10 de junho de 2026

Haddad explica impacto da safra na inflação dos alimentos

Ministro da Fazenda lembra quebra de safra de 2023, efeito em cadeia e aumento da demanda global do café como pontos que afetaram preços
Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Foto: Diogo Zacarias/MF

A inflação dos alimentos foi afetada por uma série de fatores que vão dos problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como até mesmo o aumento da demanda global por determinados itens agrícolas, como o café, explica o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

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Em entrevista ao Flow Podcast, ele comentou que o país pode continuar crescendo, mas com um pouco mais de moderação por conta da inflação. “Então, a gente tem que dar uma moderada para a oferta de produtos acompanhar a demanda, que cresceu muito. As famílias, a renda das famílias cresceu, elas estão comprando mais e, se a oferta não acompanha o crescimento da demanda, você tem um ajuste no preço, que é o que está acontecendo em alguns produtos agora”.

Segundo o ministro, essa calibragem é fundamental para você continuar crescendo, mas mantendo a inflação minimamente controlada – e lembra que, para cada produto agrícola, a história que afeta seus preços é diferente.

“Eu acredito que uma série de produtos que estão mais caros, hoje, vão ter seus preços reduzidos com a entrada da safra que vai ser muito expressiva esse ano. Vai ser uma super safra, tudo indica que vai ser uma super safra – ao contrário do que foi ano passado, que não foi tão boa e, do mesmo jeito que no ano retrasado, que foi ótima. A safra de 2023 foi ótima, e nós tivemos uma redução do preço dos alimentos durante 2023”, explica o ministro.

Haddad lembra que a safra do ano passado não foi tão boa, o que afetou os preços de diversos produtos. “Teve seca, teve inundação no Rio Grande do Sul, que afetou produção de arroz; teve seca no centro-oeste, afetou outras culturas. Então, você tem problema com o milho, que ficou caro – a galinha come milho, então o frango ficou caro, o ovo ficou caro. Então, você vai vendo que essas coisas se combinam“.

Outras coisas, porém, exigem um pouco mais de cuidado, como o café – uma vez que a demanda pelo produto está aumentando no mundo, em especial no mercado chinês.

“O Brasil é super produtor de café, mas uma coisa é o chinês tomar chá, outra coisa é quando ele passa a tomar café. Você está falando de 1 bilhão e tralalá de pessoas (…) E aí, quanto tempo vai demorar para a cultura do café no mundo atender a demanda a um preço razoável? Então, essa questão de combinar oferta e demanda é um pouco a arte de você fazer política econômica que aí, calibrando as variáveis para as coisas se acomodarem sem impedir a geração de empregos (…), explica Haddad.

Segundo o ministro da Fazenda, a entrada da safra vai ajudar, a redução do preço do dólar vai ajudar – que o dólar bateu um pico o ano passado, tá começando a reverter. Então, são coisas que eu penso que vai ajudar”.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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13 Comentários
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  1. WWagner Indigo

    8 de março de 2025 6:40 pm

    Então aumentou a demanda do café , tá . Onde aumentou ? No Mundo ,
    mas aqui no Brasil não . Então o que aumentou aqui foi o preço !!!
    Super safra de soja e milho , tá . Só que no Brasil o gado confinado
    é mínimo , então não vai influenciar a engorda do boi , que se alimenta
    de capim !!!
    Juros imensos , Combustíveis , Adubos e Defensivos , Pneus , fretes e
    demanda interna estagnada .
    Os preços poderão cair pelo simples fato de não ter poder aquisitivo ,
    não haver comprador , uma deflação .
    Ministro , repare que o preço dos ovos dispararam , mas o do frango não.
    Especulação do setor que só tem um dono ( JBS comprou 50% da Mantiqueira)
    e como mágica o OVO disparou , sem motivo !!!

    1. Rui Ribeiro

      9 de março de 2025 11:16 am

      Diria Eduardo Galeano:

      “Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um, em que alguns países especializaram-se em ganhar, e outro, em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções.

      (…) Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os.

      (…) É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano.

      (…) O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar têm sido sucessivamente determinados, de fora, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo. A cadeia das dependências sucessivas torna-se infinita, tendo muitos mais de dois elos, e por certo também incluindo, dentro da América Latina, a opressão dos países pequenos por seus vizinhos maiores e, dentro das fronteiras de cada país, a exploração que as grandes cidades e os portos exercem sobre suas fontes internas de víveres e mão de obra…”

  2. Escuderie Le Coq

    8 de março de 2025 6:58 pm

    Bem, se havia algum traço de seriedade em Haddad, já se foi há tempos.

    A leitura, ou melhor, a tradução do que ele disse é:

    Nada de crescimento, o negócio é parar o país para pagar juros.

    Não há um dado sério que indique uma pressão na demanda.

    Assim como não há nenhum dado sério que indique qual foi o impacto da chamada “quebra de safra” por conta de problemas climáticos.

    E se há, novamente a culpa é do governo, que tem as previsões e cenários climáticos, e mesmo assim, nada fez para regular estoques.

