Um escândalo da saúde que poderia ter levado à morte e levou a graves consequências pacientes com câncer, um inquérito policial em sigilo e denúncias de reportagens do The Intercept e do GGN há dois anos e de pacientes, desde então, sem respostas.
Este é o resumo atual da acusação de um suposto esquema de venda de remédios adulterados e tratamentos ineficazes de câncer pela clínica Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia ao grupo Amil. Ao longo destes anos, algumas ações tramitaram na Justiça, alegando improcedência das acusações e ambas empresas, Amil e Hemomed negam irregularidades. O GGN identificou um inquérito policial sigiloso, levado à cabo pela Delegacia de Polícia do 23º Distrito de São Paulo, que apura as denúncias há mais de 2 anos, ainda sem conclusão [entenda mais ao final da reportagem].
O episódio teve início quando um dos principais denunciantes, o médico Raphael Brandão Moreira, decidiu expôr publicamente as acusações ao The Intercept e ao Jornal GGN em 2022. Alvo de represálias, ele foi demitido e processado, e a Amil e a Hemomed justificaram a demissão por “violações contratuais”, como não ter exclusividade com a operadora e atendimentos em sua clínica particular.
Ao GGN, Brandão havia enviado a íntegra de e-mails internos, nos quais relatava as suspeitas e tentativa de investigar internamente, junto ao setor de Compliance da Amil, as constatações de alta cobrança, por parte da Hemomed à Amil, dos valores para tratamentos de pacientes oncológicos e a manipulação dos medicamentos de câncer, que estariam sendo trocados por outros sem eficácia.
À época, os executivos da empresa teriam ignorado as informações de Brandão e foi iniciado um processo para o seu desligamento da empresa, sob outras justificativas, de que o médico não atendia o critério de exclusividade do convênio, por exemplo.
Apesar das respostas da clínica e da Amil à imprensa e em comunicados acusarem Brandão de má-fé e de informações inverídicas [leia, ao final da publicação, a íntegra da resposta da Amil ao GGN em 2022 e as respostas atuais das empresas], não foi apenas ele o autor de acusações contra a Hemomed de manipular medicamentos a pacientes oncológicos de categorias mais baratas de planos de saúde, incluindo a Amil.
Em abril de 2022, após a primeira reportagem de Nayara Felizardo, do The Intercept, intitulada “‘Medo de Morrer’ – Amil é acusada de ingnorar denúncias contra clínica de quimioterapia”, a jornalista foi pressionada pela Hemomed, que publicou uma “carta aberta” [leia aqui], acusando o médico de falsas acusações.
Dias após a primeira publicação, Nayara recebeu diversos relatos de médicos cirurgiões que confirmaram as denúncias do médico afastado, Raphael Brandão Moreira. Todos eles pediram que não fossem identificados.
Um dos profissionais relatou que teve um caso “parecido” da Hemomed, com um paciente “com câncer de mama, fazendo uso de Adriamicina [quimioterapia], [sendo que] com todo o cabelo [sem cair] e, mais sério, falou que droga que tomava era transparente e todos nós sabemos que a Adriamicina é vermelha”.
“A Hemomed tem fama ruim faz algum tempo. Piorou quando a Amil absorveu o contrato com eles”, relatou outro professor.
Por e-mail à repórter, um cirurgião especialista em oncologia relatou que “os resultados de tratamento [de câncer], especialmente quando há necessidade de medicações de alto custo, são imprestáveis”.
“Sempre houve uma suspeita, no meio médico, de fraude nos tratamentos, porém, com valores fora da realidade e com a conivência de várias fontes pagadoras, a Hemomed tornou-se uma potência”, narrou, à jornalista, que divulgou as declarações no dia 11 daquele mês.
Além de Brandão e dos médicos ouvidos pela repórter ainda em 2022, a Hemomed foi alvo de denúncias continuadas na página Reclame Aqui e carrega processos judiciais sigilosos que a acusam de atraso dos medicamentos de quimioterapia aos pacientes e a ineficácia dos tratamentos. À reportagem, a Hemomed afirmou que as acusações são “sem fundamento” e que “já foram devidamente avaliadas pelas autoridades competentes” [leia a íntegra da resposta ao final da reportagem].
O GGN traz à público as acusações e processos judiciais.
‘ESTOU EM RISCO DE VIDA’: Pacientes denunciam Hemomed
Em três relatos do Reclame Aqui, os pacientes e familiares narram consequências graves nos erros da Hemomed para os seus respectivos tratamentos.
