10 de junho de 2026

Como fica o Brasil na guerra comercial entre EUA e China? O Nova Economia responde

Enquanto Trump almeja tarifar o mundo e a China mira mercado interno e tecnologia, Brasil pode surfar na onda se souber se posicionar

Desde sua posse, em 20 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promete aumentar tarifas de importação de diversos países, a fim de estimular a produção de produtos dentro do território norte-americano. 

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Na última quinta-feira (6), Trump recuou novamente e afirmou que vai isentar as tarifas de 15% de boa parte dos produtos importados do México e Canadá até 2 de abril. 

Outra parceria comercial que pode ser atingida por conta da tarifação é a relação com a China. 

E, para entender como as medidas do presidente republicano impactam o país, o programa Nova Economia desta semana contou com a participação de Melissa Kamui, pesquisadora visitante da Academia Chinesa de Ciências Sociais e Diretora de Relações Institucionais do IBRIC+, e Felipe Tavares, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio e mestre em Economia da Universidade de São Paulo. 

Melissa lembra que, em janeiro, o presidente da China, Xi Jinping, já havia feito um discurso sobre a importância de manter o país seguro, a partir do fortalecimento do mercado interno e investimento em inovação tecnológica. 

“A China já sabe como funciona mais ou menos a dinâmica do Trump e do governo Trump. Embora tenha alguns fatores políticos que reforçam esse governo, que são um pouco diferentes do primeiro governo Trump, no geral a China já sabe como o Trump se comporta, que é sempre aumentando o tom, jogando lá em cima para negociar aqui um pouquinho mais por baixo. Isso já foi dando desde esse primeiro momento do discurso do Xi Jinping, tanto até essa fala ele disse: ‘Nós estamos preparados para qualquer tipo de guerra que os Estados Unidos queiram’. É uma fala dura, uma fala muito firme, então acho que a China vai tentar adotar essa postura firme e também em consonância com essas metas internas”, observa a pesquisadora.

Melissa ressalta ainda que, entre as metas da China estão alcançar 70% de autossuficiência em indústrias de alta tecnologia ainda este ano, a partir do aumento de investimentos em setores estratégicos, como o de semicondutores.

“[A China] destinou mais de 36 bilhões de euros para impulsionar a indústria tecnológica e tentar reduzir essa dependência dos Estados Unidos, e o Conselho de Estado, nesse último relatório de trabalho entregue ontem, estabeleceu a meta, aliás, tinha estabelecido a meta que até 2025 a inteligência artificial seria a principal força impulsionadora da transformação industrial”, acrescenta a convidada.

Brasil

Ainda é cedo para dizer quais seriam os impactos de uma guerra comercial entre China e EUA para o Brasil, na avaliação de Felipe Tavares, uma vez que Donald Trump demonstra intenção de aplicar uma tarifação horizontal e taxar todo o mundo. 

“Nesse tipo de postura, quem tende a perder em maior instância é o próprio Estados Unidos, com o efeito de fechamento da sua economia e efeito inflacionário. Nesta perspectiva, se todo mundo tiver o mesmo aumento de impostos ao (8:28) mesmo tempo, os preços relativos não mudam. Então, nessa dinâmica do comércio internacional, às vezes para o brasileiro não vai mudar muito, porque piorou para todo mundo, só que piorou igual”, observa o economista. 

Na visão de Tavares, aliás, o Brasil pode se beneficiar da confusão entre EUA e China, uma vez que exporta produtos agrícolas para outros mercados, como Oriente Médio e Ásia.

Mas, para tanto, deve esperar para se posicionar na questão, a fim de criar oportunidades de negócios. 

Ao longo do debate, os convidados e a bancada do programa Nova Economia, composta pelo jornalista Luís Nassif e pelo economista João Furtado, falaram ainda sobre o distanciamento comercial entre Brasil e Estados Unidos e se o governo brasileiro deveria estreitar as relações comerciais com o tigre asiático. Confira a íntegra do programa:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Escuderie Le Coq

    9 de março de 2025 9:27 pm

    Bem, vai se posicionar para vender o quê?

    O mesmo de sempre.

    Ou seja, vamos continuar dependendo de uma pauta de produtos primários e baratos, que por suas vezes, necessitam de um câmbio que só faz elevar os preços das importações de insumos para a produção de alimentos.

    Uma conta de soma zero.

    Se o governo brasileiro conseguisse pensar um pouco, já teria apresentado uma proposta inovadora, mas com um instrumento já testado por aqui.

    Mas falta o principal para ir adiante, ou seja: brios.

    A proposta?

    Fazer no mercado dos BRICS um indexador de conversão parecido com a URV, que se atualizaria todo dia, tendo parâmetro uma média de padrões (Euro, dólar, real, e as moedas de Rússia, China, Índia, África do Sul e etc).

    Com essa conversão diária vai se ajustando as assimetrias, até criar uma moeda única do bloco.

    Como eu disse, para colocar essa engenhoca para funcionar, tem que ter cérebro e coragem.

    Artigos em falta no governo Lula.

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