4 de junho de 2026

Com guerras de Israel, mundo vive período mais perigoso em 60 anos, diz comandante Farinazzo

Em entrevista ao canal TV GGN, oficial diz que Brasil não está preparado militar e tecnologicamente para enfrentar os novos tempos; assista
Comandante Robison Farinazzo. Foto: Reprodução/Brasil Paralelo
Comandante Robison Farinazzo. Foto: Reprodução/Brasil Paralelo

O mundo vive hoje com as guerras de Israel no Oriente Médio, com respaldo dos Estados Unidos e inação do resto do mundo, o “período mais perigoso” desde a crise dos mísseis na década de 1960, quando a então União Soviética e os Estados Unidos viveram tensões diplomáticas que fizeram boa parte do globo segurar o ar.

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Àquela época, ainda contávamos com líderanças que sabiam e pareciam se importar com as consequências de uma guerra global. Mas hoje assistimos Israel – sob o regime inconsequentemente e violento de Benjamin Netanyahu – praticar um genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza há um ano, e estender mais recentemente a guerra no Oriente Médio para o Líbano e Irã.

“Temos todos os motivos para nos preocupar”, diz ao GGN o comandante brasileiro Robinson Farinazzo Casal, especialista em tecnologia aeronáutica e apresentador do canal Arte da Guerra, com mais de 400 mil seguidores no Youtube.

Segundo Farinazzo, “nao há dúvida de que estamos vivendo um período mais perigoso do que a crise dos mísseis de 1962 em Cuba. Porque naquela época tinha uma liderança mais responsável. O Khrushcheva [União Soviética] , com todos os destemperos dele, era uma pessoa que viveu a guerra. Ele foi comissário na Ucrania, ele tinha visão do que era guerra. O Kennedy [EUA] também, ele foi derrubado no Pacífico, o navio dele afundou. Hoje você tem um senil na Casa Branca, que não manda em mais nada. A Alemanha está fazendo um show no país; Macron [na França] não preciso nem dizer. Esse Keir Starmer que entrou na Inglaterra agora é outro desastre. E Netanyahu está afundando Israel cada vez mais. Então temos todos os motivos para nos preocupar, sim.”

Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, do canal TV GGN [assista a íntegra abaixo], Farinazzo analisou a escalada dos conflitos no Oriente Médio, o papel dos EUA no cenário e os impactos para o Brasil sob o comando do presidente Lula.

Para Farinazzo, é surpreendente que o Irã tenha entrado na guerra armada com lançamento de centenas de mísseis contra Israel – o maior ataque do gênero em toda a história israelense -, em resposta às operações do exército de Netanyahu pelo Líbano.

“Não esperava que Irã fosse realiar. Acreditava em uma postura mais pragmática. O Irã está vivendo bom momento econômico em função de acordos de petróleo com a China – estão exportando mais de 1,6 milhão de barris por dia para a China – e eu não botava fé nessa retaliação”, comentou Farinazzo.

Na visão do consultor militar, não há como saber qual será a postura dos EUA diante da escalada de tensão no Oriente Médio. Ele lembra que Irã em inteligência militar suficiente para tornar a decisão dos americanos mais cautelosa. Farinazzo citou como exemplo um estranho ataque a uma navio petroleiro americano na semana passada, que foi perfurado na linha abaixo d’água e sofreu uma inundação sem afundar. O ataque, muito preciso, serviu de alerta sobre os movimentos tácitos das nações envolvidas nesse xadrez.

Farinazzo avalia que nem mesmo Netanyahu acredita que, com a guerra no Oriente Médio, será capaz de aniquilar grupos considerados terroristas pelo estado israelense, como Hamas e Hezbollah. Ainda assim, Netanyahu avança com as operações militares ganhando tempo até a passagem das eleiçoes americanas. A esperança de Israel, na visão do comandante entrevistado pelo GGN, é arrastar os EUA para a guerra total. Hoje, os EUA defendem o “direito de defesa de Israel” e abastecem o país com apoio militar.

O entrevistado ainda lembra que há impactos negativos para Israel com a manutençao da guerra. Segundo reportagem publicada pel jornal O Globo, a guerra está custando mais de 1 bilhão de dólares por dia e já derrubou o PIB em 20%. Além disso, há uma diáspora isaelense. Se fala em meio milhão de pessoas que deixaram o país com medo do conflito que já se arrasta por um ano.

