Está-se a Primavera trasladando
Em vossa vista deleitosa e honesta;
Nas belas faces, e na boca e testa,
Cecéns, rosas, e cravos debuxando.
De sorte, vosso gesto matizando,
Natura quanto pode manifesta,
Que o monte, o campo, o rio, e a floresta,
Se estão de vós, Senhora, namorando.
Se agora não quereis que quem vos ama
Possa colher o fruto destas flores,
Perderão toda a graça os vossos olhos.
Porque pouco aproveita, linda Dama,
Que semeasse o Amor em vós amores,
Se vossa condição produz abrolhos.
ouça aqui o poema na voz de Luís Gaspar
Primavera em Lisboa! Jacarandás em flor e Torre de Belém.
foto: Ana Rita Carvalho enviada por Tamara Baranov

Fonte: Berardinelli, Cleonice, “Cinco séculos de sonetos portugueses: de Camões a Fernando Pessoa”, 1 ed., Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
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