4 de junho de 2026

Às vésperas da eleição na Venezuela, Maduro sobe o tom e Brasil reage; confira os últimos desdobramentos do caso 

Com desistência do TSE de enviar observadores para eleição da Venezuela, historiador analisa as últimas declarações de Nicolás Maduro; assista
Brasília (DF), 29/05/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou, nesta quarta-feira (24), que não irá enviar observadores para acompanhar a eleição presidencial da Venezuela, que acontecerá no domingo (28). A decisão é uma reação às últimas críticas do presidente venezuelano Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido) ao sistema eleitoral brasileiro.

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Na terça-feira (23), o mandatário venezuelano afirmou que seu país tem “o melhor sistema eleitoral do mundo”, com 16 auditorias. “Onde mais no mundo se faz isso? Nos Estados Unidos? O sistema eleitoral é inauditável. No Brasil? Eles não auditam um único registro”, disse em comício.

De fato, como já informado pela ComunicaSul, o sistema eleitoral na Venezuela “trata-se, se não do mais seguro, de um dos mais seguros em todo o mundo”. No caso do Brasil, Maduro afirmou que não há auditoria uma vez que não há comprovante físico do voto, ao contrário da Venezuela. Contudo, TSE brasileiro já explicou que, apesar disso, há vários níveis de auditagem no país que tornam o sistema  confiável.

Em face de falsas declarações contra as urnas eletrônicas brasileiras, que, ao contrário do que afirmado por autoridades venezuelanas, são auditáveis e seguras, o Tribunal Superior Eleitoral não enviará técnicos para atender convite feito pela Comissão Nacional Eleitoral daquele país para acompanhar o pleito do próximo domingo“, afirmou o TSE em nota.

Para o historiador, Fernando Horta, Maduro foi equivocado ao subir o tom contra o Brasil, tendo em vista o papel democrático do presidente brasileiro na América Latina. 

Na América Latina não há hoje um fiel democrata, um símbolo designativo de estrutura democrática, mais do que o apoio do presidente Lula e isso seria suficiente para que o Maduro entendesse o tamanho da bobagem que fez (…) Maduro jamais deveria abrir guerra contra o Brasil”, afirmou Horta, em entrevista ao jornalista Luís Nassif, no programa TVGGN 20H, exibido na noite de ontem (24), no Youtube

Interpretações e equívocos

Diante da proximidade das eleições venezuelanas, Maduro tem feito declarações um tanto quanto polêmicas. No fim da semana passada, ele afirmou que se não ganhar a eleição, haverá um “banho de sangue” na Venezuela.

A grande mídia brasileira tem tratado a fala como uma ameaça. Horta, no entanto, pondera que há outras interpretações, como tem colocado apoiadores do líder venezuelano. “O Maduro disse exatamente isso: ‘se eles ganharem – obviamente a extrema direita -, haverá um banho de sangue’. Agora, quem dará esse banho de sangue? Tudo fica na péssima construção que o Maduro fez da frase“, pontuou o especialista.

É possível se interpretar essa frase da forma como os apoiadores de Maduro estão, dizendo que ele denunciou a violência que virá por uma oposição caso ele perca a eleição. Mas também é possível entender essa frase a partir da interpretação que a imprensa brasileira está dando, ou seja, que Maduro ameaçou o povo”, explicou. 

Se colocar as vírgulas erradas, você interpreta de diferentes formas e um cara como Maduro, com a experiência dele, não pode construir uma fala dessa maneira, porque não fica claro se há uma denúncia que a violência virá pelos possíveis vencedores da eleição ou se ele está criando um sentido de medo contra a oposição”, acrescentou.

Horta destacou ainda que, na sua avaliação, “quem está certo nessa história é o presidente Lula, porque ou a jogamos por um sistema democrático em que não juntamos, sob hipótese alguma, a ideia de eleição com a ideia de violência, ou jogamos pelos sistemas ditatoriais”.

O Maduro erra feio quando passa a atacar o nosso sistema eleitoral, sem nenhum tipo de informação. Isso não tem como defender e nós temos simplesmente que dizer ‘desculpa, mas nessa dança eu não entro’”, completou.

Assista a entrevista na íntegra a partir dos 30 minutos e 55 segundos:

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
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  1. evandro condé

    25 de julho de 2024 2:44 pm

    Durante Lula 1 e 2, sobraram artigos defendendo a Venezuela (puderas não, com as cagadas promovidas pelos EUA). Mas era estarrecedor o silêncio sobre o que acontecia em termos de gestão. Sem contar o que se armava politicamente. Eu mesmo escrevi falando que estavam vendo passarinho azul. Será que irá mudar?

  2. ed.

    25 de julho de 2024 3:16 pm

    Lula em nenhum momento questionou o sistema eleitoral Venezuelano ou sua lisura. Por estadismo ele privilegia os países vizinhos como nações, independentemente de seus governantes e já consumiu bastante energia e prestígio apoiando Maduro que, por sua vez não oferece nenhuma contrapartida a não ser desgaste para Lula e para o Brasil. Está na hora de aproveitar para deixá-lo ao próprio destino, já que além de tudo não resolve os problemas de seu próprio país e seus problemas internos e externos. Já deu!

  3. Luiz Alberto M C Silva

    25 de julho de 2024 3:22 pm

    Isso é o que eu chamo de cuspir no prato em que come.

  4. Paulo Dantas

    25 de julho de 2024 6:12 pm

    Tem um bom tempo que Cháves e Maduro humilham o Brasil e Lula não sei porque diacho não responde.

    1. Rui Ribeiro

      29 de julho de 2024 12:05 pm

      Enviar oxigênio para salvar os infectados de covid é humilhação?

  5. Miguel

    25 de julho de 2024 11:03 pm

    Pois é, Lula que primeiro ficou fslando besteiras sobre os discursos de campanha de Maduro, é muita intromissão e agora toma a resposta. Há décadas que o imperialismo esta em guerra com a Venezuela por causa de seus imensos recursos energéticos, londres roubou e segura o Ouro Venezuelano, EUA e União Europeia nomearam até presidente Fake Guaidó. Quando brasileiros morriam sem ar em Manaus na Pandemia, foi a Venezuela de Maduro que mandou oxigênio. Interessante que ninguém fala nada com o que acontece com o Peru.

  6. Rui Ribeiro

    29 de julho de 2024 12:01 pm

    González foi eleito com 70% dos votos. Resta saber se o Guaidó vai respeitar a vontade popular e passar o bastão para o cani dato eleito

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