25 de junho de 2026

Decisão da ANP ameaça soberania energética do país, alerta FUP

Agência libera exploração da Margem Equatorial para petroleiras estrangeiras, enquanto Ibama nega licença para Petrobras
Foto de Zachary Theodore na Unsplash

A decisão da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) em liberar a Margem Equatorial para a atuação de petroleiras estrangeiras “é um absurdo que ameaça a soberania energética nacional”, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A entidade se posiciona contra leilão de áreas para exploração e produção de blocos localizados na região da Margem Equatorial, programado para o próximo dia 17 de junho.

Segundo a ANP, “serão oferecidos quatro setores na Bacia da Foz do Amazonas, que pela primeira vez entra em oferta desde a implementação da OPC (Oferta Permanente de Concessão)”.

Como lembra o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, a Petrobrás tenta há anos, sem êxito, licença do Ibama para perfurar na Margem Equatorial em busca de petróleo. Para ele, a medida da ANP traz preocupações sobre a entrega de recursos estratégicos a empresas estrangeiras e os riscos ambientais envolvidos.

“O licenciamento para o poço pioneiro é um passo essencial, pois, se o petróleo for encontrado, ainda levará cerca de cinco ou seis anos até o início da produção”, destaca Bacelar, que considera “estratégica” a exploração na região pela Petrobrás.

Sobre a Petrobras, a FUP entende que o Ibama deve exigir o máximo da Petrobrás para que a exploração seja feita da melhor maneira possível, mas que o Ibama acaba excedendo suas competências.

“O órgão não tem a prerrogativa de decidir se o Brasil deve ou não explorar petróleo—essa é uma atribuição do Conselho Nacional de Política Energética. O papel do Ibama é determinar a melhor forma de exploração, garantindo que os impactos ambientais sejam minimizados e  que a atividade ocorra com segurança para o meio ambiente e para as pessoas”.

Em maio de 2023, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou licença à Petrobrás para perfurar bloco localizado a cerca de 160 km da costa do Amapá e a 550 km da foz do Amazonas, alegando inconsistências técnicas e a ausência de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS). A estatal contestou a decisão, afirmando ter cumprido todas as exigências.

Segundo Bacelar, 78% da produção nacional de petróleo está no pré-sal, mas essa produção começará a declinar a partir de 2032, e a exploração de novas reservas é essencial para garantir a soberania energética.

“O que defendemos é que essa exploração seja feita de forma responsável, com total respeito ao meio ambiente e à soberania nacional, dentro das melhores práticas internacionais, com qualificação profissional, com a geração de financiamentos que garantam a transição energética justa, inclusiva, e com a participação dos trabalhadores e das comunidades das regiões atingidas pelo processo”, destaca o representante da FUP

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Cidadania sem cidadão

    16 de abril de 2025 10:06 pm

    Onde está o presidente?, O país está totalmente dominado pelos estrangeiros, a classe dominante civil e militar são uma piada de mal gosto, quem ainda achava que Lula é um nacionalista, hoje com certeza nao acha mais, obs. Aqui nao falo dos petistas, falo de 90 porcento da população, o Brasil está entregue, minerios estão sendo entregues, petróleo, comida, empresas fechando a rodo, mas claro os petista diram, Lula é o novo Getúlio rsrsrs

  2. Claudio haydemar

    17 de abril de 2025 7:14 am

    Incrível como são as coisas.
    Ninguém tem autorização para explorar recursos naturais sem licença ambiental.
    ANP, não tem poder para ir contra uma decisão do órgão ambiental competente, no caso o IBAMA.

  3. Paulo Dantas

    17 de abril de 2025 7:23 am

    O IBAMA não apita para estrangeiras ?
    __
    O Brasil precisava vir com um manual para você entender o funcionamento.
    __

Recomendados para você

Recomendados