As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram, na madrugada deste sábado (26), que concluíram seus ataques contra bases militares no Irã. A ofensiva, iniciada ontem (25), atingiu ao menos 20 locais nas províncias de Ilam, Khuzestan e Teerã. Toda comunidade internacional está em alerta para escalada da tensão no Oriente Médio, já que os iranianos afirmaram que já se preparam para retaliar.
Segundo o Exército israelense, a operação foi coordenada “em resposta aos ataques do regime iraniano contra o Estado de Israel e seus cidadãos” dos últimos meses. “O ataque retaliatório foi concluído e a missão foi cumprida”, diz comunicado.
O Irã, por sua vez, confirmou que dois soldados foram mortos nos ataques, que resultaram em “danos limitados“. O quartel-general da defesa aérea iraniana disse que a “ação agressiva foi interceptada e combatida com sucesso pelo sistema integrado de defesa aérea do país”. Já o Ministério das Relações Exteriores declarou que o Irã tem o “direito e obrigação de se defender contra atos agressivos externos”. [Confira a nota na íntegra no final da matéria]
Reação da comunidade internacional
Estados Unidos
Em meio a tensão, diversos países se manifestaram. O principal aliado ocidental dos israelenses, os Estados Unidos, pediu ao Irã “que cesse seus ataques a Israel para que este ciclo de combates possa terminar sem mais escalada”, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Sean Savett.
Apesar de defender que a operação de Israel foi um “exercício de autodefesa”, Savett ressaltou que os EUA não participaram da ofensiva, dizendo o objetivo dos norte-americanos “é acelerar a diplomacia e diminuir as tensões na região do Oriente Médio”.
Egito
O Egito, que tem coordenado os esforços para o fim da guerra na Faixa de Gaza, emitiu comunicado condenando “todas as ações que ameacem a segurança e a estabilidade da região”, ressaltando “sua posição de que um cessar-fogo na Faixa de Gaza deve ser alcançado rapidamente dentro da estrutura de um acordo por meio do qual os reféns sejam libertados, visto que é a única maneira de acalmar a tensão”.
Catar
Já o Catar, que também atua na mediação do conflito em Gaza, declarou que o ataque de Israel foi uma “violação flagrante da soberania do Irã e uma clara violação do direito internacional”.
O Ministério das Relações Exteriores catariano expressou “profunda preocupação relativamente às graves repercussões que podem resultar desta escalada” e apelou a todas as partes “para que exerçam contenção, resolvam as disputas através do diálogo e de meios pacíficos, e evitem qualquer coisa que possa desestabilizar a segurança e a estabilidade na região”.
Iraque
O Iraque também condenou Israel. “A entidade sionista ocupante continua com suas políticas agressivas e amplia o conflito na região por meio de ataques flagrantes que realiza com impunidade”, inclusive contra alvos iranianos, disse o porta-voz do governo Basim Alawadi em uma declaração denunciando “o silêncio da comunidade internacional” sobre as ações israelenses.
Arábia Saudita
A Arábia Saudita criticou os ataques militares ao Irã, mas pediu a todas as partes que “exerçam a máxima contenção e reduzam a escalada”. “O Reino afirma sua posição firme em sua rejeição à escalada contínua na região e à expansão do conflito que ameaça a segurança e a estabilidade dos países e povos da região”, diz nota.
Emirados Árabes Unidos
A nação do Golfo expressou “profunda preocupação com a escalada contínua e seu impacto na segurança e estabilidade regionais” e enfatizou a “importância de exercer os mais altos níveis de contenção e sabedoria para evitar riscos e a expansão do conflito”.
Reino Unido
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que o Irã não deveria responder aos ataques israelenses, pedindo moderação de todas as partes. “Estou certo de que Israel tem o direito de se defender contra a agressão iraniana. Estou igualmente certo de que precisamos evitar uma escalada regional maior e pedir a todos os lados que mostrem contenção. O Irã não deve responder”, disse ele em uma entrevista coletiva.
França
Já a França pediu “a todas as partes que se abstenham de qualquer escalada e ação que possa agravar o contexto extremamente tenso na região”.
Manifestação oficial do Irã
Declaração do Ministério de Assuntos Exteriores da República Islâmica do Irã ante o ato agressivo do regime sionista
Em nome de Allah, o Misericordioso, o Ministério de Assuntos Exteriores da República Islâmica do Irã considera a ação agressiva do regime sionista contra vários centros militares no Irã como uma clara violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, especialmente do princípio de proibição da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial e a soberania nacional dos países, e ele foi condenado de maneira mais severa.
Como eles enfatizaram muitas vezes as autoridades competentes da República Islâmica do Irão, a República Islâmica do Irão considera o direito e a obrigação de defesa contra atos de agressão estrangeiros, sobre a base do direito inerente à defesa legítima, que também se refletida no Artículo 51 da Carta das Nações Unidas.
