dias noticiaram matérias ardilosas contra Marina. Exatamente ela que foi a queridinha da mídia nas eleições de 2010.

    Campos já está preso na armadilha daqueles a quem ele optou por abraçar.

    Campos o novo mofado.

    Ilusão daqueles que pensaram que ele seria uma alternativa.

     

    1. Vitor Carvalho

      10 de junho de 2014 12:03 pm

      E pensar q Campos cometera o

      E pensar q Campos cometera o erro de desprezar o apoio de Lula em 2018… Um erro de ego inflado pela ilusão de q crescera sozinho sem qualquer auxilio do PT. O pior não é ele perder, é o quanto o PSB perde com sua decisão de atacar a Dilma.

  2. Flavio Martinho

    10 de junho de 2014 11:46 am

    É de facil solução. Não

    É de facil solução. Não precisa nem de pesquisa. É só inverter. Marina cabeça de chapa e Campos como vice ou apoiador. Dá tudo no mesmo e tudo fica do mesmo tamanho. A vantagem é que, por alguns dias, os jornais venderão um pouco mais e os analistas terão assunto para escrever sobre nada.

  3. Franklin Caetano de Freitas

    10 de junho de 2014 11:49 am

    O óbvio.

    Quem não sabia que isso não daria certo? Só o Eduardo mesmo! O socialista pode sair menor do que entrou, se Dilma ganhar. Caso Aécio ganhe, ele vai ter umas migalhas, esse acordo em São Paulo carante isso. De toda a forma, não vejo nada de novo, nada de bom saindo do PSB. 

  4. Assis Ribeiro

    10 de junho de 2014 11:57 am

    O “negócio” tá fedendo

     Aécio “desova” Eduardo Campos. Ele já cumpriu seu papel

    Aécio Neves diz que “não vai perder tempo com indelicadezas” de Eduardo Campos.

    A reação, segundo a Folha, foi os comentários do ex-governador de Pernambuco de que o mineiro não gostaria de trabalhar.

    E ainda teve o (ex?) assessor de Campos fazendo graça, na linha Serra, como o “Vai ter Coca”, divulgado nas redes sociais.

    Em São Paulo, não vai ter Marina e, em Minas e no Rio, talvez nem candidato tenha, do jeito que a coisa vai e se o Governo e Lindberg Faria tiverem a inteligência de não fazerem de Garotinho um inimigo, porque ele sabe perfeitamente que nem Aécio nem Campos são capazes de reduzir suas dificuldades com a classe média e a zona sul. Não é nisso que Garotinho aposta, mas no interior, na periferia e nas áreas pobres do Rio de Janeiro.

    Campos, agora, se quiser sobreviver eleitoralmente, terá de se voltar contra o seu companheiro de jantares no Fasano.

    Haverá espaço para uma única candidatura de direita e é este espaço que Campos tentará ocupar à base da desconfiança em relação à figura de Aécio Neves.

    Aécio, por sua vez, não vai se incomodar com Eduardo Campos.

    No primeiro turno, ele sabe, tanto faz que seu potencial eleitor vote no pernambucano, desde que ajude a não deixar Dilma ter maioria absoluta.

    É por isso que o principal problema de Campos é, agora, enfrentar uma maior presença de Dilma e Lula no Nordeste, que são os lugares onde Campos tem voto popular, que migra para Dilma e não para Aécio, como são os da maioria dos eleitores “campistas” nos grandes centros e na classe média.

    Eduardo Campos está espremido pela necessidade eleitoral e pela inviabilidade de uma candidatura que só sobrevive nos índices inflados com que aparece nas pesquisas.

    Ou aparecia, porque, com todos os arranjos, já não é possível sustentar que ele tem dois dígitos nas intenções de votos.

    É o preço que pagou por sua ambição.

    Embora a enxurrada de pesquisas que virá esta semana seja um evento muito mais de propaganda – já que o “fracasso” da Copa não fracassou – é inevitável que Eduardo Campos vá voltando ao nada eleitoralmente.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=18205

    1. Anarquista Lúcida

      10 de junho de 2014 10:23 pm

      Assis, vc nao é do Rio. Garotinho É o maior inimigo

      E o maior perigo também. Até o bispo Crivella é melhor que ele, que é ligado às milícias. 

  5. JB Costa

    10 de junho de 2014 11:59 am

    Consumou-se o que já estava

    Consumou-se o que já estava escrito nas estrelas: essa chapa, formada apenas por meras ambições pessoais de ambas as partes, já nasceu fadada ao fracasso. Muitos aqui  no blog, incluindo esse aprendiz nas artes da política, já, se não previram, pelo menos comentaram acerca desse duo desde o início apenas justaposto, mas jamais integrado. 

    Sempre desconfiei, e continuo desconfiando, que Marina lançou o(a) r(R)ede ao mar à espera que com o tempo(das pesquisas) a pescaria fosse farta. Em vez de dar cara com os peixes deu mesmo foi com os burros n’água. A seu favor tem o benefício da dúvida com relação ao Datafolha. Entretanto, é observável a quebra de expectativa com relação ao suposto poder de transferência dos votos que a acreana recebeu em 2010. 

    Ao contrário da lenda assente, um raio pode cair no mesmo lugar, conforme atesta a ciência e a experiência. Já fenômenos políticos raros, pontuais, singulares, como a eleição de Collor em 1989, dificilmente se repetem. Mesmo porque emergiu numa ambiência bem característica da nossa história e da própria história da humanidade.

    Mas o que foi exceção passou a ser visto não como regra, mas como possibilidade. De repente, para o menos avisados ou neófitos na práxis,  o árduo e complexo processo político, que alcança seu auge na engenharia para formação de coligações para eleições, ficou em segundo plano. Eventuais espasmos de insatisfações do eleitorado passou, e ainda passa, a ser apreendido pelo “sábios” como uma demanda inexorável por “novas caras”. Novos “Collors” cujo discurso em resumo é o do “contra tudo que está aí”. Até mesmo Lula e o PT ficaram enebriados por esse canto de sereia quando em 1994 e 1998 incorporam essa tática. 

    Marina e Eduardo Campos, principalmente a primeira, é mais um desses casos. 

  6. André LB

    10 de junho de 2014 4:33 pm

      Às vezes chego à conclusão

      Às vezes chego à conclusão de que muita gente no meio político é razoavelmente tapada.

      Até eu e meia torcida do Flamengo sabíamos que o poder de transferência de votos da Marina em 2014 não seria jamais igual aos votos da Marina em 2010, até por não ser cabeça de chapa – e isso foi dito no mesmo fim de semana da “grande jogada” de Eduardo Campos.

      Falando apenas de tino político, EC parece ter atualmente uma estatura até maior do que merece.

  7. jbonifacio

    10 de junho de 2014 10:57 pm

    A FALSA EXPECTATIVA

    O capital que Marina esperava em torno dos votos e a possível transferência para Eduardo Campos se daria pela soma da  grande quantidade de votos de protestos em 2010 e, possibilidade de absorver os votos de muitos manifestantes contra a copa, mas parece que as duas alternativas está “fazendo água”; tanto aqueles que votaram nela em 2010 parece que não pretendem mais, pelo menos na mesma quantidade, como também os protestos contra a copa, não está acontecendo da mesma maneira que em 2013.

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