4 de junho de 2026

Exclusivo: para entender a injustiça contra o Almirante Othon, por Luís Nassif

Na época, Othon alegou ter sido vítima de interesses nacionais. Estava certo, mas os detalhes da história nunca vieram a público.

Quando o delegado da Polícia Federal, Wallace Fernando Noble Santos, invadiu o apartamento do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, derrubou-o no chão e algemou-o, estava consumado um dos atos mais indignos da história republicana. De um lado, um cientista com enormes favores prestados ao país; do outro, um delegado que, pouco tempo depois, foi preso por corrupção.

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Em seguida, Othon foi julgado pelo inominável juiz Marcelo Bretas – hoje sob investigação, acusado de beneficiar clientes de um advogado muito amigo – e condenado a 43 anos de prisão.

Na época, Othon alegou ter sido vítima de interesses nacionais. Estava certo, mas os detalhes da história nunca vieram a público.

A negociação França-Brasil, para o submarino nuclear, foi fechada em outubro de 2008. Houve uma disputa para saber quem seria a empresa de engenharia a tocar a construção do estaleiro. A França propunha uma empreiteira francesa. O Brasil bateu pé em defesa de uma empreiteira nacional, caso contrário não haveria transferência de tecnologia. A escolhida foi a Odebrecht.

Aí ocorreu uma pressão angloamericana sobre a França. Não se temia o acordo em si, mas a possibilidade do Brasil, depois de determinado período de uso do urânio, o transformasse em plutônio, que é residual do urânio, totalmente fora do controle da Agência Internacional de Energia Atômica de Viena. Já nos anos 80, o Brasil foi acusado de remeter plutônio para o Iraque.

Os membros do clube nuclear (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China), também conhecido como Clube de Londres, até então eram os únicos proprietários de artefatos e submarinos nucleares.

Por conta disso, em fins de novembro de 2008, a França retirou a transferência de tecnologia do Centro Radiológico, trinta dias antes das assinaturas do contrato final, em 21 de dezembro daquele ano. Também enviou uma equipe que vasculhou os computadores da Marinha no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, e nas instalações de Aramar, em Sorocaba, deletando tudo o que havia sido encaminhado para para a Odebrecht fazer seu preço para a construção do Centro Radiológico.

Isso nada tinha a ver com o reator do submarino, mas com o plutônio.

A Odebrecht, evidentemente, não tinha interesse em artefatos nucleares, mas tinha um enorme contrato para cumprir, de construção do Centro de Manutenção Especializada, mas nada sabia de tal construção. Por isso contratou o Almirante Othon.

Só que Marcelo Odebrecht, o desastrado executivo que destruiu a companhia, decidiu economizar 28,5% de tributos e resolveu pagar todos seus consultores através de uma empresa, a Strategic, sediada no exterior, sem atentar para as consequências políticas.

Em seu depoimento à Justiça, Marcelo admitiu que fazia esses pagamentos com fundos de suas empresas no exterior, e não com dinheiro desviado de projetos do Brasil.

A própria Marinha, na época, publicou nota oficial desmentindo que Othon tenha influenciado para a troca de submarino alemão pelo francês.

O resultado foi esse, de duas pessoas desclassificadas impondo-se sobre uma figura da história.

Hoje, viúvo, Othon passa seus últimos dias aguardando a decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre seu caso.

Em setembro do ano passado o delegado Wallace foi demitido da Polícia Federal. Descobriu-se que recebia propinas para interferir em diferentes inquéritos entre 2016 e 2018.

Em fevereiro de 2023, o Conselho Nacional de Justiça decidiu afastar Marcelo Bretas da 7a Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Foi acusado de violação dos deveres de imparcialidade e tratamento humano com as partes. E, como tudo termina em circo, Bretas transformou-se em influenciador digital.

totalmente ignorante das implicações políticas

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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11 Comentários
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  1. Frederico Firmo

    18 de julho de 2024 7:22 pm

    A morosidade da justiça nos casos da Lava-Jato e na operação Ouvidos Moucos mantém vários dos acusados como reféns da justiça, como é o caso de Othon. No caso do caso Cancellier- Ouvidos Moucos, o processo já recebeu relatórios do TCU e da CGU que inocentam acusados, mas o processo se arrasta. Tudo indica que diante destes relatórios queiram postergar até que haja prescrição pelo tempo. Isto fará com que os acusados sem julgamento sejam como diz a mídia descondenados. Isto é não terão o direito de serem absolvidos.

