
José Yunes que delatou sem a necessidade de acordo com o MP o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é um empresário de sucesso. De muito sucesso. E de muitas empresas, muitas delas difíceis de entender para quem está acostumando com negócios de formato tradicional. Há muitas formas de colocar uma lupa sobre elas, uma é atentar para o nome de Arlito Caires Santos, morador de Barueri, que o blogue procurou para conversar antes desta publicação. Arlito, ou alguém que tem sua senha do Facebook, visualizou a mensagem e preferiu não responder.
Arlito Caires Santos é sócio na Stargate do Brasil Estética, Produtos e Serviços Ltda, nascida em novembro de 2001 e cujo objeto social é “comércio varejista de artigos médicos e ortopédicos”. Seu capital, RS 2.646.058,00. Desse valor, Arlito é dono de apenas 1 mil reais.
A Stargate do Brasil na verdade é filha da offshore, criada em agosto de 2001, no estado de Delaware, famoso paraíso fiscal norte-americano, por Glorybel Sousa e que poucos dias depois de aberta teve José Yunes nomeado como seu procurador.
Até onde o blogue apurou essa parece ser a primeira operação de uma teia de formação de empresas para algum tipo de finalidade não muito clara que começa a ganhar mais complexidade depois de uma década.
Golden Star e LightedHouse, duas empresas que passaram a operar no mesmo dia
Em 29 de maio de 2013, começa a Golden Star Serviços e Participações Ltda, na rua Texas, 1152, com capital de 5.720,000,00 para realizar “atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica especifica, aluguel de imóveis próprios, atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios imobiliários, exceto imobiliários de holdings de instituições não-financeiras”.
No mesmo dia, nasce a LightedHouse Serviços e Participações, com um capital de 5.380,000,00. Também localizada na rua Texas, 1152, no Brooklin. Em ambas as empresas, Arlito tem 1 mil reais de participação. Todo o restante, mais de 11 milhões de capital, é da Stargate, a empresa controlada por Yunes.
O blogue apurou que no local onde ambas estão registradas, na verdade, funciona um escritório de contabilidade, a Sema Contábil.
Outras empresas de Arlito

Além dessas empresas em sociedade direta com a Stargate, Arlito Caires Santos tem algumas outras. São elas: Caires Music Produções e Eventos Musicais Ltda, Bardi Participações Ltda, MHS, Administração de bens próprios Ltda e Sitio Bonaparte Imóveis e Participações Ltda.
Em 1/10/2010, Arlito abriu com Suellen Pereira Santos, a Caires Music Produções e Eventos Musicais Ltda, com um capital de 60 mil reais. Desse total, 57 mil são de Arlito e 3 mil de Suellen. A área de atuação definida em contrato é de “produção musical, serviços de organização de feiras, congressos e festas”.
Dois anos depois, em 6/11/2012 ele criou a Bardi Participações Ltda. O objeto social é “Holding de instituições não-financeiras”. Ela fica localizada, pelo que o blogue apurou, no mesmo endereço onde residem Arlito Caires Santos e sua esposa, Maria de Fátima Pereira Santos, que é sua sócia. Cada um deles tem 50% das cotas de um capital total de 120 mil reais.
Em 25 de agosto de 2015, Arlito e sua esposa abrem outra empresa, a MHS Administração de Bens próprios Ltda, desta vez com um capital bem maior, de 1.280,000,00. Cada qual com 50% das ações e tendo como endereço o mesmo da residência de ambos. A empresa tem por objeto social a “compra e venda de imóveis próprios, outras sociedade de participação, exceto holding, aluguel de imóveis próprios e holdings de instituições não-financeiras”.
Sitio Bonaparte
No Sítio Bonaparte, que é a maior empresa onde Arlito tem participação, com capital total de 8 milhões de reais, as idas e vindas societárias chamam a atenção para uma teia ainda mais complexa.
A empresa foi criada em 14/02/2012, com capital de 8 milhões de reais e sede na rua Senador Queiros, 505, no centro de São Paulo. Neste local funciona a loja Mabel, como se pode ver na foto abaixo. A partir da loja Mabel, que tem filial em Recife e Ceará abre-se uma nova ramificação de empresas com outros personagens.
A Mabel atua na área de importação e exportação de produtos típicos chineses, como se pode ver pelo seu site.
