Dois inquéritos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro devem ser entregues pela cúpula da Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal nos próximos dias, ou no máximo, até a semana que vem.
Trata-se das investigações que miram Bolsonaro sobre a falsificação dos cartões de vacina – para supostamente viajar aos Estados Unidos e acompanhar o desfecho da marcha golpista contra o País à distância – como da venda das joias pertencentes à República, realizadas no exterior.
A informação é da jornalista Daniela Lima, no G1, que também publicou sobre a expectativa da PF de conseguir finalizar ambos os relatórios até sexta-feira (28).
Abaixo, você confere uma síntese do GGN a respeito do que aflige o ex-mandatário.
A venda das joias: o dinheiro e as peças em mãos de Bolsonaro
No que tange à investigação sobre a venda das joias no exterior, as informações mais recentes mostram que a delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, aponta para um envolvimento direto do ex-presidente, fator determinante para as considerações finais do inquérito.
À PF, Cid delatou que chegou a entregar a Bolsonaro, em espécie, uma fração do dinheiro da venda das joias. A movimentação, que diz respeito a um relógio vendido pelo próprio Mauro Cid em 2022, ocorreu durante viagem oficial a Nova York, para discursar na Assembleia Geral da ONU, de acordo com o jornalista Igor Gadelha.
O valor, segundo Cid, foi de US$ 68 mil, e depositado na conta do pai, o general da reserva do Exército Mauro Lourena Cid, que na época comandava o escritório da Agência Brasileira de Promoção e Exportações e Investimentos (Apex), em Miami.
Ao sacar de forma parcelada o valor devido ao baixo limite dos caixas eletrônicos, Lourena Cid viajou para Nova York para entregar o dinheiro ao filho, que repassou ao ex-presidente. Já a outra parte teria sido entregue pelo ajudante de ordens do Planalto, Osmar Crivelatti, em Orlando. Isso já em 2023, onde Bolsonaro se refugiou para não entregar o governo ao presidente Lula.
Ainda sobre as joias, de acordo com as investigações em cooperação com os EUA, provas em posse da PF indicam que Bolsonaro não só sabia, como autorizou a venda de presentes oficiais, segundo a jornalista Bela Megale.
Imagens inéditas e entrevistas” confirmam detalhes sobre a venda e recompra ilegais do chamado “kit ouro branco”, um conjunto de joias cravejadas de diamantes recebido por Bolsonaro durante visita oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019.
Ainda de acordo com a Operação Lucas 12:2, deflagrada pela PF em julho de 2023 fazendo referência a um versículo da Bíblia sobre jogar luz àquilo que está escondido, deve-se lembrar que, quando o caso veio a público, o grupo deu um jeito de reaver as joias vendidas nos EUA, usando o advogado dos Bolsonaro, Frederick Wassef, como possível recomprador de um dos relógios de luxo – um Rolex.
Mauro Cid chegou a vender dois relógios de luxo — incluindo um Rolex que teria sido recuperado por Wassef — por 346 mil reais à loja Precision Watches, na Pensilvânia. O valor foi depositado na conta de seu pai. Posteriormente, Mauro Cid tentou vender o restante do conjunto, que incluía abotoaduras, um rosário islâmico e um anel de luxo, em Miami.
Outro conjunto de joias recebido por Bolsonaro, através do ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, foi levado a leilão online por uma loja em Manhattan, mas não foi vendido.
Falsificação dos cartões de vacinação e a estratégia por detrás
Em meio às manobras frustradas do tenente-coronel Mauro Cid para tentar falsificar os cartões de vacinação, a PF constatou que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro só conseguiu realizar a inserção dos dados falsos no ConecteSUS após o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros ser acionado.
O procedimento foi então realizado no município de Duque de Caxias e o registro falso, para a PF, foi feito pelo secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos Brecha, que disse que não conhecia Ailton, mas constatou-se nas investigações que o login no sistema foi feito em seu computador.
Primeiro, a falsificação foi feita para Gabriela Cid, as três filhas de Mauro Cid e depois, para Jair Bolsonaro e Laura, sua filha. Outros aliados do ex-presidente também usufruíram do esquema de falsificação, como Max Guilherme Machado de Moura e Sergio Rocha Cordeiro, e o deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ).
Ao todo, Bolsonaro e outras 16 pessoas foram indiciadas em março por associação criminosa e inserção de dados falsos no sistema do Ministério da Saúde.
O esquema também foi confirmado em delação por Mauro Cid, solto em maio por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
A falsificação dos cartões de vacina, pelas conclusões da PF, pode ter sido utilizada pelo grupo para acompanhar o desfecho da marcha golpista contra a sede dos Três Poderes, em Brasília, a partir de outro País.
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