13 de junho de 2026

O PGR e a cabeça da hidra, por Luís Nassif

Gaeco Nacional atuará na fase investigativa, mas poderá estender sua atuação à fase judicial, “em articulação com os procuradores naturais”.
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À luz da Lava Jato, a  criação do Gaeco Nacional, para atuar na área da Procuradoria-Geral da República é uma decisão que precisa ser bem analisada. Gaeco ou Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado é um braço dos Ministérios Públicos, necessária para atuar contra organizações criminosas com alcance estadual ou nacional.

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A questão é outra.

O Gaeco poderá atuar proativamente – isto é, dependendo da vontade do PGR -, “sugerindo sua participação em investigações de grande complexidade ou repercussão nacional”, segundo a Procuradoria-Geral da República.

Terá competência para atuar em situações como:

– Crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito

– Terrorismo e violações graves aos direitos humanos

– Crimes contra a Administração Pública, cometidos por organizações criminosas com repercussão nacional

– Infrações penais relacionadas a facções criminosas e milícias

– Crimes ambientais, como garimpo ilegal em terras indígenas

– Atuação criminosa com impactos interestaduais e internacionais

Terá sede em Brasília, com 15 procuradores selecionados por meio de edital, mas de nomeação do próprio PGR, estrutura própria, com recursos humanos e materiais essenciais e com a coordenação de um subprocurador-geral da República, escolhido pelo PGR e aprovado pelo Conselho Superior. 

Atuará na fase investigativa, mas poderá estender sua atuação até a fase judicial, “em articulação com os procuradores naturais”.

Também poderá montar operações conjuntas com os Gaecos locais.

A concentração de poder nas mãos do PGR é inédita. Na Lava Jato, houve a concentração em Sérgio Moro, mas fruto de uma conspiração avalizada pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4a Região). Agora, não. O Gaeco Nacional está institucionalizado, concentrando todos os poderes nas mãos do PGR.

Tome a definição de “- Crimes contra a Administração Pública, cometidos por organizações criminosas com repercussão nacional”. 

Suponha que o PGR resolva criminalizar a ajuda da Petrobras à Unigel, na qual ex-diretores da empresa foram acusados de pressionar departamento técnicos para aprovar um parecer favorável à operação.

Por muito menos, com base em informações falsas, PGR e Supremo Tribunal Federal – através do ex-ministro Joaquim Barbosa – produziram uma crise política que abriu espaço, mais tarde, para as armações da Lava Jato. E era tudo uma disputa de espaços político pelas corporações públicas.

É evidente que o Gaeco Nacional visa empoderar politicamente a PGR, para disputar espaços hoje em dia controlados pela Polícia Federal. Mas pode-se estar recriando a cabeça da Hidra.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Naldo

    19 de fevereiro de 2025 7:38 am

    O tal gaeco paulista deu muito certo… taí o crime organizado paulista pra confirmar….

  2. Rui Ribeiro

    19 de fevereiro de 2025 7:46 am

    Será que o Congresso Nacional vai anistiar a Rataria abaixo da linha da ética?
    Né puçive.

  3. Paulo Dantas

    19 de fevereiro de 2025 10:24 am

    Civil, Militar e Federal.

    Aí a Rodoviária sai da estrada e vem pra cidade.

    Grupos nacionais quando a responsabilidade é estadual.

    Se arma as Guardas Municipais.

    No meu bairro vou criar uma polícia, outra no condomínio.

    Poderiam criar uma do Mercosul.

    E o crime só cresce …

  4. Wolney Lima Silva

    19 de fevereiro de 2025 2:50 pm

    Tudo, no Brasil é variável por exemplo, os Princípios dentro de uma mesma instituição pode ter vários deles, os princípios!
    Só radicalizar, não é solução é preciso matar a Hidra, cortar cabeças todos sabem onde vai dar.

  5. Machado do Assis

    19 de fevereiro de 2025 7:47 pm

    O Eduardo Paes a querer criar a sua própria guarda pretoriana armada para NÃO fazer o que a PM NÃO faz e o Segurança Presente ajuda. Os Prefeitos criando Guardas Municipais municiadas de armas “não letais” que matam, que além da guarnição humana, tem a canina, além da garbosa”Polícia Montada” em bucéfalos públicos (refiro-me aos equinos, é claro). Toda “otoridade” federal, estadual ou municipal agora aparece na TV de coletinho estilo militar (alguns devem ser à prova de balas), identificando a função (?) e o nível de poder do ungido.Secretários de Segurança e Delegados de Polícia se apresentam com uniformes táticos aparentando estarem prontos para embarcar no próximo avião KC 390 para combater o crime…na Ucrânia. Algumas repartições judiciárias mantêm grupos de ação especial que mais parecem saídos dos caminhões da SWAT (Marcos Ribeiro do Phodemos que não nos leia). Enquanto isso, o marcola e o beira-mar que são pessoas sensatas fizeram um acordo de paz e cooperação, um exemplo para os EUA e Israel.

  6. João

    20 de fevereiro de 2025 3:18 pm

    celular no colégio.
    O celular é um objeto pessoal.
    Isto representa uma afronta a Segurança Pessoal.
    É conveniente o porte.
    Está proibido interferir na vida pessoal das pessoas.
    O colégio se torna um ambiente obscuro.
    Intencionalmente é posicionado para criar uma barreira.
    É obrigatório não interferir na vida pessoal das pessoas.
    É uma afronta aos Direitos Civis.
    É uma afronta ao Estado Democrático de Direito.
    O Código Penal
    DECRETO-LEI N. 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 foi acionado.
    TÍTULO XII
    DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
    CAPÍTULO I
    DOS CRIMES CONTRA A SOBERANIA NACIONAL
    Atentado à Soberania
    Art. 359-l.
    TÍTULO I
    DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
    Tempo do crime
    Art. 4
    É obrigatório implementar a Pena Capital.

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