Em apenas 50 dias no comando da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem protagonizado o rápido desmonte de suas instituições internas, enquanto opera ataques insólitos aos Estados estrangeiros. A influência deste cenário sobre o Brasil ainda é ambígua e foi analisada pela doutora em direito internacional, Elaini Silva, e o historiador Valdei Araújo, na TV GGN 20 Horas, desta quarta-feira (12), em programa comandado pelo jornalista Luís Nassif, exibido no Youtube. [Assista a íntegra ao final da matéria]
Na avaliação geral sobre novas ações de Trump, Elaini Silva, que também é professora da PUC-SP, chamou atenção para uma mudança na política do republicano em relação ao seu primeiro mandato na presidência dos EUA.
“O que vimos nesses 50 primeiros dias de governo [Trump], de uma forma muito acentuada, é uma tentativa de normalização não só do desmonte das instituições de proteção interna, mas também das normas de convivência dos Estados e de garantia da soberania. O que é uma novidade em relação a outros momentos, porque no primeiro mandato existia um movimento centrípeto de fechamento dos Estados Unidos, não o ataque aos Estados estrangeiros de uma forma geral”, explicou a professora.
A influência dessa conjuntura sobre a economia brasileira é dada como certa, mas deve impactar ainda mais o campo social e político, à luz da expansão global da extrema-direita e a proximidade das eleições de 2026. Para Valdei Araújo, hoje, a democracia americana se mostra mais frágil em comparação ao Brasil, mas alerta que essa constatação não é motivo para um “otimismo excessivo”.
“Não devemos ficar excessivamente otimistas. É só observar certos processos que aconteceram nos EUA, como a eleição Trump para um segundo mandato. Ninguém poderia imaginar, depois de tudo que ele fez no não combate a pandemia, na desinformação, num primeiro governo que esteve longe de ser ideal, depois do 6 de janeiro, e ainda assim foi eleito, com maioria na Câmara e no Senado e uma maioria conservadora na Suprema Corte”, relembrou Araújo, que é autor do livro “Bolsotrump: realidades paralelas (2020-2022)”.
“Devemos focar no nosso debate sobre 2026 e o que realmente vai acontecer nesse país. Vamos conseguir manter algum controle civilizatório e democrático das nossas casas legislativas? Ou esse movimento da direita, que vem se articulando e crescendo, vai nos ameaçar?”, questionou o historiador. “As nossas instituições são muito fortes, nosso Supremo Tribunal Federal tem sido fundamental na defesa dessas instituições, mas alguns elementos que favoreceram e favorecem essa nova onda da ultradireita no mundo hoje também se dão no Brasil”, acrescentou.
Para ambos os especialistas, o lugar do Brasil nesse cenário geopolítico não é certo e há uma dificuldade em se afirmar um projeto nacional de modo soberano nesse novo arranjo global, mas veem a defesa das instituições por meio da Constituição e da regulação como saída.
“Os Estados Unidos vendiam como modelo de democracia o seu próprio modelo de uma Constituição mínima e de uma regulação mínima. Mas agora vemos que quando chega alguém no poder que está com toda vontade e recurso para desmontar tudo, ele consegue. No Brasil, podemos ver que as instituições, por mais que tenham demorado, ofereceram algum tipo de resistência”, declarou Elaini Silva.
Assista a íntegra do programa:
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Emerson Rodrigues de Souza
13 de março de 2025 7:41 pmSe um dia algum assemelhado ao bolçonário estiver de volta ao poder no Brasil o pais acaba de vez.
A chance de acontecer isso é muito alta.
É só analisar os ingleses que votaram no BREXIT mesmo tendo imóveis e negócios com o resto da Europa. Agora deles é exigido passaporte quando cruzam o Eurotunel para poder vender as casas que compraram na Europa. Ou o gado latino e outros terceiro mundistas, cucarachas que doaram e fizeram campanha encarniçada para o Trumpe.
Que pena, Brasil. Um pais tão bonito, que tinha tudo para dar certo!
Rui Ribeiro
14 de março de 2025 8:25 am“Se passarmos os olhos sobre a lista dos problemas, há um aspecto deles que logo se torna evidente: esses problemas são interligados e se sobrepõem parcialmente. É claro que a solução de um problema tem muito a ver com a solução de outro. São tão interligados e imbricados de fato que não é de modo algum claro por onde devemos começar. Suponhamos, por exemplo, que concebemos a ideia de que o primeiro problema a ser solucionado é o de alimentar, abrigar e vestir adequadamente todos os habitantes do mundo. Como começaríamos a resolver este problema? A capacidade tecnológica existe. Podemos produzir o alimento necessário para chegar a este resultado e os materiais de construção que ofereceriam abrigo e os tecidos que vestiriam cada individuo. Então por que não fazemos isso? A resposta é que não estamos organizados para fazê-lo.” – C. West Churchman
Seria interessante se a trindade Jinping, Trump e Putin, entre outros líderes, se comprometessem com o progresso, com o abastecimento, com o combate à miséria e à ignorância, com a preservação e recuperação da natureza, com a paz, etc. Talvez o Trump não toparia essa empreitada, mas acho que o Putin e o Jinping, poderiam, junto a outros líderes de boa vontade, fazer um movimento pela vida e pelo progresso da civilização.