10 de junho de 2026

José Genoino analisa o resultado das eleições e garante que a esquerda não morreu

Ex-presidente do PT critica o modo de governar com o Centrão e defende a criação de um projeto estratégico para o campo progressista

O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoino, participou da live de apuração dos resultados do segundo turno realizada pela TVGGN e apontou os caminhos para que a esquerda possa ter melhores resultados nas próximas eleições. 

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Para Genoino, o desempenho do PT neste pleito não foi ruim. Ele defende a análise além dos números, porque além da vitória de Evandro Leitão em Fortaleza, os representantes do partido disputaram bem as prefeituras de Cuiabá, no Mato Grosso, e em Natal, no Rio Grande do Norte. 

Em São Paulo, porém, Guilherme Boulos (PSOL) e sua vice, Marta Suplicy (PT), não conseguiram bater o favoritismo de Ricardo Nunes (MDB), apoiado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Acho que o Boulos ter passado para o segundo turno já foi uma vitória. Ele fez uma campanha politizada, enfrentou quatro monstros: a Faria Lima, a administração municipal e estadual, a mídia corporativa e a cultura com a isentona dessa cidade”, pontua o ex-presidente do PT.

Mas o psolista deve andar de cabeça erguida, na avaliação de Genoíno, tendo em vista que além da politização, o candidato do campo progressista teve de enfrentar diversas notícias falsas a respeito dele, a mais recente propagada por Tarcísio. Segundo o governador, a organização criminosa PCC teria ordenado que eleitores da periferia votassem em Boulos. 

Centrão

Genoíno garante estar otimista, apesar de as eleições de 2024 serem uma derrota da esquerda para a direita institucional neoliberal, que também pode ser entendida como Centrão. 

“O governo não pode fazer uma leitura em ir mais para a direita ainda, ficar nas mãos do rentismo, das privatizações, do ajuste fiscal e da desregulamentação. Vou defender que o PT demonstrou vitalidade nesta eleição, comparando com a anterior, que foi a terra arrasada”, observou o líder partidário. 

Para ele, o PT tem de passar por uma grande reforma na linha política, em especial sobre os métodos de organização – debate que deveria ser realizado antes das próximas eleições para presidente estadual e nacional da sigla. 

“[A eleição] não foi um desastre para a esquerda. A esquerda não está sitiada. A esquerda não morreu e ela tem força e potencialidade de indicações”, emenda o convidado. 

Futuro

José Genoíno, no entanto, tem caminhos para indicar, a fim de garantir o futuro do partido. “Precisamos de um projeto estratégico que enfrente o grande dilema de hoje, que é a precarização da vida, a eliminação de direitos, que enfrente a negação da política, que enfrente o individualismo ‘salve-se quem puder’. Que possa, através de um discurso politizado, uma estratégia de futuro resgatar a ideia de que outro mundo é possível, de que outra sociedade é possível.”

O entrevistado, que é um dos fundadores do PT, acredita não ser possível aceitar o discurso contra a polarização e apaziguamento das pautas progressistas. 

“Isso é a morte da esquerda. A esquerda tem de ousar, reciclar suas bandeiras, seu projeto, mudar seus métodos de atuação, saiu muito da institucionalidade e para a sociedade, se casar com essa efervescência social que apareceu na eleição e buscar, no meu modo de entender, um fortalecimento do meu modo de entender da relação com a sociedade civil organizada”, emenda.

Na avaliação do ex-presidente da sigla, os candidatos a vereador e algumas prefeituras que apostaram neste caminho se saíram bem. “Estamos em uma linha de resistência positivada e acho que esse é o caminho para fazer uma espécie de reforma.”

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    27 de outubro de 2024 10:03 pm

    A direita é primitiva. Mesmo com laivos de civilidade, sempre permanecerá primitiva; na prática do vale tudo. Caçadora. Ao contrário, a esquerda é a negação do primitivismo. Daí a dificuldade de mentir, trapacear, atos comuns na natureza primitiva. A busca por métodos cada vez mais trabalhosos e elaborados. Os dois espectros políticos sempre existirão. Esquerda e direita, portanto, são inevitáveis. No meio, a multidão, a maioria. Ora tendente a uma; ora tendente à outra.

  2. Milton

    28 de outubro de 2024 8:02 am

    O PT perdeu a narrativa e o sonho.
    A juventude migrou para o celular e o PT ficou sem os milhares de militantes engajados e sonhadores.
    Onde a moçada com bandeirinhas no ombro e distribuir santinhos, visitar grotões ?
    E antes, onde as lideranças participativas ?
    Tudo “dominado” pelo ar condicionado.
    As grandes lideranças sumiram e novas idéias, novas idéias ?
    Quais os anseios do povão ? Dúvidas ? O que está pegando por aí ?
    Lula e ministros sequer fazem o contraditório ao discurso das meias verdades/mentiras completas dos globais.
    Nadam de braçada.
    Comunicação social organizada. O quê ? É palavrão ?
    Será que sabem que existe internet ? Celular ? TV ?
    E pior, povão ?
    Neca pau, Genoíno.
    Deveriam aprender com Brizola e suas palestras.
    Mas já sabem tudo e mais um pouco . . .

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