O fogo do meu olho são segredos
por Romério Rômulo
O que arranco daqui se chama: orgia
O que levo daqui se chama: mares
O fel da minha noite me carpia
O rasgo da manhã são os meus ares
O corpo em contrição é dinastia
Os dedos da emoção são estelares
O antro da missão é minha orgia
O astro da canção são estes mares
O vinho que abate e corroía
Tem o sabor dormido dos lugares.
Entendo, dor do amor, que me roía
Eu deixo tudo. Entrego meus olhares.
O fogo do meu olho, uns torpedos
As drogas que eu como, só esgares
As drogas que eu bebo, os degredos
O travo em dicção, estes lugares.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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