Pelo menos 70 partidos, políticos, movimentos e entidades se unem ao Movimento BDS Internacional (Boicote, Desinvestimento e Sanções) em uma campanha pelo “embargo militar a Israel”, lançada nesta quarta-feira (26). Na prática, o movimento pede ao Estado brasileiro o fim imediato de todos os acordos no âmbito da Defesa e Segurança e das licenças de exportação e importação de equipamento militar mantidos com os israelenses, em meio a guerra a Gaza.
A ação tem como plano de fundo a retomada de um contrato do Brasil com a empresa israelense Elbit Systems para aquisição de 36 viaturas blindadas de obuseiros 155 mm1. “O valor do contrato pode alcançar quase 1 bilhão de reais. O presidente teria avalizado a compra dos veículos blindados de Israel, a despeito da oposição de setores do PT e do governo a ela. Isso é temerário pois a Elbit é uma das principais fornecedoras de equipamento militar para as Forças de Defesa de Israel e tem expandido os seus lucros com o aumento das exportações desde o início da guerra em Gaza”, diz nota do movimento.
De acordo com a campanha esses contratos “podem ser utilizados na prática ou na facilitação de violações graves do Direito Internacional Humanitário e dos Direitos Humanos, incluindo crimes de guerra e genocídio na Faixa de Gaza e Cisjordânia”.
Os representantes ressaltam ainda o Brasil precisa ir além dos discursos simbólicos sobre atuação militar de Israel em Gaza, que já dizimou mais de 37 mil palestinos. “O Brasil tem a oportunidade de ir além das palavras e dar passos concretos para pressionar Israel a acabar com o genocídio em Gaza e desmantelar o seu regime de Apartheid. Esperamos que o Estado Brasileiro cumpra suas obrigações internacionais”, destaca o texto.
Nesse sentido, as lideranças do Psol, do PCdoB e outros mandatos de esquerda se reuniram a outros atores na Câmara dos Deputados, no último dia 11, para discutir formas de construir o embargo militar a Israel. Na prática, foram listados quatro objetivos. Confira:
1. Decretar embargo militar amplo, encerrando imediatamente todas as transações comerciais com empresas israelenses e suas subsidiárias para a compra ou venda de armas, munições e outros equipamentos militares; além de softwares e tecnologias ligadas ao setor de segurança; Denúncia, no âmbito internacional, dos acordos de cooperação militar (Projeto de Decreto Legislativo 228/2021) e de segurança (Projeto de Decreto Legislativo 554/2021) assinados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro;
2. A revogação da licitação do projeto VBC OAP 155 mm SR (Viatura Blindada de Combate Obuseiro Autopropulsado 155mm Sobre Rodas), da qual a empresa Elbit Systems, maior empresa de tecnologia militar do Estado israelense, foi classificada como ganhadora. É obrigação do Estado brasileiro eliminar a empresa Elbit Systems e suas subsidiárias de todos os processos licitatórios em curso por participação em crimes de guerra e genocídio;
3. O cancelamento do contrato com a Israel Aerospace Industries (IAI), que pode chegar a R$86 milhões de reais, para manutenção de drones via presumida inexigibilidade de licitação.
4. Embargo à exportação e de petróleo para Israel, sendo o Brasil um dos dos principais fornecedores, literalmente abastecendo os jatos, e os tanques e ataques genocidas
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