Do Blue Bus
Vazado pelo Buzz Feed, relatório interno elaborado pelo NYT não oferece uma visão de futuro animadora para os impressos que ainda patinam no digital em todo o mundo.
O relatório identifica várias áreas em que o proprio Times deveria modernizar sua visao de mundo. A “competição” seria uma. Nos últimos anos, o velho jornalão tem concentrado o seu fogo em Rupert Murdoch – que levou o WSJ para Nova Iorque para disputar uma guerra quarteirão a quarteirão com o rival. Mas só que agora o Times tem os jovens nos calcanhares. Numa incômoda disputa adicional tem que lidar com uma frente múltipla – o BuzzFeed, o Huffington Post, o Business Insider, Quartz, todos digitalmente “nativos”.
O relatório observa que às vezes até mesmo os comentários digitais sobre as matérias do jornalão tem ganho mais audiência que os proprios textos originais (!) E também inclui uma observação aguda – Acredita que os editores terão que começar a resistir à força gravitacional da ediçao impressa – “Eles passam horas todos os dias a discutir o que colocar na 1a página do jornal, com muito menos discussao sobre a distribuiçao digital”. E anota que quase 60% das pessoas hoje lêem materias em smartphones e tablets – e muitas vezes recebem esse conteudo via Twitter, Facebook, motores de busca e apps. Isso significa que cada vez menos encontram o pacote completo de leitura que os editores se deram ao traalho de reunir… Finalmente, esgrima 1 número radical – O tráfego para home-page do Times caiu pela metade desde o pico em 2011 (!)
Orlando
25 de maio de 2014 3:58 pmA informação na internet, ainda, é precária e difusa
Perde-se muito mais tempo, na internet, a se encontrar “notícias” confiáveis. A rapidez dos blogs, por vezes, não digere a informação e, aqui e ali, se compra gato por lebre. Quanta gente já foi morta de manhã e ressucitada à tarde por blogs com incontinência “informativa”.
Com o fim, provável, dos jornais impressos, com certeza, se perderá em qualidade e conteúdo de informação. E nisso, ganha o vale tudo da internet/blogs e afins. E, depois, como farão os blogs se boa parte de seus textos informativos veem da mídia impressa?
Athos
25 de maio de 2014 4:49 pmOs Jornais perderam.
Não
Os Jornais perderam.
Não percebem que o espaço é mais importante que a notícia.
O espaço para debates e idéias.
O tempo de notícias goela abaixo acabou.
Agora o jornalista tem que escrever o texto e depois Tem que ler o que seus leitores pensam do assunto.
Os comentários são o diferencial destes sites.
anarquista sério
25 de maio de 2014 5:14 pmPra ajudar a explicar ou
Pra ajudar a explicar ou até complicar mais:
ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
A redação invisível
O velho comandante ainda tem gás e ideias, mas já não trabalha no cargo mais prestigioso do jornalismo
Desenrosca a tampa, abre a garrafa, dá um microgole, põe a garrafa de volta, abre de novo, bebe mais um pouco, troca alguns papéis de lugar, senta-se na ponta da cadeira inclinado para a frente, mexe as pernas, soca a mesa quando quer enfatizar um ponto.
Não há dúvida: estamos diante de um homem elétrico. Fala com autoridade, é absurdamente articulado. Incluiu citações eruditas em meio à conversa mais informal –ao contar uma história que envolve o hospital Saint Vincent’s, de Nova York, faz questão de mencionar que ali morreu Dylan Thomas, e cita as últimas palavras do poeta: “Quinze uísques; acho que foi meu recorde”.
Está de calça cáqui e camisa azul-clara “buttoned-down”. Não usa terno nem gravata. Os cabelos brancos ondulados estão mais raros e curtos do que quando ele era famoso; ganharam um tom amarelo, penteados para a frente ao estilo do Frank Sinatra dos últimos dias.
As imagens que descrevo são de um vídeo perdido nas franjas do YouTube (is.gd/5N8BUg), na chamada cauda longa da web –aquela dos nichos mais obscuros. Pouco mais de 370 visualizações, quase nada.
O homem é jornalista, um dos grandes. Tem 71 anos, aparenta menos. Seu nome é Howell Raines. Por 21 meses, exerceu o que talvez seja o cargo mais prestigioso do jornalismo mundial: editor-executivo do “New York Times”.
Pouca gente se lembra de Raines. Eu me lembro e sou fã. O que, imagino, equivale a ser fã de Serge Gainsbourg, Marlon Brando ou F. Scott Fitzgerald: admira-se o talento, e dá-se graças aos céus por não ter convivido com a pessoa.