Em uma grave denúncia, de outubro de 2021, uma paciente com câncer de ovário conveniada da Amil, que passou por cirurgia e lhe foi prescrita a quimioterapia oral, narrou que a Hemomed aplicou nela outros medicamentos diferentes dos prescritos por sua médica e, por essa razão, foi vítima da volta do câncer.
“Fiz na HEMOMED 6 seções de quimioterapia, sendo a última em 15/06/2021. Após a realização da TOMOGRAFIA ABDOMINAL em 10/07/2021(20 dias após a última seção de quimio), eu já apresentava linfonodomegalias e linfonodos abdominais e pélvicos, que se confirmaram num exame PET-CT como recidiva do câncer. Realmente estranhei muito o fato de que em apenas 20 dias, ter tido a RECIDIVA. Fui consultar no site da AMIL as despesas em meu nome ref. à exames/consultas/insumos/medicações etc.. E para minha surpresa, identifiquei que a AMIL enviou para HEMOMED insumos e medicações quimioterapicos de SEGUNDA LINHA PARA PACIENTES PALIATIVOS.”
Ela narrou que, ao invés da quimioterapia CARBOPLATINA AUC6 +PACLITAXEL 175MG, a Hemomed aplicou nela outro medicamento, o FAULDCARBO/BPLATIN.
“A bula destas medicações informam que os medicamentos são de segunda linha para pacientes paliativos ou que já haviam tido recidivas da doença, sendo que no meu caso, eu havia feito uma cirurgia de citoredução considerada ótima sem resíduos de doenças macroscopica, devendo ter no tratamento posterior o protocolo chamado na medicina de quimioterapia DE PRIMEIRA LINHA.”
“AGORA ESTOU EM RISCO DE VIDA, POSTO QUE A AMIL JUNTAMENTE COM A HEMOMED PARA REDUÇÃO DE CUSTOS, APLICOU PROTOCOLO DIFERENTE PARA O ESTADIAMENTO DA MINHA DOENÇA, UTILIZARAM QUIMIOTERÁPICOS DE SEGUNDA LINHA”, denunciou [maiúsculas destacadas pela paciente].
No episódio, a paciente ainda informou que um “diretor da área da qualidade da Hemomed” a contatou e “se limitou em dizer: ‘A senhora tem uma doença grave é normal ter recidivas….’. Porém, este senhor não soube me explicar porque aplicaram uma quimioterapia não prescrita para o meu caso, mas entendo muito bem a AMIL trata-se de redução de custos, face a isto a operadora limitou-se em deixar apenas a HEMOMED COMO PRESTADORA PARA APLICAÇÃO DE QUIMIOTERAPIA”, relatou.
Em maio de 2021, um portador da Doença de Crohn relatou que, pelo atraso constante dos medicamentos da Hemomed, ele sofreu alterações graves em sua saúde, tendo que se sujeitar “a uma nova cirurgia“.
“Sou portador da Doença de Crohn, e faço uso continuo do HUMIRA 40mg. Estou fazendo uso do mesmo a cada 7 dias. Isso na prescrição medica. Na realidade estou tomando o remédio todo descompensado, a cada 15 dias, outra vez a cada 18 dias, e no caso recente a cada 14 dias. Por conta desse descaso da HEMOMED para com as aplicações, minhas taxas ‘Referentes a exames’ estão totalmente alteradas, muito pior do que anteriormente a todo esse ocorrido. Por conta desse desleixo estou sujeito a uma nova cirurgia.”
Três meses depois do relato, o mesmo paciente voltou a escrever e disse que a empresa respondeu à sua reclamação, mas não resolveu o problema, continuando no atraso da medicação.
“Tive que fazer uma nova cirurgia por conta de toda essa palhaçada. Não queria ir a fundo, mas se o convênio fornece o valor do medicamento e está determinado para tomar, por que atrasar a medicação? Para onde está indo essa medicação que eu não aplico?”, disse o paciente.
Em outra denúncia mais recente, o responsável por um paciente com espondilite anquilosante narrou que a falta da injeção receitada pelo médico, que deveria ser aplicada a cada dois meses, fez com que o filho tivesse o avanço da doença, deixando-o cego.
“Por falta da injeção ele não está mais enxergando, tenho ligado quase todos os dias, hoje me falaram que estão recebendo medicações, e que talvez a semana que vem agende pra ele, só que eles não ligam, e nem avisam pra mim nada, meu filho já não anda direito e agora está sem enxergar.”
