5 de junho de 2026

O lítio e os bastidores da tentativa de golpe na Bolívia

Desde a gestão de Evo Morales, os recursos naturais bolivianos não estão mais nas mãos das grandes multinacionais
Crédito: Agência Boliviana de Informações

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Um dos principais assuntos da semana foi a tentativa de golpe de Estado do ex-chefe do Exército boliviano, general Juan José Zúñiga, e outros dois ex-comandantes na última quarta-feira (26).

E para comentar o assunto, o programa TVGGN 20H da última sexta-feira (28) recebeu Amauri Chamorro, consultor e analista internacional, que associou a tentativa de golpe de Estado ao fato de a Bolívia ser a maior reserva de lítio do planeta. 

“É o mineral essencial para o desenvolvimento das telecomunicações e, principalmente, da economia verde. A economia verde se sustenta no lítio praticamente, pois é o material para desenvolver as baterias dos carros elétricos, por exemplo”, observa o analista. 

Chamorro explica ainda que, desde 20067, com a chegada do ex-presidente Evo Morales ao poder, os recursos naturais bolivianos não estão mais nas mãos das grandes multinacionais europeias e estadunidenses. “Então, agora se tem realmente o controle do país, só que esse golpe de Estado foi meio fajuto, meio estranho.”

Entenda o caso

Na última semana, Zúñiga e tropas do Exército tomaram a Praça Murillo e tentaram “tomar” o Palácio Quemado e a Casa Grande del Pueblo. O ex-comandante do Exército chegou a ficar frente a frente com o presidente Luis Arce, a quem não obedeceu quando ordenado. 

Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o presidente Arce dirigindo-se ao general Zúñiga e exigindo a retirada imediata das tropas.

“Eu sou seu capitão, volte com toda a Polícia Militar para o seu quartel agora mesmo. General, não vamos permitir o que você está fazendo contra o povo boliviano”, declarou Arce.

O ex-comandante do Exército foi preso na mesma noite de quarta-feira. Ao ser detido, afirmou à imprensa que obedeceu a uma ordem de Arce – embora tenha admitido mais tarde que organizou um “levantamento” para “tomar o poder e convocar eleições”.

Sustentação

“Na verdade, não tinha uma sustentação já dentro do governo. Ele [general Zúñiga] ia ser demitido. Ele já sabia que ia ser demitido, em uma entrevista, em um determinado momento, ele fala que ia prender o ex-presidente Evo Morales caso ele seguisse com a tentativa de ser candidato a presidente. Quem pode definir quem pode ou não decidir se ele vai ser candidato a presidente é ele e a justiça boliviana, não um general do exército”, continua Chamorro. 

O analista comenta ainda que o atual presidente boliviano foi ex-ministro da Fazenda de Evo Morales durante 10 anos, sendo o único que não foi trocado neste período. 

Luis Arce também é uma referência em gestão de recursos naturais e como usar os royalties no fortalecimento da economia. 

Ao longo da entrevista, o consultor aborda a participação da embaixada dos Estados Unidos na tentativa de golpe, não só na Bolívia, mas em todo o continente. “O capitalismo mundial se sustenta com os recursos naturais da América Latina”, conclui.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
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  1. DOUGLAS BARRETO DA MATA

    30 de junho de 2024 5:12 pm

    Bem, eu me recordo de ter falado isso nas postagens da página sobre o golpe.

    Senão me engano, o texto falava em uma suposta conexão com os Bolsonaro, ao que eu retruquei
    “É o lítio, estúpidos.”

    É assim que reage o capitalismo “democrático” quando contrariado.

    Democracia no capitalismo é o direito que temos de escolher cumprir as ordens do capital.

    Eu fico pasmo quando figuras admiráveis publicam loas e loas às possibilidades de “desenvolvimento”, “planos”, “pactos nacionais”, e etc.

    (Risos).

    Quanto desperdício de energia.

    Se a América do Sul não se fechar .um bloco coeso e politicamente fechado, com um projeto militar estratégico, desprezando rivalidades, com uso de força nuclear, e com transformação das assimetrias de desenvolvimento entre os países em chances de crescimento, inclusive com nacionalização das empresas e fundos estadunidenses e europeus, esqueçam.

    Mas para isso é preciso coragem, né?

    E no Brasil, o maior país desse bloco, é artigo em falta desde 1500.

    1. Roberto C Silva

      30 de junho de 2024 11:23 pm

      Há um erro no meu comentário, quis dizer, eu acho e também Eco Morales.

  2. evandro condé

    30 de junho de 2024 6:41 pm

    Enquanto isso o Evo está falando em auto golpe. Se eles não se entendem, como entender?

  3. Roberto C Silva

    30 de junho de 2024 11:19 pm

    Até chegar 2067, Acho que Eco Morales não existe mais, a matéria cometeu um erro com relação a data, em que Eco Morales assumiu o poder.

  4. ZE SERGIO

    1 de julho de 2024 10:27 am

    O PROBLEMA NÃO É APENAS QUE NAÇÃO POTÊNCIA CONTINENTAL ESTÁ NAS FRONTEIRAS DA BOLIVIA, O PROBLEMA É QUE TODO ESTE LÍTIO SAIRÁ DA BOLIVIA POR ONDE. E GIGANTE NAÇÃO DO HEMISFÉRIO SUL PERMITE QUE TAIS RIQUEZAS NÃO FAÇAM A EVOLUÇÃO E PROSPERIDADE DO BRASIL, DA BOLIVIA, DE TODA AMÉRICA LATINA!! MEDIOCRIDADE QUASE SECULAR DO ANÃO DIPLOMÁTICO, VIRALATAS, QUINTAL DOS OUTROS. POBRE PAÍS RICO.

  5. Fábio Lau

    1 de julho de 2024 12:52 pm

    Você quis dizer desde 2007, certo?

  6. Rui Ribeiro

    1 de julho de 2024 2:29 pm

    “Daremos golpe onde quisermos”, diz Musk após insinuações sobre a Bolívia
    O bilionário da Tesla (Elon Musk) reage a seguidor no Twitter sobre suposto apoio à derrubada de Evo Morales para garantir o suprimento de lítio para carros elétricos

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