25 de junho de 2026

Alberto Youssef e sua estreita relação com políticos do Paraná

Sugerido por Francisco A. de Lima
 
 
‘O DOLEIRO DO PARANÁ’ – Relação estreita com políticos do Paraná
 
Na CPI da Copel, instalada em 2003, parlamentares aliados ao ex-governador do Estado Jaime Lerner barraram depoimento de Youssef
 
Por Mariana Franco Ramos
 
Preso pela Polícia Federal sob a acusação de ser o pivô da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef já esteve envolvido em pelo menos quatro outros grandes escândalos, todos envolvendo políticos e agentes públicos, entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000 no Paraná: em Maringá, na gestão de Jairo Gianoto, o AMA-Comurb em Londrina, o esquema de lavagem de dinheiro do Banco do Estado do Paraná (Banestado) e a fraude contra a Companhia de Energia do Paraná (Copel). O último deles foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na Assembleia Legislativa (AL) no dia 17 de março de 2003. O objetivo era apurar supostas ilegalidades ocorridas durante o processo de tentativa de privatização da estatal, a partir de 2001, na gestão do ex-governador Jaime Lerner (na época no PFL). 
 
Conforme o relatório final aprovado pela AL, fizeram parte da CPI os então deputados Marcos Isfer (PPS), que assumiu a presidência do grupo, Ademar Traiano (PSDB), escolhido como vice-presidente, o relator Ratinho Junior (na época no PPS, hoje no PSC), os sub-relatores Alexandre Curi (PMDB), Vanderlei Iensen (PMDB), Tadeu Veneri (PT) e Durval Amaral (na época no PFL), além de Valdir Rossoni (na época no PTB, hoje no PSDB) e Fernando Ribas Carli (PP). A maioria deles integrava a base de apoio a Lerner no Legislativo. 
 
A principal denúncia investigada foi o caso conhecido como Copel/Olvepar. De acordo com o documento, a empresa do setor agropecuário, que teve falência decretada em agosto de 2002, em Cuiabá (MT), vendeu créditos irregulares de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para a Copel, no valor de R$ 45 milhões, por R$ 39,6 milhões. A operação foi autorizada pelo então secretário de Estado da Fazenda, Ingo Hubert, que era também diretor-presidente da Copel, e pelo ex-conselheiro do Tribunal de Contas (TC) Heinz Herwig. 
 
Ainda de acordo com as investigações, Youssef foi flagrado em vídeo nos dias 6 e 13 de dezembro de 2002, por volta das 18 horas, sacando dois pagamentos de R$ 13,2 milhões em uma agência do Banco do Brasil, juntamente com Antônio Carlos Fioravante Pierruccini, representante da massa falida da Olvepar, e o tesoureiro da Copel André Grochevski Neto. A outra parte da transação, no mesmo valor, foi efetuada da mesma forma em 20 de dezembro. Do total, R$ 3,2 milhões foram entregues à empresa Rodosafra Logística e Transportes e o restante diluído em cheques, depositados em três contas de microempresas do Rio de Janeiro, operadas por fantasmas. 
 
“É importante ressaltar que Youssef queria realizar o saque mesmo o beneficiário não sendo ele, o que dá um forte indício de que a destinação dos recursos era mesmo responsabilidade do ‘doleiro’ e este tinha controle de toda a situação”, diz um dos trechos do relatório, que também acrescenta: “Se os créditos tivessem condições legais de serem restituídos, o deveriam ser à massa falida da empresa Olvepar, contudo, como visto, não foi o que ocorreu”. 
 
Após o fim dos trabalhos da CPI, Ingo Hubert e outras sete pessoas, entre elas Youssef, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, sob acusação de formação de quadrilha e peculato fiscal. Em seguida, o Ministério Público (MP) ingressou com uma ação civil pública e uma ação criminal, na 3ª Vara da Fazenda Pública e na 2ª Vara Criminal de Curitiba, respectivamente. A primeira delas indicava que os réus deveriam pagar as custas processuais e os prejuízos causados ao erário público, calculados em R$ 106,9 milhões. Até hoje, contudo, nenhum dos processos chegou a ser julgado. 
 
“CADÁVERES ENTERRADOS” 
 
Em entrevista à FOLHA, o deputado estadual Tadeu Veneri disse que, durante a CPI, tentou protocolar um convite para que tanto Hubert como Youssef prestassem esclarecimentos no plenário da AL. No entanto, foi voto vencido. “Perdi por oito a um. Todos os deputados foram contrários à vinda. Engraçado, agora posarem como Madalenas arrependidas”, declarou. 
 
Sobre a possibilidade de o doleiro voltar a depor sobre o caso na Justiça, o petista afirmou que “gostaria muito de saber por que esse processo está desde 2003 parado”. “É inusitado que não haja curiosidade de alguma pessoa abrir e ver o que há lá dentro. Nós entregamos inclusive os vídeos e assinaturas do Pierruccini dizendo que recebeu dinheiro e, até hoje, não foi perguntado o que ele fez com aquilo. Então, talvez, o Youssef agora possa levantar esses cadáveres que estão enterrados há 11 anos”, afirmou. 
 
