10 de junho de 2026

Déficit zero derrubará juros, dizia Mantega em 2005

Mantega destacou que não é suficiente atacar apenas o aspecto fiscal. São necessárias também uma reestruturação da dívida pública
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

De 4 de agosto de 2005

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Déficit zero derrubará juro, diz Mantega

LUCIANA BRAFMAN
DA SUCURSAL DO RIO
Após reunião com o deputado federal Antonio Delfim Netto (PP-SP), o presidente do BNDES, Guido Mantega, afirmou que o déficit nominal zero pode fazer os juros reais caírem dos atuais 14% ao ano para cerca de 3%, o que permitiria uma melhor relação dívida/PIB. Na visão de Mantega, esse ajuste fiscal deve ser feito com base na redução de gastos previdenciários, compras governamentais e contratação de serviços, entre outros, mas com a preservação dos gastos sociais e do investimento.

Segundo Mantega, é preciso haver mecanismos que garantam uma redução permanente da relação dívida/PIB, independentemente dos governos que assumam a Presidência da República nos próximos períodos.

Mantega destacou que não é suficiente atacar apenas o aspecto fiscal. São necessárias também, segundo ele, uma reestruturação da dívida pública, com a diminuição dos títulos de curto prazo, e uma política monetária mais eficaz, que permita resultados na contenção da inflação com pequenas alterações nos juros.

Mantega disse que é preciso adotar medidas de aperfeiçoamento da política econômica para que o país possa crescer a taxas vigorosas, além dos 3,5% previstos para este ano. Ontem, a diretoria do BNDES e economistas do banco se reuniram com Delfim para debater o tema. “Esse ajuste fiscal que está sendo feito é consistente, mas pode ser melhorado, não com aumento do superávit primário, mas com a qualidade do ajuste fiscal, reduzindo despesas de custeio e aumentando investimentos”, disse Mantega.

“A proposta de déficit nominal zero vem para que os juros caiam para patamares mais civilizados.”

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Miriam Maciel Lopes

    14 de agosto de 2024 7:26 am

    Adiantou?

  2. Miriam Lopes

    14 de agosto de 2024 7:28 am

    Adiantou?

  3. Milton

    15 de agosto de 2024 9:39 am

    Até as curvas da estrada de Santos sabem que o grande nó é a brutal transferência de recursos públicos para uns poucos via juros do BC.
    Arrancar com a contenção de gastos sociais é mais do mesmo.
    O desmedido avanço dos juros é a causa maior do atraso no desenvolvimento.
    Isto significa a manutenção do viés elitista – herança do período colonial – do Estado para poucos.
    A redução à metade da Selic mais um programa de investimentos resultaria em recursos substanciais estruturantes e de apoio à capacitação tecnológica e industrialização.
    O difícil é enfrentar os campos néscios que abundam no Brasil . . .

  4. José Carvalho

    15 de agosto de 2024 1:56 pm

    A dificuldade para essas questões continua a mesma, não adianta pensar em déficit fiscal zero sem que o País tenha maior volume na sua economia. Durante todo esse tempo o País quase não saiu do lugar. A capacidade da economia brasileira de sustentar crescimento, continua não existindo e com uma leve piora, pois nem mesmo aqueles vôos de galinha acontecem mais. A relação da dívida X PIB vai encurtando e as condições do País não mudam. As formas de produção de riqueza não são multiplicadas e o universo dos beneficiários se reduz. As obrigações com a dívida comprometem cada vez mais os orçamentos públicos que vão sendo cada vez mais pressionados a “enxugar a máquina” para poder cumprir essas obrigações; todos os olhares se mantém nesse tema, enquanto toda a economia sofre as consequências que atingem a sociedade inteira. Essa relação se reduz com o crescimento do PIB causando um ajuste dessas obrigações. Se a busca pela redução do gasto público por um lado com o cumprimento das obrigações, a diminuição dessa relação traria também um impacto sobre a expansão do PIB e portanto da própria economia brasileira. O dilema nesse caso fica sobre a quem serve a economia do País. Caso a resposta inclua a todos os brasileiros, o rumo precisa mudar.

  5. Fábio Cunha

    15 de agosto de 2024 8:07 pm

    A questão é uma só, uma Dívida Pública na qual pelo menos 70% dela foi forjada! Uma auditoria dessa dívida colocaria as coisas no lugar, mas quem tem coragem de mexer com isso? E com esse congresso? E com essa mídia, funcionária do sistema financeiro? O resto é perfumaria…

  6. José de Almeida Bispo

    17 de agosto de 2024 7:33 am

    Ou ele era um inocente, pueril; ou tava fazendo jogo com a plateia pra ver se pegava no tranco.
    O problema é que a cafua nacional – os banqueiros – é tão esperta, mas tão esperta que nem ousa botar as asinhas de fora das nossas fonteiras. E aqui, deita e rola, dando sonoros pqp para o país, entretendo-o com slogans tipo “O Agro é Pop”, copas do mundo e outros badulaques.

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