10 de junho de 2026

Eleições na Venezuela: Maduro abre corrida eleitoral com avanço da oposição

Além de Maduro, há 9 candidatos da oposição, com força para o candidato Edmundo González Urrutia. ONU e Brasil cobraram transparência.
Nicolás Maduro em campanha eleitoral - Foto: Flickr Gobierno de Venezuela

A Venezuela viverá, em 20 dias, as eleições presidenciais com a intensificação das campanhas eleitorais nesta semana. Para abrir oficialmente a agenda eleitoral, o presidente Nicolás Maduro lançou 70 atos em 70 cidades venezuelanas na última sexta-feira, 5 de julho.

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A data, além de abrir oficialmente a disputa eleitoral, é o 70º aniversário do ex-presidente Hugo Chávez, e Maduro aproveitou a homenagem para iniciar os comícios. Somente na última sexta, Maduro esteve em Zulia, no noroeste do país, e na capital, Caracas, onde se concentrou a maior parte dos atos políticos.

Oposição a Maduro

Além do atual presidente, outros 9 candidatos que fazem oposição também se apresentaram e tentam concorrer contra Maduro, que integram as coalizões Plataforma Unitária Democrática, Esperanza por el Cambio, Primero Venezuela, Arepa Digital, Alianza del Lápiz, Soluciones para Venezuela, Centrados en la Gente, Acción Democrática e Confederación Nacional Democrática.

A que detém maior força de oposição a Maduro, hoje, é a Plataforma Unitária Democrática (PUD), que havia lançado a candidata Maria Corina Machado, em outubro do ano passado, mas foi impedida de disputar as eleições, assim como a sua substituta Corina Yoris, pela Justiça venezuelana.

Segundo o partido, a medida judicial foi uma atuação política. O atual candidato da força política é o diplomata aposentado Edmundo González Urrutia, que apesar de não ter experiência de governo, confia que a oposição tenha força para derrotar os 25 anos do chavismo no país.

Relatório da ONU

O impedimento das candidatas da PUD chegou a ser exposto em relatório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, na semana passada (leia aqui). O órgão cobrou do país a “garantia de processo eleitoral transparente, inclusive e com completa participação” e afirmou ver com “preocupação” a retirada das duas candidatas da disputa, em janeiro, e de outros 5 candidatos em abril.

Em reunião do órgão (assista aqui), o Alto Comissário da ONU, Volker Türk, alertou contra a possível interferência da Justiça sobre as coalizões de oposição, incluindo a prisão de 15 membros de 5 partidos políticos, o fechamento de 10 estações de rádio em um ano e o bloqueio de 50 páginas da internet, além de impedir a participação de observadores internacionais europeus, em junho, após o aumento de sanções econômicas contra a Venezuela.

No início deste ano, o governo Lula chegou a criticar algumas atuações do governo de Nicolás Maduro, mas em discurso na ONU na semana passada, o Itamaraty optou por não deferir críticas, mas pressionar por transparência no processo eleitoral do país, e com a participação de observadores internacionais.

Em outubro de 2023, Maduro e a oposição assinaram o Acordo de Barbados, no qual o presidente se comprometeu a respeitar o resultado das urnas, ato que foi novamente repetido em junho passado.

Pesquisas eleitorais

Até o momento, as pesquisas eleitorais dão diferentes resultados. Enquanto que IMC Orientación e DataViva informam a vitória de Nicolás Maduro, as últimas pesquisas da Hercon Consultores e da Datanalisis dão vitória ao opositor González Urrutia.

Na primeira, Maduro teria 45,17% das intenções de voto contra 31% de apoiadores de González. A DataViva marca uma maior diferença, com 56,1% ao atual presidente contra 20% ao opositor. Já a Hercon Consultores dá uma ampla maioria de 68,4% a Edmundo González e somente 27,3% a Nicolás Maduro. Por fim, a Datanalisis teria dado uma diferença de 18% a 25% para Urrutia, vencendo Maduro.

Nestas próimas semanas, o governo espera por uma campanha eleitoral pacífica, com dezenas de atividades planejadas e normas claras definidas pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela para garantir atividades sem incitação ao ódio.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. ed.

    8 de julho de 2024 4:08 pm

    “Caracas”, as diferenças entre as “pesquisas” são estonteantes! Quem estará mentindo, os institutos ou entrevistados?
    Hehe

  2. !José!Marcelo!

    8 de julho de 2024 5:58 pm

    Obg Patricia por nos mkstrar q existe um mundo diferente ai fora e q há coisas diferentes acontecendo fora desta nossa selva midiática e cercadinho,seria interessante mostrar a economia pujante produtiva e não especulativa do mundo oriental,temos muito o q aprender lá!!!

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