Ainda na visão de Farinazzo, nas últimas vezes na história em que Isral invadiu o Líbano, o Hezbollah surgiu e ficou mais forte.

BRASIL ESTÁ PREPARADO?

Questionado se o Brasil está preparado militar e tecnologicamente para enfrentar os novos tempos de guerras no Oriente Médio, tentativas de golpe pela América Latina e disputa entre Estados Unidos e China, Farinazzo foi contundente: “nao estamos preparados para nada”.

Na opinião dele, no plano geopolítica, o presidente Lula em pouca margem de manobra e sabe que qualquer atitude mais independente ou pró Sul Global pode despertar a ira da imprensa brasileira mainstream, que é “totalmente alinhada com o Otanistão.

Já em relaçao à soberania militar e tecnologica, Farinazzo também fez duras críticas à indústria de defesa nacional.

“Na minha opinião, no Brasil estão discutindo a agenda americana, não a agenda brasileira. Veja o caso a Avibras. Era uma empresa com condições de fazer o que Irã ou Rússia fazem [acumular arsenal de armas de destruição em massa]. Enquanto a Avibras está indo para o vinagre, estamos comprando canhões de Israel, que talvez nem tenha condições de entregar. (…) É o que sempre falo: Brasil e Arábia Saudita não fabricam nada em armamanto, mas Arábia Saudita pelo menos compra coisa nova. Nós nem isso.”

Robinson Farinazzo Casal é oficial da Marinha brasileira com extensa expertise em tecnologia aeronáutica. Piloto de aviões, graduado em Administração de Empresas, atuou em diversos cargos em sua carreira militar, especializando-se através de cursos, seminários , simpósios e intensa experiência de campo.

Assista a entrevista complea abaixo:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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6 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    2 de outubro de 2024 2:29 pm

    O Brasil pode até se preparar militarmente para enfrentar os novos tempos mas tal preparo se dará às custas dos despreparo social. Ou produzimos meios de vida para os brasileiros ou produzimos armas e munição.
    Já imaginou o Brasil enfrentando a China que tem um grande contingente de Forças Armadas e armas moderníssimas? É melhor investir na paz e na diplomacia do que investir na produção de armas e munição.

  2. MARTHA MASSAKO TANIZAKI

    2 de outubro de 2024 3:55 pm

    Parabéns farinazzo!! Depois daditadura e do triste papel dos militares no governo do genocida é a primeira voz lúcida e inteligente que ouço das FAs!!! Dificilmente o país conseguirá normal militares para a guerra então eu digo que os nossos militares ao invés do ócio deveriam ser treinados em proteger o país contra os reais inimigos internos: garimpeiros, caçadores e pescadores ilegais na Amazônia, o agro pop e seu fogareu e os incendios ilegais!!

    1. CcFurlan

      3 de outubro de 2024 4:49 pm

      Que droga você está usando, deve ser pesada eim.

    2. RUBENS

      7 de outubro de 2024 1:39 pm

      Faço minha suas palavras.

    3. ribes

      19 de outubro de 2024 12:40 pm

      Parabéns.

  3. raulmello

    5 de fevereiro de 2025 11:40 am

    Nassif, você está se iludindo com o neo-bolsonarismo do Cmdt Farinazzo, suas últimas manifestações são videos, no melhor estilo BRASIL PARALELO,exaltando o finado ENEAS CARNEIRO, expoente do neo-fascismo tupiniquim, como ummvisionário. Eneas concorreu em 1994 tendo como vice um militar que participou dos massacres no araguaia e foi denunciado por negar o genocídio dos indígenas na Amazônia

    https://www.tudorondonia.com/noticias/como-um-militar-que-ja-morreu-introduziu-o-negacionismo-no-debate-digital-sobre-a-desnutricao-dos-yanomami-,100448.shtml

    Você já pulou em canoas furadas antes, Nassif, defendendo as “vozes da razão” do exército brasileiro, justamente quando essas vozes, como do villas-boas, atuavam para golpear a Democracia e levar Bolsonaro ao Poder. Já está na hora de você ser mais cauteloso em promover esse discursos fascistóides.

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