10 de junho de 2026

Ninguém escreve ao presidente, por Felipe Bueno

Nicolás Maduro continuará como o líder nacional ao longo de todo o mandato do seu homólogo brasileiro a ser eleito em 2026

Ninguém escreve ao presidente

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por Felipe Bueno

Admitamos que nada tenha acontecido de errado ou irregular nas últimas eleições da Venezuela. Até porque, para efeitos práticos, não adiantará questionar. Com a vitória e seus mais de 5 milhões de votos, superando “o fascismo e os demônios”, Nicolás Maduro conquistou o direito de completar pelo menos 18 anos à frente da Presidência da República.

Portanto, segundo a matemática mais elementar, ele continuará como o líder nacional ao longo de todo o mandato do seu homólogo brasileiro a ser eleito em 2026 – e nada nos autoriza a imaginar que haverá aqui alguém mais complacente que Lula com relação aos excessos bolivarianos.

Assumindo que a verdade em situações como essa é inatingível, ocupando talvez o mundo supralunar de Aristóteles, podemos, no máximo, fazer aproximações e projeções com base em nossos estudos, ponderações e experiências.

Tais subsídios nos permitem imaginar pelo menos duas tendências: do lado de cá, após um constrangido e incômodo silêncio, o governo brasileiro começou a esboçar uma reação pragmática, em linha com a posição do Ocidente e, ao mesmo tempo, sem fugir dos propósitos de manter o Brasil em sua posição teórica e prática de liderança regional.

Do lado de lá, já soa como inevitável, por outro lado, uma saraivada de agressões, mais ou menos diplomáticas, como a visão do procurador-geral Tarek William Saab de que Lula é um “agente da CIA”.

Continuando com projeções baseadas em fatos e possibilidades, podemos escolher o caminho mais pessimista e enxergar, para o médio prazo, um afastamento real entre as duas nações, o que, salvo engano, traz muito mais prejuízo para venezuelanos que para brasileiros. Há como reverter essa possível tendência com menos barulho e mais realpolitik?

A pergunta traz uma preocupação concreta, e faz sentido especialmente se, por um momento, deixarmos de lado os políticos de terno e gravata que, protegidos em seus gabinetes, ditam os rumos do continente enquanto homens e mulheres comuns seguem sendo personagens desse eterno realismo mágico latino-americano.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    4 de novembro de 2024 6:58 pm

    É evidente que a Venezuela não está sendo tratada como deveria pelos EUA e seus Estados vassalos europeus. Mas isso não justifica a estúpida proposta de Maduro de invadir a Guiana. Pior, ele disse que pretende fazer isso utilizando o território brasileiros. O Brasil não pode impedir esse maníaco de começar uma guerra contra o vizinho, mas ninguém tem o direito de invadir nosso território. Maduro pisou na jaca e tem que levar muito ponta-pé na bunda até anunciar que desistiu de invadir o Brasil para chegar à Guiana e pedir desculpas ao nosso país. Enquando ele não fizer isso tropas brasileiras e material bélico terão que ficar na fronteira com a Venezuela.

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