19 de junho de 2026

Assis Valente em Poços de Caldas, por Luís Nassif

Assis Valente morou, em 1935, na pensão de Dona Valmira, que lembra algumas particularidades, desde sua solidão à sua primeira música.

Revirando meus arquivos, encontro um relato da conversa que tive nos anos 90 com a dona da pensão onde Assis Valente morou em Poços de Caldas.

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Aqui, o relato.

Entrevista com dona Valmira, ex proprietária da Pensão do Carmo onde viveu Assis Valente.

Com sua idade avançada, D. Valmira apesar de ter se esquecido de muitas particularidades da personalidade de Assis Valente, que viveu durante quase um ano, em 1935, em sua pensão, a Pensão do Carmo, lembra-se de um momento trágico.

“Chorei demais ao saber do suicídio de Assis Valente. Estava ouvindo novelas pela Rádio Nacional, quando interromperam a programação para noticiar a sua morte”.

Segundo dona Valmira, Assis Valente estava “sempre alegre” apesar de seus momentos de solidão em que lamentava: “essa vida, porque será que a gente vive?”.

Assis Valente, um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira, tinha hábitos pouco extravagantes. Dormia cedo, não tomava refeições na hora e, quando tocava, preferia ficar sozinho no quarto em que, também sozinho dormia”

Apesar de seus momentos de angústia, segundo D. Valmiria, o compositor era um grande contador de anedotas. E muito estimado pelos demais companheiros.

“Uma vez”, relata D. Valmiria, “ele chegou tarde para almoçar, pois tinha ido visitar a Fonte dos Amores. Eu estava lhe preparando a mesa quando ele começou a bater no prato, nos copos e, cantou para mim uma música feita sobre a Fonte de Amores. Era muito lindo. Sinto não ter pedido a letra para ele. Não era samba, mas era muito bonita. Acho que foi a primeira música dele”, diz dona Valmiria.

Depois de morar em Poços por esse período, onde trabalhou como protético junto com Dr. Lázaro Sene e Dr. Souza e Lima, Assis Valente partiu. “Preciso ir, preciso, ir” dizia ele, “mas nunca disse porque”.

Dr. Souza e Lima era avô da cantora Paula Santoro.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. JOSE F A MOURA

    7 de março de 2025 2:31 pm

    Consta que era excelente protético. Suas próteses eram afamadas no Rio de Janeiro.

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