10 de junho de 2026

Cidades têm de começar a migrar, mesmo que devagar, indica doutor em ciências

Marcelo Dutra diz ao GGN que acredita que a crise climática servirá de aprendizado, especialmente nos quesitos prevenção e adaptação
Crédito: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini/ Agência Brasil

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O convidado do programa TVGGN 20H da última segunda-feira (13) contou com a participação de Marcelo Dutra, doutor em ciências e professor de Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), para comentar as alternativas para a reconstrução do Rio Grande do Sul, estado destruído pelas chuvas torrenciais desde o fim de abril. 

Ao longo da entrevista, Dutra foi assertivo: não é possível continuar pensando nas cidades com a lógica atual. “Não importa se é Rio Grande do Sul, não importa se é Brasil. Qualquer lugar do planeta está agora sujeito a experimentar cada vez mais eventos que são absolutamente incontroláveis e para os quais nós não estamos preparados.”

Otimista, o doutor em ciências acredita que a atual crise climática servirá de aprendizado para a população e governantes, especialmente nos quesitos prevenção e adaptação.  

“Tenho dito que algumas cidades, especialmente as que estão encaixadas no Vale do Taquari, que estão muito expostas e muito sujeitas à invasão de uma água que anda em alta velocidade, que essas cidades têm de começar a migrar, mesmo que devagar, mas um processo de migração para cotas mais seguras e afastadas do corpo hídrico, devolvendo para a natureza boa parte daquilo que foi tomado e que agora está sendo reivindicado”, afirma.

Contexto

Não é de hoje que Marcelo Dutra fala sobre mudanças climáticas. Morador de Pelotas, ele observa que o contexto da crise é praticamente igual para todos os municípios da costa doce. “Isso significa ocupar terrenos baixos, planos e úmidos e muito próximos dos corpos hídricos sem nenhum cuidado com as eventuais mudanças que podem nos levar a cursos de inundação consequentes de eventos climáticos extremos.”

O doutor observa que, em geral, as pessoas buscam morar em regiões de corpos hídricos pela “beleza cênica que esses lugares proporcionam”, sem considerar o perigo que a natureza representa quando a situação sai de controle. 

“O que a ciência diz: as mudanças climáticas não são obras do acaso, não é uma invenção, não faz parte de uma conspiração global. Os dados revelam que nos últimos 10, 50, 60 anos a gente pode navegar no tempo e vai encontrar, quanto mais distante a gente anda, uma diferença muito grande do antes para o agora”, continua o especialista.

A partir de estudos e indicadores, a nova realidade global é de verões mais intensos, invernos menos frios e um regime de grandes precipitações em curto espaço de tempo – cenário que pode ser ainda pior quando há a influência de outros fenômenos naturais, como o El Niño e a La Niña. 

Confira a entrevista completa no canal da TVGGN:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Marcelopontodaubercervasãojota

    14 de maio de 2024 9:46 am

    O Pais é meu,o dinheiro é meu não vou dar aos irresponsáveis e muleques q deixaram a catástrofe acontecer pois enxergaram só o lucro de meia dúzia sem se importar com as consequências e não quoseram fazer o minimo do minimo sem mais obg equipe ggn por me aturar

  2. Mucio Figueiredo

    14 de maio de 2024 1:38 pm

    Um especialista dos EUA, mais experiente em reconstrução pós-desastres, Prof. Emérito da Universidade do Illinois, diz algo diferente: https://www.dw.com/pt-br/recupera%C3%A7%C3%A3o-ap%C3%B3s-um-desastre-%C3%A9-complexa-e-demora-muito/a-69057915

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