Ao GGN, a Hemomed escreveu que “repudia, de forma veemente, qualquer tentativa de difamar sua atuação” e que já forneceu “todos os esclarecimentos necessários” às acusações. Também à reportagem, a Amil disse que as manifestações na página Reclame Aqui foram “queixas pontuais”, “que foram solucionadas à época”.
Sobre o primeiro relato, de que o medicamento quimioterápico da paciente foi modificado, a Amil escreveu que “não existe hipótese de a Amil, na sua responsabilidade como operadora de saúde, mudar a prescrição de um médico para um paciente de forma unilateral“. No relato, a paciente confirmou que foi feita a mudança da medicação, responsabilizando a Hemomed pelo erro.
Das três denúncias acima, as duas primeiras foram respondidas pela Hemomed no Reclame Aqui. Mas em ambas, os pacientes alegaram que o problema não foi solucionado e continuaram prejudicados pelos erros da clínica.
Denúncias continuaram depois de reportagens
Desde as primeiras denúncias, em abril de 2022, e com a reportagem do GGN, em dezembro daquele ano, a Hemomed continuou a receber reclamações de pacientes e de seus familiares, relatando, principalmente, atrasos na aplicação de quimioterapia e descasos com os pacientes com câncer.
“Meu marido tem câncer no fígado e no intestino e começamos a fazer o tratamento na hemomed de Santo André no ano passado, lá foi prescrito pra ele aplicações mensais de hormônio terapia, para controle de sintomas, só que eles tem uma logística péssima que praticamente todos os meses atrasa a medicação, com isso ele fica passando mal. Isso é desumano lá é uma clínica para tratamento de câncer, os pacientes já estão extremamente vulneráveis e são obrigados a ficarem suplicando para tomar suas medicações, isso é porque é particular, nós pagamos convênio para ter o mínimo de dignidade e isso é ignorado”, relatou uma pessoa sobre a unidade de São Bernardo do Campo, no dia 26 de janeiro de 2023, ou seja, no mês seguinte à denúncia do GGN.
“Minha mãe é paciente oncológica da clínica Hemomed e faz tratamento quimioterápico oral, uso contínuo. (…) Infelizmente, em quase todos meses a medicação é entregue com atraso”, narrou outra pessoa, sobre a unidade de São Paulo. “A situação é muito preocupante, estamos falando de um tratamento quimioterápico que é essencial para a saúde da paciente, não pode haver atraso”, continuou.
Em fevereiro de 2023, um paciente narrou que a Hemomed estava “mentindo” sobre a clínica alegar a falta de um remédio de quimioterapia oral:
“Há 5 meses essa clinica alega que a medicação IBRANCE 125 quimeo oral está em falta, por isso, o fornecedor não está entregando. O fato que isso é mentira, conheço pessoas que tomam este remédio e estão recebendo normalmente pelo respectivos estabelecimentos. Estou vendo relatos de várias medicações sendo entregues com atraso para outros pacientes, isso é um descaso, o que está acontecendo? Por que não falam a verdade? Não só eu, mas várias pessoas estão sendo prejudicadas no seu tratamento. Já consultei advogado estarei entrando com ação, quem sabe assim irá resolver.”
Em julho de 2023, o filho de um paciente também indicou que a Hemomed estava mentindo sobre o atraso ser por falta de fabricação ou fornecimento dos medicamentos.
“Já é a segunda vez que a Hemomed está falhando no fornecimento do medicamento. Hoje ele deveria receber uma nova caixa do remédio que já foi autorizado pelo convênio e que a Hemomed não realizou a compra. No mês anterior aconteceu o mesmo. O próprio médico do centro já informou que isto não pode acontecer e que prejudica o tratamento do paciente que já tem uma doença agressiva.”
“Trabalho diretamente com os fabricantes do medicamento e sei que não há nenhum problema de fabricação ou fornecimento do remédio. Gostaria de entender como que a Hemomed falhou diversas vezes e continuamente no fornecimento de um remédio tão importante que nem a rede pública deixa de fornecer”, escreveu.
Os relatos similares de atraso foram quase mensais. Em alguns deles, os familiares dos pacientes oncológicos estavam desesperados:
“A minha irmã (Madalena) está fazendo tratamento contra o câncer nesta rede Hemomed já faz quase um ano. O caso dela é de extrema importância para conter o avanço do problema, a falta de medicamento é constante, sempre falam que o fornecedor não está tendo o medicamento solicitado. Ela está com dois medicamentos em falta há mais de 3 meses, medicamentos este que ela não pode ficar sem tomar. Peço ajuda a quem for, ela não pode morrer por falta desse medicamento, estou extremamente desesperado, o tipo de doença que ela tem não pode ficar sem tomar esses remédios”, disse uma pessoa em março de 2023.
