Morto ontem, aos 87 anos, o empresário Roberto Figueiredo do Amaral foi o retrato acabado do lobista efetivamente influente. Como assessor da empreiteira Andrade Gutierrez, atravessou vários governos mantendo a mesma influência.
A história abaixo me foi contada por Lafayette Coutinho, um ex-executivo do Banco Econômico, nomeado presidente do Banco do Brasil por Fernando Collor.
Com Collor sob fogo intenso do Congresso, podendo ser cassado, Lafayette entrou em contato com Amaral, procurando formas de defesa. Amaral o levou a dois políticos influentes: o governador paulista Luiz Antônio Fleury e o ex-governador Orestes Quércia.
Foi feita então uma negociação. Amaral definia quais as obras federais que eram de interesse da Andrade Gutierrez, montavam uma ata com as condições exigidas e garantia-se o apoio das bancadas de ambos contra o impeachment.
Com o acordo firmado, Lafayette entregou o envelope a Collor. Um mês depois, entrou novamente na sala da presidência, e o envelope estava lá, intocado. Collor rendera-se a uma depressão, que tirou dele qualquer capacidade de iniciativa.
Tempos depois, entrevistei Collor e indaguei quais os motivos para ele ter entrado em depressão. Disse-me que foi o afastamento da Ministra Zélia Cardoso de Mello e sua equipe. Não entendi. Zélia foi uma das ministras da Fazenda mais medíocres que conheci em toda minha vida profissional. Mas Collor disse que a juventude do grupo transmitia uma química que o estimulava.
Aliás, quando saiu o livro de memória de Zélia, constatei que participei de seu último ato. Zélia passou a ser alvo dos irmãos Gilberto Miranda e Egberto Batista de estreitas ligações com o malufismo – ambos foram responsáveis pelo Dossiê Cayman e outras armações, em geral divulgadas pelo jornalista Fernando Rodrigues na Folha.
Quando soube, denunciei as manobras. Aí recebo um telefonema da Zélia agradecendo o apoio. Gentimente, informei que não havia apoio algum a ela: eu apenas estava denunciando manobras de dois peso-pesados.
Em seu livro ela menciona a consulta a um jornalista e a conclusão de que não teria apoio entre os jornalistas. Foi o capítulo final, que a fez pedir demissão.
Leia também:
Francisco Santos
27 de dezembro de 2024 8:14 pmCollor foi um louco eleito pela midia familiar brasileira e, assim como Bolsonaro afundou o país com sua mediocridade
E as influências dos lobistas decantuplicaram nunca via isso, inclusive sobre as especulações do dolar no SFN
Pra mim já é tempo de montar uma policia financeira no país, especialista nos crimes econômicos, e deixar de sobrecarregar os outros órgãos