13 de junho de 2026

Glauber Braga inicia greve de fome, após Conselho de Ética da Câmara aprovar sua cassação; entenda o caso

Braga dormiu no plenário e declarou que não deixará o Congresso até a conclusão do processo. Parlamentar comentou o caso na TVGGN
Bruno Spada - Câmara dos Deputados

Em um protesto contra o processo que pode culminar na perda de seu mandato, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) passou a noite desta quarta para quinta-feira (10) dormindo no chão de um dos plenários das comissões da Câmara dos Deputados e iniciou uma greve de fome. O parlamentar declarou que não deixará o Congresso Nacional até a conclusão do processo.

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Na última terça-feira (8), Braga comentou o caso na TV GGN 20 Horas, em entrevista ao jornalista Luís Nassif. Ele afirma que o movimento é uma retaliação orquestrada pelo ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), em resposta às suas denúncias sobre o chamado “orçamento secreto”.

Estou há 30 horas e 30 minutos ingerindo apenas líquidos. Permaneço no mesmo plenário onde ontem votaram pela minha cassação. Essa tática radical é resultado de uma decisão política: não serei derrotado por Arthur Lira e pelo orçamento secreto. Irei até as últimas consequências“, publicou o deputado em sua conta no X (antigo Twitter).

Na véspera (9), o Conselho de Ética da Câmara aprovou, em uma sessão tumultuada, o parecer do relator Paulo Magalhães (PSD-BA) sobre o caso, que recomendou a cassação do mandato de Braga por quebra de decoro parlamentar, em decorrência de um incidente ocorrido em abril de 2024, no qual o psolista empurrou um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) durante uma discussão.

Na votação do Conselho, 13 membros votaram a favor da perda do mandato, enquanto nove se manifestaram contrários. Agora, o processo segue para análise do plenário da Câmara, onde precisará obter o apoio de, no mínimo, 257 dos 513 deputados .

Em seu relatório, Magalhães argumentou que “diante das provas produzidas nos autos, verifica-se que Glauber Braga extrapolou os direitos inerentes ao mandato, abusando, assim, das prerrogativas que possui”.

A defesa de Braga questiona a imparcialidade do relator, uma vez que o próprio Magalhães já foi alvo de denúncias por agressão a um jornalista, episódio revelado pela Carta Capital e que não resultou em punição.

Os advogados de Braga chegaram a solicitar o afastamento de Magalhães da relatoria antes da votação do parecer. Já após a decisão do Conselho de Ética, o deputado do PSOL anunciou que apresentará um recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra a votação.

Em protesto contra cassação, Braga dorme no plenário e declara que não deixará o Congresso até a conclusão do processo

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Ana Gabriela Sales

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