    O que ele não diz é que a desastrada política monetária e cambial do governo é que empurram os preços para cima, tanto nos custos dolarizados de produção, custos financeiros e destinação de parte da produção para o exterior, e o que é pior, isenta de impostos.

    Há outras questões que ele não aborda, como as margens de lucro das grandes produtoras de alimentos e cadeias de varejo, hoje controladas por grandes oligopólios e fundos de investimento.

    A remessa de lucros dessas empresas para as matrizes aumentam a procura por dólares, desvalorizando o real, e gerando inflação, como se deu em dezembro de 2025, junto com o ataque especulativo/oportunista/terrorista da banca.

    Corram para as montanhas, vem mais e mais arrocho por aí.

    Afinal, quem é que manda no governo, Lula ou Haddad?

    Não, não respondam, eu sei a resposta.

    1. Rui Ribeiro

      9 de março de 2025 11:14 am

      A política monetária é conduzida pelo governo ou pelo banco central independente, Scuderie?

      1. Escuderie Le Coq

        9 de março de 2025 5:33 pm

        Pelos donos do dinheiro.

        Nem banco central, nem governo.

        1. Rui Ribeiro

          10 de março de 2025 2:04 pm

          Então que se desconsidere, no seu comentário das 6:58 pm, do dia 8 de março do corrente ano, o trecho em que consta que:

          “O que ele não diz é que a desastrada política monetária e cambial do governo é que empurram os preços para cima, tanto nos custos dolarizados de produção, custos financeiros e destinação de parte da produção para o exterior, e o que é pior, isenta de impostos”.

          Ou não?

          1. Escuderie Le Coq

            11 de março de 2025 7:32 am

            Não, é só dotar esse techo da sua causa:

            Esse governo é moleque de recados das elites internacionais, agindo por pressão dos intermediários locais:
            Mídia, Faria Lima, etc.

    2. WRamos

      9 de março de 2025 11:56 am

      Só falta um pequeno detalhe no seu comentário. No país existe uma população, composta por empresas e pessoas que tem atividade econômica. O governo não tem poder de decisão sobre as escolhas de todas as pessoas. A ação do governo é muito mais focada em influenciar as pessoas para que tomem decisão no sentido correto. Mas precisa levar em conta que, entre as pessoas existe a turma da bufunfa, aí sim com poder de decisão sobre produção e donos dos grandes meios de comunicação. Não ignore que existe uma guerra de narrativas contra o governo. Lula, ao contrário de Dilma, sabe muito bem que murro em ponta de faca só machuca ele mesmo. Os golpistas não desistiram de mandar no país com sua tosca inteligência. Apenas buscam para o lugar do capitão fake alguém que saiba usar os talheres.

      1. Escuderie Le Coq

        9 de março de 2025 5:32 pm

        Concordo e não desprezo tais ponderações.

        Mas veja que, talvez eu não tenha deixado claro, é que o governo renunciou a qualquer luta no campo que lhe cabe.

        Por óbvio sei dos limites, ou contingentes históricos, mas é verdade que sempre nos disseram que valia a pena um governo progressista, que avançaria na luta.

        Onde, quando?

        Lula se declarou morto com a Carta aos Brasileiros, ali disse que faria o que a Faria Lima mandasse.

        Os eventos de inclusão pelo consumo, e raros e pequenos movimentos na desigualdade social foram logo subtraídos por novas fases de exclusão.

        16 anos de governo do PT para 3000 reais de renda média?

        16 anos para manter ricos sem pagar impostos?

        30 mil mortos por ano por causa dolosa violenta?

        Ainda que eu reconheça que as superestruturas não se resumam à institucionalidade, é muito, mas muito pouco.

  3. Lidia Zorrilla

    9 de março de 2025 11:31 am

    As ponderações do Haddad parecem bastante razoáveis.
    Além das questões de economia: oferta e demanda, cotação do dólar, inflação; entra o câmbio climático. Como o integra à economia?

    1. Escuderie Le Coq

      9 de março de 2025 5:38 pm

      Bem, talvez ele tenha ponderado na entrevista, porque nesse resumo, só falou de oferta e de frear o crescimento.

      Como eu não estou com paciência para ver Haddad falar (basta assistir a Globo News, dá no mesmo), fiquei só com o resumo.

      Vai ser divertido ver o PT e o pessoal que o apóia chorando a desgraça de ter defendido esse preposto dos banqueiros.

      Haddad é a abreviação do tempo que falta para Lula, e, sinceramente, acho que Lula está mantendo ele de propósito, um tipo de eutanásia política.

      Feliz 2027.

  4. Jordeval Fernandes

    9 de março de 2025 3:38 pm

    Sempre se falou nos governos do PT que havia os estoques reguladores, as conabs. E também foi sempre uma crítica do PT ao governo bolsonaro pela sua destruição. Fico me perguntando porque estes mecanismos não voltaram para acabar com esta história de aumento de alimentos.

  5. Mário Mendonça

    9 de março de 2025 4:08 pm

    Ninguém do governo submisso as oligaquias fala do câmbio manipulado!

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