10 de junho de 2026

Governo do RS levou meses e milhões para projeto climático; UFRGS o faz em dias

Governo de Eduardo Leite levou mais de 7 meses e R$ 2 milhões para projeto que, se lançado a tempo, poderia minimizar tragédia

Um grande repositório de dados geográficas para o enfrentamento da maior catástrofe ambiental do Rio Grande do Sul foi lançado nesta sexta (10) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Partindo de forma independente dos pesquisadores, um outro projeto milionário do governo estadual de Eduardo Leite (PSDB), com empenho de recursos internacionais e da população gaúcha, deveria estava previsto para ser lançado antes da tragédia e poderia ter auxiliado na prevenção do atual cenário.

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No caso dos pesquisadores da UFRGS, trata-se do primeiro repositório de informações geográficas com níveis de água, mapeamento das áreas afetadas pelas inundações e informações críticas para a tomada de decisões com a maior catástrofe ambiental do Rio Grande do Sul.

Se hoje, a iniciativa dos pesquisadores irá auxiliar na tomada de medidas para a recuperação do Rio Grande do Sul, um projeto anterior, se posto em prática pelo governo estadual a tempo, poderia ter ajudado a prevenir a tragédia.

Trata-se do chamado “Roadmap Climático”, uma das medidas do plano estadual apresentado pelo governador, em 2023, após enchentes já terem gerado estragos no Vale do Taquari. Intitulado “Plano Estratégias para Ações Climáticas ProClima 2050”, o documento previa uma série de atividades para o acompanhamento climático.

Mas tinha como objetivo principal, diretamente, não a prevenção de novas catástrofes, mas a redução de emissões de gases de efeito estufa, para posicionar o Rio Grande do Sul como um dos players mundiais na seleta lista de cidades em desenvolvimento em atuação ambiental.

Ainda em março deste ano, a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) do estado apresentou a plataforma no South Summit Brazil 2024. O projeto foi um dos contemplados no Conselho Consultivo do Future Fund, junto à Under2, e obteve o equivalente a R$ 125 mil de financiamento internacional.

Outros R$ 2 milhões foram colocados, diretamente, pelo governo de Eduardo Leite para o projeto.

Tratava-se do monitoramento da situação geográfica e climática dos 497 municípios gaúchos. Até abril deste ano, a pasta do Meio Ambiente, contudo, não havia conseguido coletar dos municípios os dados necessários para o pronto lançamento.

Reportagem da Um Só Planeta, do Globo, de abril, mostrava que as cidades estava em coleta de informações, tentando entender e se planejar para o projeto que havia se iniciado quase 7 meses antes.

O governo de Leite havia criado comissões municipais para levar adiante a coleta das informações. Mas a primeira reunião, onde se esperava alinhar e recém capacitar os representantes municipais no projeto, ocorreria somente em maio, e, devido à tragédia, não ocorreu.

“Esperamos ter na primeira quinzena de maio a primeira reunião das comissões municipais, quando iremos falar sobre as propostas. Nem isso temos uniformidade, ainda. Muitos municípios tinham secretarias de agricultura, por exemplo, que acabaram virando secretarias do meio ambiente”, explicava a secretária de Meio Ambiente, Marjorie Kauffmann, ao jornal.

Esta seria apenas a primeira etapa da criação do banco de dados regional, com os investimentos milionários. Ainda seria preciso reunir as pesquisas de 10 anos de balanços sobre a situação climática do estado.

Apesar de voltada à redução das emissões de carbono, o software Roadmap Climático contaria com a participação ativa dos municípios, com as informações instantâneas, atualizadas, e de forma interativa, que deveriam ser utilizadas tanto a nível municipal, quanto estadual, para o acompanhamento de riscos ambientais.

É o que expunha a apresentação do projeto, em maio de 2023: “Os
esforços para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas não têm precedentes históricos e muitos aspectos sobre o horizonte temporal e a magnitude das mudanças climáticas em contextos específicos são incertos. Por essas razões, a TCFD vê a análise de cenários como uma entre as diversas importantes ferramentas de planejamento estratégico a serem utilizadas pelas organizações neste planejamento, com o objetivo de ajudá-las a considerar uma gama mais ampla de suposições, incertezas e possíveis estados futuros durante a avaliação das implicações financeiras das mudanças climáticas.” (Acesse o documento aqui)

Em reportagem recente da Agência Pública, ao consultar as ações do governo que poderiam ter evitado a tragédia, o governado de Eduardo Leite informou, em nota, que estava em andamento “a implementação do Roadmap Climático dos municípios, que mapeará as ações relacionadas ao clima em esfera municipal”.

Mas com a tragédia, torna-se inviável a colaboração atual dos municípios para fornecer dados e alimentar o software, que ainda não foi lançado. Já o repositório da UFRGS, em menos de uma semana, os pesquisadores conseguiram materializar uma grande base de informações geográficas e ambientais para assessorar políticas públicas para o enfrentamento da tragédia provocada pelas fortes chuvas no estado.

Leia mais:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    10 de maio de 2024 6:35 pm

    Para combater a tragédia que o neoliberalismo causou no RS, o Banco Central inundará as contas-correntes dos especuladores neoliberais com mais dinheiro público. Eles obviamente NÃO doarão um centavo para as vítimas da calamidade. Greed is not good, here it is God.

    As ações e omissões do governo estadual amplificaram o potencial destrutivo da inundação. Em tese isso permitirá que cada prejudicado (cidadão, comerciante, produtor rural, industrial, etc.) processe o RS para obter indenização por danos materiais e morais. Todavia, dificilmente a Justiça condenará o Estado. O neoliberalismo não apenas condena as pessoas a sofrer, ele suspende a legalidade impedindo que os prejudicados sejam compensados. E na próxima eleição os políticos que hoje não querem ser vistos como culpados pela tragédia gaúcha serão eleitos como se fossem INOCENTES.

  2. evandro condé

    10 de maio de 2024 7:40 pm

    Ante o volume de água, e no curto período que caiu, mais interessante que conjecturas,e discussões políticas bobas, pq não apresentar engenheiros que apresentem quais soluções seriam viáveis para minimizar o ocorrido. Não foi apenas PA.

  3. Carlos Roberto de Souza

    10 de maio de 2024 9:57 pm

    Nada acontece por acaso. Esse governadorzinho de meia pataca, enrolou, enrolou e acabou enterrando um estado inteiro por sua incompetência, burrice ou má fé. O Brasil inteiro vai gastar uma fortuna pra recuperar o estado que foi destruído por culpa de um sujeito.

  4. Zé da obcevassão (j.marcelo)

    11 de maio de 2024 8:10 am

    Se fosse eu faria em 12 horas Obs.:José Marcelo phd em comentários no ggn!!!

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