A água, o duro acaso mineral (por Camões e Drummond)
por Romério Rômulo
O traço controlado do meu corpo
inventa a mão humana enriquecida
na triste solidão das pontes pênseis
Quando o estrume da égua cavalgada
colhe estorvos da terra, a dor da terra
e, em antros, faz sementes consumirem
A água, o duro acaso mineral
o ferro, corte e dor enrijecida
que morre na cilada destas eras.
Quem fosse que soubesse todo o tempo
dos sons cabidos nos ouvidos sãos
e nos ouvidos de muitos, permanentes
Fechassem o antro vivo da memória
que cabe maresias e canhões
de um ser que se bate todo o tempo.
Um tempo de espanto, tão jacente
que a memória de tudo vê ainda
um fio de atávica distância
Onde a vida quebrada remanesce
sobre tudo, num visgo caudaloso
onde o tempo sobrasse em cada canto.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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