19 de junho de 2026

Governo Lula irá propor “SUS” da Segurança Pública

O presidente Lula indicou a possibilidade de o governo federalizar as polícias nos estados e fazer o "SUS" da Segurança Pública
Foto: Marcelo Camargo/ABr

O presidente Lula indicou, nesta terça-feira (02), a possibilidade de o governo federalizar as polícias nos estados e fazer o “SUS” da Segurança Pública. A proposta poderia aumentar a participação da PF no combate ao crime organizado, atualmente sob responsabilidade das polícias civil e militar estaduais.

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A proposta foi levantada em entrevista à Rádio Sociedade, em Salvador. O presidente indicou que alternativas para aumentar o combate ao crime serão apresentadas em projetos do governo e que conversará com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, a respeito.

O que está mais avançado sobre o tema no governo é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para incluir o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição. A medida foi uma iniciativa de Lewandowski, que se inspirou no mecanismo do SUS, Sistema Único de Saúde, presente em todo o país, para integrar o sistema de segurança nacional.

O Susp já existe. Foi criado em 2018, passando a destinar recursos da União a ações de segurança pública em estados e municípios. Mas o objetivo do governo Lula é ampliar essa atuação, com a definição do papel de cada ente nas políticas de segurança. “É necessário o governo federal participar, não apenas com repasse de dinheiro”, disse o presidente, nesta terça.

O tema será levado, ainda, em discussão com ministros que já foram governadores de estado, como Rui Costa (BA) e Camilo Santana (CE), que poderão trazer a sua experiência sobre as vias e formas de o governo federal atuar na segurança dos estados, mas obtendo o apoio destes entes.

Isso porque, segundo Lula, o governo irá “enfrentar a recusa de muitos governadores porque muitos reclamam da segurança pública, mas não querem abrir mão do controle das polícias”.

“Quem foi governador sabe, é muito difícil cuidar da segurança pública e, muitas vezes, os coronéis que mandam na Polícia Militar não obedecem orientação do governador, muitas vezes têm agressividade desnecessária, então nós precisamos repensar”, refletiu.

“Eu estou favorável que a gente tenha mais Polícia Federal, que a gente possa participar mais do processo de segurança, sobretudo no combate ao crime organizado, ao narcotráfico, às facções, porque hoje tomou conta do Brasil. Então, é uma coisa mais delicada, e eu acho que os estados sozinhos não dão conta”, completou.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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