“Não sei mais o que eu faço, já notifiquei por diversas vezes a Hemomed porém só me passa previsões e mais previsões. (…) Peço ajuda de todos os órgãos ANS, PROCON, AFIM DE AJUDAR A MINHA IRMÃ TER MAIS DIAS DE VIDA”, suplicou a pessoa.
“Necessito de medicação oral diariamente para que meu tratamento evolua, mas esse mês eu teria que pegar a medicação no dia 10/5 e hoje (sexta-feira 12/5) ainda não chegou a medicação e “se” chegar na segunda terei ficado 5 dias sem tratamento. E se não chegar na segunda???“, trouxe um paciente de Santos.
“Meu pai faz tratamento oncológico desde 2016 na Hemomed e faz uso continuo da medicação XTandi (Enzalutamida). Desde novembro de 2022 ocorre atraso recorrente na entrega. Meu pai não recebeu a medicação no mês de junho /23. Hoje 10/07/23 a Hemomed não tem previsão de entrega. Quando será normalizada a entrega da medicação para o tratamento de CÂNCER!!????”, escreveu o filho de um paciente de Diadema.
“Meu pai tem leucemia crônica e faz uso da medicação imbruvica 140mg e o mesmo é de uso contínuo e temos que pegar a medicação mensalmente na clínica hemomed de Santo André. O problema é que mesmo sabendo que o paciente não pode ficar sem tomar a medicação, eles atrasam e sempre culpam a logística pelo atraso. (…) Caso algo de ruim acontecer com meu pai (piora no quadro clínico), a responsabilidade será da Hemomed?? Ou da logística??”, comentou uma pessoa, em novembro de 2023.
Exclusivo: Os processos sigilosos na Justiça
Na Justiça, o GGN identificou diversos processos contra a Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia por problemas em tratamentos médico-hospitalar, responsabilidade do fornecedor, serviços hospitalares e falta do fornecimento de medicamentos.
Trata-se de ações nas quais os pacientes entraram com processos no Tribunal de Justiça de São Paulo contra a Hemomed por descasos como os narrados nas denúncias acima. Como tramitam em segredo de Justiça, o GGN não conseguiu o acesso e indentificar se alguma decisão foi tomada.
Segundo a Hemomed, “todas as acusações” foram “devidamente avaliadas pelas autoridades competentes”. A Amil afirmou que as denúncias diretas de Brandão, que também narram o uso de medicamentos manipulados pela Hemomed a pacientes da Amil, e reportadas nas publicações do The Intercept e do Jornal GGN, “foram totalmente repelidas pelos julgadores em todas as decisões proferidas até hoje”.
De acordo com a Amil, as denúncias de Brandão foram analisadas pela “2ª Vara Empresarial de São Paulo, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, pelo Superior Tribunal de Justiça e, mais recentemente, no último dia 21 de outubro, em um Recurso de Embargos, concluindo que a ação é integralmente improcedente”.
Mas em maio de 2023, a 41ª Vara Cível de São Paulo decidiu que as denúncias de Brandão em suas redes sociais, que ainda mantinham expostas as acusações, poderiam ser mantidas, sem a retirada do conteúdo, que havia sido solicitado pela Hemomed.
“Houve, na espécie, exercício regular de um direito, que se ateve às barreiras impostas pelo ordenamento jurídico e não resvalou em abuso, eis que não excedeu manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”, escreveu o juiz Regis de Castilho Barbosa Filho, naquela decisão.
Ainda, a reportagem identificou que, em 2022, foi aberto um inquérito policial a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para apurar o caso.
O inquérito entrou como uma ação sigilosa no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) por “crimes contra a vida” e “homicídio” contra a Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia.
A investigação foi assumida pela Delegacia de Polícia do 23º Distrito Policial, e até hoje ainda não foi concluída. Na movimentação mais recente, em agosto deste ano, foi cumprida uma diligência para investigar o caso. A ação sofreu diversas prorrogações e, atualmente, está tramitando na 5ª Vara do Júri do Tribunal, ainda como inquérito policial, sem a apresentação de denúncia e sem previsão de conclusão.

