Por Pereira LF
John Reed (1887/1920) foi um jornalista e ativista político americano que acompanhou os grandes eventos da época: revolução mexicana de Pancho Villa, movimento operário nos EUA, guerra dos Balcãs e primeira guerra mundial. Seu livro “Os dez dias que abalaram o mundo” é o mais famoso relato da Revolução Russa de 1917. Suas reportagens primavam pela informação detalhada e indiscutível qualidade literária.
Formado em Havard, foi membro do Partido Socialista dos EUA e contribuiu na criação do Partido Comunista dos Trabalhadores. Idealista, aventureiro, morreu de tifo em 1920 na Rússia. Seu corpo permanece sepultado no muro da Necrópole de Moscou como homenagem e gratidão ao repórter que divulgou a epopéia ao mundo.
De outro livro, “A guerra dos Bálcãs”, editado pela Conrad em 2002, destaco um trecho da página 190 que “tem tudo a ver” com o Brasil. Nada muito importante ou edificante, mas curioso, interessante. Vejam. Leiam.
“A propina na Rússia existe numa escala tão naturalmente ampla que se torna algo quase grotesco. Durante a Guerra do Japão (nota: 1904/1905, contra a Rússia, pela posse da Coréia e Manchúria, quando o Japão impôs uma derrota humilhante ao Czar) o governo francês enviou cinquenta baterias de armamentos calibre .75 para o exército russo. Sua passagem pela fronteira foi registrada, mas por estranho que pareça, elas nunca chegaram oficialmente à Rússia. Seis meses depois, um militar francês no Brasil comunicou ao seu governo a presença de diversas peças Creusot calibre .75. Como cada arma que sai da fábrica Creusot é registrada, os oficiais da companhia ficaram perplexos porque nenhum armamento jamais tinha sido vendido ao exército brasileiro. Ao comparar os números de série, entretanto, descobriram que eram as mesmas armas enviadas à Rússia em 1905.”
Na época o Presidente era Rodrigues Alves, o Vice Afonso Pena e o “teje preso” do Exército, o Marechal Hermes. Interrogados numa CPI (como as atuais, mas sem laptop ou selfies) juraram que não sabiam de nada e fizeram cara de paisagem. Antes, Sua Excelência havia admitido ao diplomata Thomas Jefferson III que aquele desvio de conduta equivalia a uma coronhada pelas costas. O caso acabou mais ou menos em pizza. Prenderam alguns soldados, cabos e sargentos e meia dúzia de funcionários da Casa Bancária Rothschild. Barbosa, o Rui, foi o Juiz, Promotor e Carcereiro. Foi cruel. Depois disso não mais se ouviu falar em corrupção e cambalacho no Brasil. E já se passaram 109 anos.
Durvaldisko
22 de maio de 2014 3:06 pmEstranha história.Há
Estranha história.Há registros dessa operação? Sabia-se, segundo conta Nelson Werneck Sodré, em seus escritos sobre o Brasil, que a corrupção no Exército era endêmica,principalmente na Intendência.A Cavalaria também não escapava. Os conflitos que advinham a cada dois anos,sob fórmula de “revolução”,na verdade encobriam a disputa pelo butim maior: o Tesouro Nacional..
Athos
22 de maio de 2014 4:39 pmMas de que corrupção falam? O
Mas de que corrupção falam? O Brasil comprou armas, e daí?
junior50
23 de maio de 2014 12:06 amSchneider
É verdade, uma partida de canhões 75mm, conhecidos como “Schneider 75mm/mod. 1897”, acabou aparecendo no Brasil, oriundos de uma encomenda russa, a “lenda” conta que a Casa Rothschild financiou a venda da Creusot-Loire para o Império Russo, um contrato bastante abrangente que incluia inclusive navios, mas a Casa Rothschild + Creusot – Loire, intermediaram que a parte dos 75mm/97, fosse desviada para o Brasil – os Mayrinck Veiga ( os maiores fornecedores das FFAA á época, eram os representantes no Brasil da Casa Rothschild ) – nem mesmo foram inquiridos no processo.
Para quem gosta, ou quer se inteirar mais sobre vendas militares francesas e seus rolos, principalmente relativas ao final do século XIX, inicio do XX, consultem: http://www.whale.to/c/merchants_of_death_b.html, as histórias são ótimas.