10 de junho de 2026

Estudo Brasil 2040 já indicava efeitos da mudança climática sentidos desde o ano passado

O governo Dilma gastou R$ 3,5 mi pelo trabalho, abandonado após reforma ministerial; inundações, secas e ondas de calor já eram previstas
Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Em 2015, um estudo encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência da República, durante a gestão de Dilma Rousseff (PT) apontou que, em 25 anos, a mudança climática tornaria a vida dos brasileiros pior, devido à exposição a secas violentas, racionamento de energia, enfrentamento de enchentes, elevação do nível do mar e perda expressiva da produção de alimentos. 

O que o “Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas” não previa era que alguns destes impactos seriam sentidos anos antes. Em vez de 2040, vários dos efeitos descritos acima puderam ser sentidos a partir de 2023, com as recorrentes enchentes no Rio Grande do Sul, seca na Amazônia e ondas de calor que afetam as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste mensalmente. 

Considerado alarmista na época, o trabalho servia de base para a definição de políticas públicas de adaptação nas áreas de saúde, recursos hídricos, energia, agricultura e infraestrutura (costeira e de transportes).

No entanto, foi deixado de lado após a reforma ministerial de Dilma, em outubro daquele ano. 

Conclusões

O levantamento apontou que, em todos os cenários, o Brasil de 2040 seria um país mais quente e seco, em que as temperaturas médias nos meses mais quentes poderiam subir até 3°C, enquanto a região Sul já apresentava a tendência de ser mais chuvosa, 

Já no Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste deveriam encarar a redução de chuvas, inutilizando, inclusive, várias hidrelétricas e parques eólicos instalados majoritariamente no Nordeste. 

Na agricultura, as perdas das áreas de cultivo de soja podem chegar a 39%. O feijão, arroz e milho safrinha podem ter redução de área cultivável de 26%, 24% e 28%, respectivamente.

O país deve apresentar perdas também no setor imobiliário. As terras em Pernambuco podem apresentar desvalorização de até 43% do valor atual. No Tocantins, o prejuízo pode chegar a 26%.

As ondas de calor podem afetar ainda a saúde da população, em especial os idosos. O número de óbitos entre idosos, vítimas de doenças respiratórias agravadas pelo aumento da temperatura, pode saltar 9% apenas no Tocantins. 

Relevância

Apesar da importância e do alto custo (o governo federal desembolsou, na época, R$ 3,5 milhões pelo trabalho), o estudo Brasil 2040 não está disponível na internet. 

Mas é possível conferir o resumo executivo abaixo:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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