  2. Jotahponthomarcelho

    18 de julho de 2024 8:17 pm

    SUGIRO UNA ENTREVISTA COM O ALMIRANTE OTHON NASSIFÂO

    1. Anônimo

      19 de julho de 2024 7:38 pm

      Pensei a mesma coisa

  3. Carlos Lima

    18 de julho de 2024 11:20 pm

    Nassif, esta questão do Almirante Othon, não foi repercutida pela mídia de um modo em geral, de todas as atrocidades e ilegalidades da Lava Jato, em termos estratégicos, essa passou de todos os limites de traição, e de crime lesa a pátria. Não é possível para nós comuns, saber o que a Lava Jato, entregou de informação para os EUA, não é possível. Porém em um exercício de lógica podemos vislumbrar que, agentes, funcionários, de diversas instituições e pagas pelo estado brasileiro, trabalharam para outro estado, na maior traição que se tem notícia, e ninguém foi preso, ou pagou pelos crimes lesa a pátria.

  4. José de Almeida Bispo

    19 de julho de 2024 8:17 am

    “De um lado, um cientista com enormes favores prestados ao país; do outro, um delegado que, pouco tempo depois, foi preso por corrupção.” ALUGARAM O PIOR QUE TINHA “NO MERCADO” PARA EXECUTAR o plano de destruição da Pátria. Não consigo visualizar nenhuma época de maior infâmia na História do país que o período 2013-2022. Bandidos, em nome da lei, prendendo, desmoralizando Othons a torto e a direito. E sem punição exemplar posterior.
    Como disse um ouvidor-mor de Sergipe, em 1799: “E as justiças se não fazem”.

    1. Romualdo Petraglia

      19 de julho de 2024 10:11 am

      No futuro quem sabe.. há de ser dado o devido crédito a esse brasileiro raro e genial…digno de admiracao..premios e aplausos…nunca essa criminalização e todo absurdo por que passou..que lhe façam justiça e reconheçam seu enorme valor.

  5. cezarperin

    19 de julho de 2024 4:02 pm

    Entrevista urgente

  6. Alexandre melo martins

    19 de julho de 2024 8:10 pm

    Por quê lula ainda não deu ao almirante o devido indulto anistia do suas penas fraudulentas .

  7. jura

    20 de julho de 2024 4:29 am

    Faltou dizer porque o comando da Marinha atirou Othon aos tubarões e naufragou com Bolsonaro.

    A chibata continua a pleno vapor. Os almirantes brancos ainda não entenderam a lição do almirante negro.

    1. Neri Severo Malheiros

      20 de julho de 2024 6:24 pm

      Caro Nassif,

      Infelizmente, a grande farsa contra o almirante Othon não teve a mesma repercussão de outros crimes da nefasta operação Lava-jato, como as acusações contra Lula e grandes empresários. Os militares, tão afoitos e sempre prontos a apagar rastros de sua participação no golpe e nos desgovernos entreguistas que se seguiram à queda de Dilma e à prisão do principal líder oposicionista, atiraram seu companheiro de farda aos leões e dos despojos dele querem distância. Um dia a história descrita com auxílio da imprensa de rabo preso será total ou parcialmente revisitada para que tais desvirtuamentos sejam corrigidos e se faça a devida justiça e desagravo àqueles atingidos pelos braços do arbítrio judicial comandado anos a fio por Moro, Dallagnol e Janot com o imprescindível apoio e beneplácito da imprensa tradicional, militares e STF.

  8. João Ferreira Bastos

    20 de julho de 2024 5:19 pm

    Nenhum, eu disse nenhum militar de altíssima patente ao mais subalterno se levantou para defender o Herói Almte Othon.

    Provavelmente porque nunca poderiam imaginar que exista um militar honesto.

    O tal do espirito de companheirismo, de corpo e essas baboseiras todas, é só para proteger os crimes que cometem

    TRAIDORES DA PATRIA

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