As respostas
RESPOSTA DA HEMOMED AO GGN:
A Hemomed repudia, de forma veemente, qualquer tentativa de difamar sua atuação. As acusações sem fundamento, que já foram devidamente avaliadas pelas autoridades competentes, receberam todos os esclarecimentos necessários. Com quase três décadas de atuação nas áreas de oncologia e hemato-oncologia, a Hemomed sempre se destacou por utilizar tecnologias avançadas e por seguir protocolos clínicos e terapias que priorizam a humanização e o acolhimento. A saúde e o bem-estar dos nossos pacientes são a nossa maior prioridade. Essa dedicação é refletida em nosso índice de satisfação (NPS), que chega a 90%. Esse excelente resultado evidencia o reconhecimento da qualidade de nossos serviços tanto pelos pacientes quanto pelos nossos parceiros.
A Hemomed reafirma seu compromisso inabalável com a transparência, a ética e a operação dentro dos mais elevados padrões de qualidade.
RESPOSTA DA AMIL AO GGN:
A Amil esclarece que possui uma criteriosa política de credenciamento e contratação de serviços de Oncologia, para garantir aos seus clientes acesso, qualidade, segurança e resolutividade clínica. Sua governança clínica se baseia em total respeito à autonomia médica. Não existe hipótese de a Amil, na sua responsabilidade como operadora de saúde, mudar a prescrição de um médico para um paciente de forma unilateral. Sobre o Reclame Aqui, a empresa identificou a respeito de agendamento queixas pontuais, que foram solucionadas à época, bem como uma ação judicial de beneficiário envolvendo tratamento realizado. É importante destacar que a Amil possui hoje 20 mil beneficiários em tratamento oncológico.
Por fim, a empresa destaca que as alegações do sr. Raphael Brandão de supostas irregularidades envolvendo tratamento quimioterápico prestado pela Hemomed foram totalmente repelidas pelos julgadores em todas as decisões proferidas até hoje. Decisões reiteradas pela 2ª Vara Empresarial de São Paulo, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, pelo Superior Tribunal de Justiça e, mais recentemente, no último dia 21 de outubro, em um Recurso de Embargos, concluindo que a ação é integralmente improcedente.
RESPOSTA DA ESHO (EMPRESA DE SERVIÇOS HOSPITALARES), ENTÃO PROPRIETÁRIA DA AMIL, AO GGN EM 2022:
A Empresa de Serviços Hospitalares (ESHO) informa que a denúncia feita pelo senhor Raphael Brandão foi devidamente apurada pela área de Compliance da empresa sem que fossem encontradas quaisquer evidências de suas alegações. Essa conclusão tem sido reiteradamente confirmada tanto em arbitragem quanto no Judiciário.
Em relação à rescisão do contrato do senhor Brandão com a ESHO, vale ressaltar que, quando prestador de serviço à companhia, o mesmo foi denunciado por mais de 40 profissionais. Não é verdade que as denúncias vieram de único computador. Há caso, inclusive, relatado à polícia, conforme o veículo pode facilmente verificar. O contrato firmado com ele (e sua empresa) foi rescindido em virtude de graves violações contratuais, que envolveram o desrespeito ao acordo de exclusividade e não concorrência, o desvio de pacientes dos hospitais para sua clínica particular, a utilização de médicos dos hospitais para atendimentos de seus pacientes privados e indicações graves de comportamento inapropriado no trato com funcionários.
A ESHO informa, ainda, que foi o senhor Brandão e sua empresa que iniciaram um processo de arbitragem. Após vasta produção de prova e oitiva de mais de 20 testemunhas arroladas pelas duas partes, os três árbitros – inclusive o indicado por Brandão – rejeitaram todas as suas alegações e decidiram que ele é quem havia dado causa ao descumprimento do contrato. Como não cabe recurso no processo arbitral, ele tentou na Justiça invalidar a arbitragem, sem sucesso. O senhor Brandão e sua empresa, que já foram representados por 9 advogados diferentes desde que instauraram o processo arbitral, perderam todas as ações ajuizadas até hoje sobre este tema. O Judiciário vem reconhecendo que o procedimento arbitral foi integralmente conduzido de forma regular.
Por fim, a reportagem se equivoca também sobre a carteira de planos individuais da Amil e sobre a atuação do Unitedhealth Group. A Amil tem se dedicado a atender da melhor maneira seus planos individuais, assim como todas as demais modalidades. A Amil e o UnitedHealth Group trabalham todos os dias para garantir que as pessoas tenham acesso a cuidados de saúde de alta qualidade.
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