17 de junho de 2026

Apesar de alertas de enchentes, Eduardo Leite tinha agenda fiscal como prioridade no RS

Governador nega que alterações no código ambiental tenham relação com a inundação: "é absurdamente equivocada, para dizer o mínimo"
Crédito: Agência Brasil

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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite  (PSDB) deu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo em que reconhece que, apesar dos alertas e estudos de que haveria a elevação do nível dos rios e, consequentemente, grandes enchentes no estado, a prioridade do governo estadual gaúcho era a questão fiscal.

“Bom, você tem esses estudos, eles de alguma forma alertam, mas o governo também vive outras pautas e agendas. A gente entra aqui no governo e o estado estava sem conseguir pagar salário, sem conseguir pagar hospitais, sem conseguir pagar os municípios. A agenda que se impunha ao estado era aquela especialmente aquela vinculada ao restabelecimento da capacidade fiscal do estado para poder trabalhar nas pautas básicas de prestação de serviços à sociedade gaúcha”, disse o governador quando questionado se o governo se preparou mal para enfrentar as possíveis inundações.

Ainda sobre os alertas, Leite justificou que “muitos alertas foram feitos e não se consumaram” e que, por isso, o poder público tem de se estruturar para “tentar depurar o que é crítico.“

Vale lembrar, no entanto, que apenas no segundo semestre do ano passado, o estado enfrentou três enchente, que causaram prejuízos dos quais muitos cidadãos não tinham se recuperado ainda.

Código ambiental

Outra hipótese refutada pelo chefe do Executivo do Rio Grande do Sul é a de que as 480 mudanças nas normas ambientais têm relação com a tragédia enfrentada pelos gaúchos desde o final de abril, até porque esta relação “é absurdamente equivocada, para dizer o mínimo”. 

“Mas também simplesmente burocratizar e dificultar licenças não é proteger o meio ambiente. Acabaram com a legislação ambiental? Não, aprimoramos, modernizamos, ajustamos e até endurecemos em muitos pontos”, emendou o governador.

Protagonismo

Até o momento, o Rio Grande do Sul soma 157 vítimas fatais das enchentes, além de 2 milhões de atingidos e quase 645 mil desalojados. Mas a tragédia não parece tirar o sono do governante.

“Temos que dormir até para estar com a cabeça boa para cumprir toda a missão. Nos primeiros dias, foi mais difícil porque era o momento crítico de resgate, de apoio aos municípios. Estamos assim desde 29 de abril. Foram noites muito intensas, então nas primeiras noites era celular ligado o tempo todo. Nesses últimos dias, consigo ter um pouco mais de organização. É importante para ter a cabeça com capacidade de raciocinar e atuar sobre as diversas questões mais críticas, que agora são permitir abrigo adequado para as pessoas”, afirma Leite. 

O que parece tirar mesmo o sono do governador é um eventual protagonismo do governo federal. Ao longo do questionamento, Leite ressaltou diversas vezes que o protagonismo deve ser estadual.

“A questão política em todo esse processo é o que mais me preocupa desde o início dele [referindo-se ao processo de reconstrução do estado].”

“Naturalmente, o governo do estado tem um protagonismo que não é por vaidade ou interesse pessoal do governador, é pelo que o voto popular conferiu. Nós somos uma federação, e uma federação composta por estados onde existem governos constituídos pelo voto popular para liderar um processo, não para mandar simplesmente. Não é para ser do jeito que eu quero, porque eu ganhei uma eleição, é para liderar o processo reunindo as forças da sociedade.”

“Por uma decisão que a sociedade tomou, pelo voto popular. Então, o que o ministério que o presidente Lula criou tem no nome, e entendo deva ser o que orienta a sua ação: é uma secretaria extraordinária para apoio à reconstrução. Todo apoio é bem-vindo.”  

Como de praxe, o governador não perdeu a oportunidade de criticar, de forma velada, a atuação do Planalto.

“A gente já estava com esse processo de contratação, justamente observando as dificuldades, via Minha Casa Minha Vida, de viabilizar as moradias. Quando você tem recurso federal, tem que apresentar o plano de trabalho, estudos, dados e projetos. Sábado [dia 18] eu conversava com os prefeitos do Vale do Taquari e era a reclamação deles, a demora de conseguir atender toda a burocracia que existe nos recursos via ministério, com a Caixa Econômica Federal”, alfinetou o governador, quando questionado sobre as novas residências para os cidadãos que estão em abrigos.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    21 de maio de 2024 8:05 am

    A omissão do governador foi criminosa. Não menos criminosa foi a omissão do MP gaúcho que deixou de cumprir sua missão constitucional (art. 129, II e III, da CF/88). A farra administrativa neoliberal pró-mercado mata e causa prejuízo, mas ninguém quer ser responsabilizado.

  2. Rui Ribeiro

    21 de maio de 2024 8:53 am

    O $ilas Malafraia é tão pilantra quanto esse gonvernador.

    “O $ilas Malafaia, por meio da Associação Vitória em Cristo (Avec), conseguiu centenas de toneladas de alimentos, além de colchões e produtos de higiene para o estado atingido por fortes chuvas que impactaram mais de 2 milhões de cidadãos.

    A entidade enviou mais de 30 carretas para o Rio Grande do Sul, na última semana, como parte um trabalho social que vai ajudar milhares de pessoas. Por isso, o pastor mostrou algumas das doações sendo recebidas e o agradecimento de um voluntário que estava preparando alimentos para centenas de pessoas que perderam suas casas.”

    Depois de tanto esforço e sacrifício do $ilas Malafaia para ajudar as vítimas da tragédia climática no RS, na hora em que o $ilas tava prestando contas para a população da sua generosidade, o gonvernador do Rio Grande do $ul disse que as doações estavam impactando negativamente o comércio local. O Eduardo Leite reduziu a pó as doações do $ilas e ele não perdoou a trapalhada do Eduardo Leite, já que este quer impedí-lo de alimentar os famintos:

    “Isso só pode ser brincadeira. Vai impactar o comércio local com o grande volume de material que está chegando. É isso mesmo, governador? Tem cidades inteiras destruídas. São centenas e centenas de milhares de gaúchos [atingidos]. Vamos deixar o povo passar fome por causa do comércio local? (…) Calar a boca desse governador cretino, desgraçado e inescrupuloso”.

  3. Rui Ribeiro

    21 de maio de 2024 1:02 pm

    “Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que, a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” (Mateus 6,3-4).
    $ilas Malafaia, não precisava o $enhor mostrar as doações sendo recebidas nem o agradecimento de voluntários. Sabemos que o $enhor não vai deixar o povo gaúcho morrer de fome, mas não precisa se auto-promover. Tá?

  4. Jicxjo

    27 de maio de 2024 3:18 pm

    “Economizou” 3 bilhões, sob aplausos dos abutres de sempre, para agora pedir dez vezes mais ao governo federal para consertar os estragos. É mesmo um jestor jenial! E ainda tem a empáfia de exigir que o dinheiro seja repassado sem carimbo e sem “burocracia”, que Lula pague a conta mas fique escondidinho em Brasília. Cadê os valentes separatistas gaúchos nesta hora? Não deveria a reconstrução ser financiada então pelos impostos locais, de forma independente, autônoma como deve ser uma federação? Ou a União só é boa para socializar os prejuízos?

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