A República Islâmica do Irã enfatiza o uso de todas as capacidades materiais e espirituais da nação iraniana para defender sua segurança e seus interesses vitais, assim como o cumprimento de seus deveres para a paz e a segurança regional, a responsabilidade individual e coletiva de todos os países da região para proteger a paz. E tome nota da estabilidade da região e aprecie todos os países amantes da paz na região e outros países que expressaram seu desgosto e condenaram a ação agressiva do regime ocupante israelense ao compreender as condições perigosas existentes.
Sem dúvida, a continuação da ocupação, as ações ilegais e os crimes do regime sionista na região, especialmente o genocídio do povo palestino e a agressão contra o Líbano, que continuam à sombra do amplo apoio militar e político dos Estados Unidos e alguns outros países ocidentais são a principal causa de tensão e insegurança na zona.
A República Islâmica do Irã, está registrando a responsabilidade de cada membro do Estado das Nações Unidas, da Convenção para a Prevenção e da Sanção do Delito de Genocídio e dos Quatro Convênios de Genebra de 1949, de adotar medidas urgentes e ações coletivas contra violações flagrantes do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. A Convenção sobre a Proibição do Genocídio e os Direitos Humanitários Internacionais, que considera uma grave violação da paz e da segurança internacionais, enfatiza a necessidade de uma ação imediata e urgente por parte da comunidade internacional, deter o genocídio, a guerra e a agressão contra Gaza e o Líbano e frear o belicismo do regime sionista.
Com informações da Al Jazeera e AFP
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MARTHA MASSAKO TANIZAKI
26 de outubro de 2024 12:40 pmA histeria belicista de israel não vai desaparecer com pedidos de paz visto que essa estratégia tem sido usada desde o início da agressão à palestina. Israel só vai mudar o seu comportamento após uma grande derrota militar!!!
+almeida
26 de outubro de 2024 8:29 pmEu entendo que toda essa barbárie que se espalha por todo o planeta, nada mais é do que a reedição da história universal, que sempre se apresenta adaptada em nova versão, mas que também sempre deixa visível como prova cabal o seu DNA indecifrável, que também evolui e se transforma, mas não consegue impedir o seu fácil reconhecimento e a sua transcendência milenar. Mais cedo que deveria, eu também entendo que Israel, através de seus governos e governantes, reencarna sua própria história e traz mais uma vez como carga repetitiva, maior e mais perigosa a audaciosa provocação e disseminação da arrogante desobediência a razão e o respeito a ordem mundial. Ainda que tenha sido vítima incontestável de um ataque covarde contra os seus, não deixará de ser o algoz das muitas culpas, erros, reprováveis agressões e prepotência contra o povo da Palestina. A fama desabonadora que muitos povos faziam dos judeus antes da existência do nazismo está se desenhando na lembrança atual de muitos países do mundo. A diferença é que hoje, a reprovação internacional define como alvo da sua indignação e discordância apenas o governo e alguns governantes superiores que abusam de seus poderes, para levar intranquilidade e perigo a pacifica população israelense.
Interpreto que a população israelense é o único freio com poder e eficiência suficiente, para dar um basta e extirpar definitivamente qualquer possibilidade de um terrível embate bélico entre as nações envolvidas e as que poderão se envolver, em caso de alastramento da guerra para o apocalipse.
Rafael
27 de outubro de 2024 2:31 amParece irônico, mas somente no dia em que o Irã também estiver em posse de armas atômicas, algo que Israel já possui e que não irá abrir mão, a paz vai chegar no Oriente Medio, haverá a implementação da solução dos 2 Estados e assim por diante..
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
27 de outubro de 2024 7:27 amAinda há tempo para o estado nazisionista salvar a população de Israel, antes que as trombetas dos maus presságios anunciem a chegada do dilúvio islamita. Somente a derrubada do estado nazisionista e subsequnete criação de um estado plural, pode evitar a catástrofe, Não se enganem, embora se mostre como uma fortaleza invencível, Israel padece um mal que o levará ao colapso, pois foi construido por sionistas de origem europeia sem nenhum vínculo com a palestina histórica, em terras que por direito, pertencem aos palestinos com a mesma identidade étnica, mas que seguem religiões diferentes e que viviam em harmonia por mais de 15 séculos.
Milton
27 de outubro de 2024 9:41 amTalvez o estarrecedor seja que o genocídio e as agressões israelenses copiam outro regime genocida do passado: o nazismo alemão.
Da mesma forma, mataram aos milhões na busca do direito à terra de antepassados ou supostos.
A causa inicial levantada deveria ser tratada dentro do Direito Internacional com julgamento e castigo aos envolvidos.
Nada justifica o horror israelense.
Para o mundo dito civilizado é assustador a facilidade com que se assassinam aos milhares.