Chamado de “o último dos editores de raio e trovão”, Raines passou como uma divisão Panzer pela Redação do “New York Times”. Durou na liderança de setembro de 2001 a junho de 2003. Era o início da era da internet. Com surpresa, o jornal constatava que seu site atraía um grande público internacional. Precisava rejuvenescer e olhar para além dos limites nova-iorquinos.
Raines detectou no “NYT” uma cultura de acomodação e pouca meritocracia. Começou a promover jovens profissionais, estimulou a competição em um ambiente que ele considerava letárgico. Mas entre os jornalistas iniciantes que começaram a brilhar havia uma figura sombria chamada Jayson Blair.
Um dos favoritos da nova liderança, conseguia “informações” que mais ninguém obtinha –claro, era tudo mentira. Plagiava, inventava reportagens. Quando Blair foi finalmente apanhado, Raines criou uma comissão independente para investigar. E, numa decisão que viria a custar-lhe o cargo, mandou publicar no jornal tudo o que esse grupo apurasse.
Aos olhos da opinião pública, da própria Redação e, em última análise, do dono do jornal, as falsificações de Blair não pareciam resultado unicamente de uma mente doentia. O clima de competição feroz instaurado por Howell Raines teria, segundo essa visão dominante, criado um caldo de cultura para que tipos como Blair prosperassem.
Como leitor (eu vivia nos EUA na época e assinava a edição impressa do “New York Times”), considero marcante o impacto da gestão de Raines. A primeira página ganhou vigor, a cobertura de cultura ficou muito mais ágil e moderna, e grandes colunistas que andavam escondidos, como Frank Rich, retomaram a merecida projeção.
Mesmo com tantos feitos (incluindo comandar a Redação na cobertura do 11 de Setembro, seis dias depois de tomar posse), Howell Raines se tornou um nome de rodapé na história do jornalismo. Só voltou à lembrança porque, semana passada, foi demitido mais um editor-executivo do “NYT” –Jill Abramson, a primeira mulher a ocupar o posto, no qual durou 32 meses.
Quando o nome de Howell Raines vem à tona, é sempre associado ao caso Jayson Blair.
Como nesse vídeo que vi no YouTube, gravado em 2013, em que ele ainda se expressa com a postura e a firmeza de quem tem uma equipe de jornalistas sob sua chefia. Só que quem está diante dele são apenas jovens estudantes da Universidade da Flórida. É uma palestra. O velho comandante lidera uma Redação que não existe mais.
alcarpinteiro
25 de maio de 2014 7:30 pmNossos jornalões estão à
Nossos jornalões estão à porta da UTI, viverão lá, mas não morrerão. Serão sombras do que foram um dia. O Globo receberá uma pensão vitalícia da rede globo, a folha terá um plano de aposentadoria do UOL e o Estadão viverá com uma bolsa jornal dos bancos credores. Eles são politicamente úteis, por isso viverão, mas terão o poder de influência de um atual JB. A veja fechará mesmo, pois a Abril não vai poder pagar a conta do asilo.
E o Merval? o que ocorrerá a ele? ele escreverá um livro de memórias, intitulado O Brasil segundo Merval, e viverá de tertúlias vespertinas na sede da ABL. Recordará com prazer de quando ele pautava o STF, enquanto o STF tentará esquecer esta nódoa em sua história.
É isso
26 de maio de 2014 1:51 amHoje eu nem compro mais
Hoje eu nem compro mais jornal, tenho centenas de bloqueiros que oferecem o mesmo de graça, mas tá na hora de começar mudar isso, são bilhões que estão deixando de faturar.
João H. Priesnitz
26 de maio de 2014 3:43 amPra quem não entendeu o que acontece…
….basta pensar neste portal do Nassif…
Eu tenho 37 anos, moro em Itapema/SC, trabalho na área de Seguros, sou acadêmico de Economia pela Ufsc e acompanho este projeto desde seu início. Assim como tbm acompanho o Nassif desde as inserções “Dinheiro Vivo”, no jornal da Cultura.
Acho isso aqui MARAVILHOSO. Além de me informar, APRENDO aqui. E de maneira tão boa ou quiçá melhor até do que em um jornal impresso.
Isso aqui é plural, dinâmico, horizontal, democrático, multimeios, popular etc..etc..etc..
E imagina, nestes anos todos, a riqueza monumental de informações e dados já compilados/reunidos, inclusive e principalmente pela sua natureza orgânica de participação via comentários e posts!
E pra quem também pensa que uma possível diminuição drástica no número de impressos diminuirá a qualidade dos possíveis novos veículos que surgiram e que ainda serão criados, por favor… Notem, para falar apenas deste exemplo novamente, e me repito: as fontes aqui são múltiplas (e sempre serão, em e para rodos os meios!), e duvido que os impressos são as “melhores”…