Seus sócios atuais são a GB 17 Participações Ltda, a Golden Star Serviços e Participações Ltda. e Izaias Alves de Araújo. A administradora é Ana Paula dos Santos Nunes de Brito.
A GB 17 é de Gilberto Pereira Brito. Ana Paula é a sua esposa pelo que se pode inferir dos documentos. O blogue tentou localizar Gilberto, mas não obteve sucesso. A Golden Star é uma das empresas de José Yunes com Arlito, onde o primeiro tem mais de 99% do capital. Ou seja, Yunes também é dono da Mabel.
Voltando ao objeto social da Sítio Bonaparte, ela é definida como de “compra e venda de imóveis próprios, aluguel de imóveis próprios, holdings de instituições não-financeiras”.
O leitor já deve ter percebido que várias das empresas criadas tem essa finalidade. Por coincidência ou não, a mesma da Yuni Incorporadora S.A, empresa da família Yunes, com capital aproximado de 180 milhões, que construiu o Spacio Faria Lima, onde a Tabapuã, empresa do presidente Michel Temer, tem duas salas no 25º andar.
A diretoria e participação societária da Bonaparte é a seguinte:
– Arlito Caires Santos, representando a LightedHouse e Serviços e Participações Ltda, que como você que chegou até aqui já sabe, não é de Arlito, mas de José Yunes. E que entra com 2 milhões de capital na Boanaparte.
– A Bardi Participações Ltda, com valor de participação de 2 milhões de reais na sociedade. A Bardi, como já registrado acima, é de Arlito e de sua esposa. Ambos tem 50% das cotas da empresa. Quem representa a Bardi neste contrato é Maria de Fátima Pereira Santos.
– Gilberto Pereira Brito, representando a Telugo, e que também tem 2 milhões de capital investido.
– E a Imoto Participações Ltda, também com capital de 2 milhões de reais, representada por Izaias Alves de Araújo.
A despeito de todos esses nomes, tudo leva a José Yunes de novo. No contrato de formação da Golden Star, na página 15, há um contrato de empréstimo da Stargate do Brasil, aquela empresa mãe de todo o esquema e que surge a partir da offshore criada em 2001 por Glorybel Sousa, de empréstimo de R$ 2 milhões para Gilberto Pereira Brito. No próprio contrato fica estipulado que se Gilberto não honrasse o compromisso em 60 dias, as ações que ele comprou no Sítio Bonaparte passariam a ser da Golden Star, ou seja, de Yunes. Não é possível saber, mas a hipótese do blogue é que este empréstimo acabou não sendo pago.
As conexões não param por aí. O emaranhado de empresas e nomes que vão surgindo indicam uma clara tentativa de esconder algo. O “irmão” de Temer, que disse ter sido feito de mula por Eliseu Padilha, parece entender muito mais desse universo de negócios heterodoxos do que sua declaração sobre o doleiro Lucio Funaro, operador de Cunha, indicava.
Yunes também parece não operar apenas para si.
É importante que o leitor não deixe de atentar para uma coisa, o atual presidente sempre pleiteou diretorias de Portos e Aeroportos quando deputado. Mesmo não tendo atuação aparente nessa área.
No governo Dilma, num dado momento Temer tinha Moreira Franco como ministro da Aviação Civil, e Edinho Araújo, dos Portos. Dois homens de sua total confiança. Na carta que deixa vazar e que indica claramente seu rompimento com a presidenta, Temer cita a demissão de ambos como fatores importantes para a decisão.
Yunes se diz irmão de Temer por ser amigo dele desde o final dos anos 50. Mas ao que tudo indica é mais do que isso.
Mais matérias
No dia 24, este blogue publicou a primeira matéria sobre os documentos do Tabapuã Papers, criado em 31/12 do ano passado.
A partir disso, o Anonymous entrou no jogo e espalhou a documentação na rede.
Na sequência, outros blogueiros começaram a destrinchar o material.
O Miguel do Rosário, do Cafezinho, fez uma matéria chamando a atenção para a sociedade de Roberto Marinho na Maraú, empresa da qual o filho Marcos de José Yunes se torna sócio logo depois da sessão do impeachment.
O Azenha chamou a atenção para a ZHouse, empresa dos Marinhos, que acaba ficando com uma parte da Maraú.
Nassif fez dois textos abrindo novas trilhas do material e num deles destaca o banco Pine, uma parte importante dessa história e que ainda merece um olhar mais atento.
