5 de junho de 2026

“Em vez da vida, deputados estão preocupados com os próprios interesses”, diz militante sobre PL do Aborto

Para combater os retrocessos propostos pelos fundamentalistas, integrante do Coletivo Juntas! ressalta o papel dos movimentos sociais
Crédito: Paulo Pinto/ Agência Brasil

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Um dos principais temas da semana foi a votação do projeto de lei 1.904/24, que equipara o aborto de gestação acima de 22 semanas ao homicídio, aprovado em regime de urgência para ser votado na Camara dos Deputados na última semana. 

Desde então, a temática tem movimentado a internet e os movimentos sociais, que ganharam as ruas para reivindicar contra a medida, sob o lema de que “criança não é mãe”. 

Para debater a questão, o jornalista recebeu a militante do Coletivo Juntas! e da Frente Estadual pela Legalização do Aborto Ana Luiza Trancoso, para falar sobre os próximos passos do movimento para pressionar os parlamentares e governos a agirem contra o PL. 

“É um retrocesso gigantesco, pois é um ataque aos direitos já conquistados. Desde 1940, o Código Penal deixa quais são os casos de aborto legal e isso a gente tem sempre tentado avançar na pauta. Agora a bancada fundamentalista quer retroagir absurdamente”, resumiu Ana Luiza.

A entrevistada chamou a atenção ainda para a aprovação “de maneira grotesca” feita pelos deputados: em apenas 23 segundos, os parlamentares aprovaram a urgência para que o PL entrasse na pauta da Câmara na última quarta-feira (12). 

Porém, a medida causou uma mobilização espontânea nas redes sociais, com a qual foi possível organizar a primeira manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, logo no dia seguinte. “Isso mostra o calor que é fundamental para a gente aproveitar e, de fato, ir para as ruas, porque a gente sabe o que está em jogo”, acrescenta a militante. 

Além da causa

Para Ana Luiza, engana-se quem pensa que os deputados favoráveis ao PL estão “preocupados com a vida”. O que os move, na verdade, são os próprios interesses, especialmente o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que almeja garantir o seu sucessor em janeiro de 2025. 

“Os fundamentalistas se pegam nas pautas morais para tentar conseguir captar o apoio da população, mas não têm condições de manter isso a longo prazo”, pontua a militante.

Os membros do Legislativo federal costumam achar ainda que a população vai seguir acreditando no discurso demagogo que eles apresentam. Por isso, para a entrevistada, este é o momento de os movimentos sociais tomarem as ruas, a fim de colocar o debate na mídia e tentar mudar a consciência coletiva da população. 

Ana Luiza ressalta, ainda, a importância do trabalho de coletivos compostos por mulheres religiosas, em especial as católicas e evangélicas, que fazem um trabalho longínquo de legalização do corpo e do aborto.  

Confira a entrevista na íntegra no canal da TVGGN:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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