Já o deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), que atualmente ocupa a liderança do governo Beto Richa (PSDB) na AL, curiosamente alegou que não fazia parte da CPI, embora seu nome conste no relatório como vice-presidente do grupo. “Você está equivocada. Eu votei pelo processo de privatização da Copel e hoje me arrependo. Mas não fiz parte de CPI. Não cabe a mim a pergunta”, afirmou. “Isso (depoimento do Youssef) depende da Justiça, que como melhor entender, se necessário, vai buscar; não do deputado Traiano”, completou.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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7 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    21 de abril de 2014 11:22 am

    A ignorância da sociedade é

    A ignorância da sociedade é grande.

    Ao invés de se preocupar com a corrupção endêmica se preocupa apenas com políticos de determinado partido e fecham os olhos para todo o resto.

    Marcos Valério, Daniel Dantas, Cachoeira, esse doleiro, as empreiteiras….

    Ramificações em todos os partidos.

    Enquanto a sociedade LIBERAL achar que caçando os políticos resolverá a corrupção…

    ela continuará, passará de partido para partido, de pais para filhos.

    O embrião da corrupção não é o Estado, e o empresário ganancioso,

    tudo bem, quem quiser substitua ganancioso por lutadores pela sobrevivência.

    1. Juliano Santos

      21 de abril de 2014 1:59 pm

      É, Assis, li a excelente

      É, Assis, li a excelente matéria de capa da Carta Capital, que é sobre isso, a corrupção “a la brasileira”, onde os corrompidos são os degenerados e os corruptores, cidadãos acima de qualquer suspeita, nada tem a ver com isso.

      Creio que é uma característica atávica das camadas médias e altas da sociedade brasileira. Muitas vezes advogando em causa prórpria. O sujeito dá a propina ao agente público e se sente acharcado. A desculpa é que “não tem outro jeito”. E põe-se como vítima de um estado corrupto.

      Parece aquele história do “não sou viado, quem deu a bunda foi ele”

      Mas o interessante é que na matéria da Carta, esse discuros do achaque fica claramente desmascarado. Grandes empresas que tem negócios com orgãos públicos não são coagidos a pagar comissão.

      Não é assim que funciona. A licitação não é tão dificil de ganhar, mesmo porque, a concorrência é pequena. Muito poucas empresas tem condições de prestar aquele serviço específico. Estamos falando de uma economia altamente monopolizada. O grande lance é conseguir ir encaracendo o seu serviço e produtos ofercidos ao Estado, os famosos aditamentos. Os corrompidos tem essa função. Isso está longe de ser um achaque

  2. LACosta

    21 de abril de 2014 1:08 pm

    Privataria Tucana

    Consta do livro do Amaury Ribeiro Júnior nas páginas 92 – 93 e seguintes a relação com a entourage tucanas de altas plumagens e bicos bem longos…

  3. joe

    21 de abril de 2014 1:17 pm

    O senhor Álvaro Dias é

    O senhor Álvaro Dias é senador por qual estado?

    Será que só tem as viagens nas aeronaves do Youssef ?

  4. YuriR

    21 de abril de 2014 2:01 pm

    Na matéria constar o nome

    Na matéria constar o nome do Senador Álvaro Dias, nem pensar…

  5. Edson Fernandes Martins

    21 de abril de 2014 5:59 pm

    Aécio Neves

    Enquanto os tucanos posam de vestais, Ouro Preto vive um dia especial. Está presa pelos preparativos para a principal data do Estado: o Dia da Inconfidência. Ao contrário de todos os anos, quando a festa ocorre pela manhã, em 2014, ano eleitoral, o evento foi remarcado para a noite, à espera da chegada daquele que se pensa o filho eterno: Aécio Neves passou o dia em São João del Rey, nas homenagens ao avô morto e só estará livre à noite. E o candidato preparou o terreno – e as doces e humílimas almas dos administradores da histórica cidade para que protagonize o grande ato de hoje à noite. Enquanto isso, os cidadãos, o comércio, os turistas, a vida enfim de Ouro Preto ficou interrompida na sua praça principal, justamente chamada Praça Tiradentes, pela qual passam todos os caminhos da cidade. Tudo parou à espera daquele que se acha herdeiro do príncipe da privataria, ele próprio na expectativa de uma noite de grande brilho.

  6. aliancaliberal

    21 de abril de 2014 6:05 pm

    As mesmas estratégias de

    As mesmas estratégias de sempre.

    “Não fui eu.”

    “Eu não sabia”.

    “Não é só nós que roubamos”.

    “Todo mundo faz”.

    “Eu não li”.

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