Em outro texto Nassif também joga luzes sobre a Maraú.

marcosomag
27 de fevereiro de 2017 11:09 pmHora de derrubar o golpista!
Diante do mar de lama envolvendo conexões Yunes/Temer/Globo, resta apenas a pergunta? A bancada do PT no Senado vai para cima ou vai passear em Israel?
E, antes que eu me esqueça: Fora, Temer!
É só o que ouvimos pelas ruas do Brasil na segunda-feira de carnaval.
Eduardo Outro
27 de fevereiro de 2017 11:38 pmNesta semana balanca, na
Nesta semana balanca, na próxima cai. E aí ? Rodrigo ? Eunicio ? Muita vontade dos dois mas um tem problema na coluna, outro na próstata e se afastarão para tratamento. Que venha Carmen, sem recepcão de mala de “mula”, sem conta na Suica, sem sequer um pequeno pedalinho em seu laguinho. Problema, também sem competência. E aí ? Premida pelas circunstâncias trabalhará por uma PEC Eleicões diretas já. Dindon dindon din…Caraca ! Maldito despertador !
paulovi
27 de fevereiro de 2017 11:50 pm‘É muita informação prá nóis
‘É muita informação prá nóis da roça absorvê, então, não vem ao caso’, diria certo elemento do judiciário.
Junior Sertanejo
28 de fevereiro de 2017 12:10 amBelo trabalho de Renato
Belo trabalho de Renato Rovai.A chapa esta esquentando.Com a certeza de que quarta feira de cinzas esta a caminho,o Moreno de Pocos esta debrucado sobre o seu indecifravel Xadrez,para mais uma mexida.Quem sabe um xeque mate nao esta a caminho.A barragem de Mariana II trincou,se romper vai ser lama para tudo que e lado.Moro sera engolido por ela.
Junior Sertanejo
28 de fevereiro de 2017 10:02 pmToda vez que eu enfio Moro em
Toda vez que eu enfio Moro em meus comentarios,os que aqui aportam recolhem o fllap.Deixem estar,Moro e um mito de pes de barro.
jose carlos vieira filho
28 de fevereiro de 2017 12:40 amperguntinha
tem dinheiro limpo no Brasil?
rita scaramuzzi
28 de fevereiro de 2017 1:18 amdesse poço sairá muita lama
desse poço sairá muita lama ainda.
Alan Souza
28 de fevereiro de 2017 11:26 amO problema é
Os Procuradores do MPF não enxergam esse poço, nem se caírem de cabeça nele…
rita scaramuzzi
28 de fevereiro de 2017 5:25 pmpara um assalariado é dificil
para um assalariado é dificil entender negocios heterodoxos…..
Junior Sertanejo
28 de fevereiro de 2017 12:23 pmPermita-me companheira,desse
Permita-me companheira,desse poco nao,dessa barragem.Mariana II por exemplo.Talvez pela sua idade,voce desconhece a quantidade acumuluda.
Raimundo Boaventura
28 de fevereiro de 2017 11:32 amO laranja mor.
É impressionante como blogues, e outras plataformas de informações, sejam tão efetivas em desvencilhar as grandes corrupções no Brasil, em sentido inverso estão as instituições estatais obrigadas por lei a tal mister.
A RFB, o MP, a PF, o TCU, enfim, todos os órgãos que têm atribuições investigativas foram, e são, desidiosos, prevaricadores e parte interessada nas falcatruas, pois omissos,no mínimo, em seu dever legal.
Pergunta-se, será que vale a pena gastar milhões em aparelhamento e preparo dos agentes lotados nestes órgãos, se o que lhes move, unicamente, é a defesa dos seus interesses? Ou, para manter o acobertamento da organização criminosa que habita as profundezas do Estado, com poderosos sócios criadores de laranjais?
Decididamente perderam a vergonha. Já não temem a exposição, pois confiam plenamente em “sua” justiça, seletiva, beneficiária, como se infere, do butim,e com segredos bancários e de alcova inconfessáveis. Literalmente somos governados por uma imensa holding de ladrões. Resta saber a quem cabe o controle societário.
emerson57
28 de fevereiro de 2017 1:30 pmsobra
Depois de todo esse mingau devidamente esclarecido,
restará apenas um limpo para tocar o barco.
Dilma Vana Roussef.
Resta saber se ela aceita.