A queima dura do arquivo
por Romério Rômulo
O tombo seco da pedra
a queima dura do arquivo
a mirada que não medra
a trava, substantivo
2.
Poesia toda rasgada
me mata sem ter motivo
seu olho, numa quebrada
me come, definitivo
3.
No seu olhar de desdém
na ponta seca onde vivo
um canto feito ninguém
feito estrada sem motivo
4.
Por tudo vai e levanta
em trato de condolência
sobra vida, mais quebranta
em planta, flor e demência
5.
Poesia solta do dia
terra em novelo, aguenta
te horrorizo, mais fria
te amo, como tormenta.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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