8 de junho de 2026

“Não era Justiça, era uma quadrilha”: o relato exclusivo da ex-juíza que abandonou o cargo após abusos da Lava Jato

Ao GGN, ex-juíza Luciana Bauer revela esquema de ocultação de habeas corpus e perseguições internas na 13ª Vara. Assista

A ex-juíza Luciana Bauer concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Luís Nassif, na qual revelou as irregularidades que testemunhou enquanto atuava como juíza na 13ª Vara Federal de Curitiba. A conversa foi exibida na última terça-feira (22), no programa TV GGN 20 Horas, no Youtube. [Assista a íntegra no final da matéria]

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Durante a entrevista, Bauer relatou que sofreu intimidações após denunciar os abusos cometidos pelos procuradores então liderados por Deltan Dallagnol e pelo ex-juiz Sergio Moro e suas servidoras. À época, precisou mudar de residência e até trocar de carro, decisão que culminou em seu afastamento da magistratura. Posteriormente, passou a aconselhar o juiz federal Eduardo Appio, ex-titular da 13ª Vara, perseguido por confrontar os métodos lavajatistas. Foi de Luciana Bauer a ideia de solicitar ao Conselho Nacional de Justiça a correição extraordinária nos gabinetes da Lava Jato.

Foi durante um plantão judicial que Bauer percebeu indícios de graves irregularidades. “Vi um habeas corpus do STJ [Superior Tribunal de Justiça] parado, sem cumprimento. Quando questionei a diretora da vara, ela disse: ‘Doutora, isso não está parado, o doutor Deltan vai entrar com uma denúncia e, se a senhora soltar…’. Eu respondi que não estava soltando [o então investigado Renato Duque], apenas cumprindo a ordem do STJ, que havia determinado a soltura há pelo menos dois dias. Aquilo estava sendo escondido do juiz plantonista, o que, em tese, é uma falta funcional. Determinei o cumprimento, mas o documento que elaborei desapareceu do sistema”, relatou.

Após o episódio, Bauer passou a ser alvo de pressões, inclusive por parte do próprio Moro. “Até então, eu era apenas uma colega dele, e já conhecia suas limitações. Ele é uma pessoa intelectualmente limitada. Costumo compará-lo ao retrato de Dorian Gray: uma pessoa completamente podre e que as pessoas não veem toda essa podridão. Foi extremamente agressivo, mesquinho. Naquele momento, percebi que aquilo não era normal. Estava diante de algo que poderia ser uma quadrilha”, declarou.

A ex-juíza diz ter guardado provas das irregularidades, mas que seus alertas foram ignorados e que a equipe técnica do Tribunal, posteriormente, preciso mexer em sua máquina e, assim, as evidências se perderam. “Lembro que documentei tudo. Um dia, fui ligar o computador no tribunal e ele estava apagado. Alguém da informática me informou que houve um problema e que o hardware havia sido trocado”, afirmou. “Depois da agressão, decidi sair. Relatei que habeas corpus estavam sendo ocultados, que diretoras apagavam documentos dos juízes plantonistas, e nada foi apurado.”

Segundo Bauer, sua denúncia permaneceu sem resposta até os episódios envolvendo o juiz Eduardo Appio. “É inconcebível que um corregedor ouça tudo isso e não tome providências”, disse.

Sua luta por uma correição extraordinária junto à 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e à 13ª Vara Federal só teve resultado em maio de 2023, quando o ministro Luis Felipe Salomão, corregedor nacional de Justiça, autorizou a apuração a pedido da defesa de Eduardo Appio, que fora afastado do cargo.

Desde o início, pedi que se investigasse não apenas os recursos financeiros, mas principalmente as possíveis falsidades ideológicas, como a ocultação de documentos. Habeas corpus chegavam de todo o país e eram escondidos para manter pessoas presas e forçá-las a delatar. Esse era o esquema”, afirmou Bauer. “É preciso fazer uma devassa nos dados apagados do E-PROC [sistema eletrônico de processos]. As diretoras [ente elas, Flávia Blanco, que o casal Moro convidou a trabalhar em Brasília] sabem tudo o que aconteceu e nunca foram ouvidas seriamente para uma investigação completa.”

Indignada com a impunidade, Bauer hoje busca responsabilização dos envolvidos. “É tão feio, tão obsceno, que todo o Poder Judiciário deveria pedir desculpas. Meu sonho é ver uma pedra dourada na entrada do TRF-4 dizendo: ‘Aqui conspurcamos a Constituição Federal. Aqui não se fez Justiça. Pedimos desculpas ao povo brasileiro por termos roubado uma eleição’. Mas isso não vai acontecer, porque quem está lá não quer reconhecer”, concluiu.

Assista a entrevista na íntegra a partir dos 24 minutos:

Publicada originalmente em 24 de abril de 2025, às 14:56

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12 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    24 de abril de 2025 4:16 pm

    A quadrilha de juízes de Curitiba é apenas uma parcela diminuta da grande quadrilha se toga. Desde que os juízes começaram a furar sistematicamente o teto de remuneração constitucional e a criar e receber penduricalhos abaixo da moralidade, todo o Judiciário virou uma imensa organização criminosa devotada a arte de tungar dinheiro do orçamento. Dilma Rousseff começou a ser derrubada após se recusar a autorizar aumento para os juízes. Eles deram um golpe de estado que impôs austeridade para a população em geral, mais ficaram fora dos cortes de verbas. Ao contrário, depois do golpe “com o STF com tudo” o valor dos salários acima do teto e penduricalhos abaixo da moralidade tem crescido assustadoramente. E até o CNJ entrou na roda, porque passou a criar e legitimar alguns desses penduricalhos imorais. Critiquei isso numa representação que fiz para impedir os juízes de defender publicamente o assalto aos cofres públicos que eles estão praticando e fui condenado a multa de 10 Salários Mínimos, censura disfarçada monetizado. A quadrilha dos juízes quer roubar dinheiro público legalmente e sem qualquer tipo de oposição ou crítica. A última putaria deles é exigir uma Lei que permita tornar secretas suas remunerações abusivas. No Brasil todos somos otários, subcidadãos na ditadura dos juízes gananciosos, dinheiristas que não tem compromisso nenhum com o bem público e o sistema constitucional de 1988.

    1. Rui Ribeiro

      25 de abril de 2025 8:05 am

      O Conselho Nacional de Justiça proíbe o recebimento do auxílio moradia por dois juízes que sejam casados e que residam no mesmo imóvel. Nada obstante, o juiz Marcelo Bretas, casado com uma juíza e residindo no mesmo imóvel que o seu cônjuge, digo, conge, recebia, juntamente com sua esposa, o auxílio moradia. Quando foi cobrado por isso, ele se justificou:

      “Pois é, tenho esse “estranho” hábito. Sempre que penso ter direito a algo eu VOU À JUSTIÇA e peço. Talvez devesse ficar chorando num canto, ou pegar escondido ou à força. Mas, como tenho medo de merecer algum castigo, peço na Justiça o meu direito”.

      https://t.co/0SiyJBqXY0

      Não é por convicção, é por medo, que o Marcelo Bretas não furta nem assalta.

  2. jose

    24 de abril de 2025 9:31 pm

    a quadtilha não foi desbaratada. Farao novas vitimas de falsas acusaçôes obvio

    1. Jose

      29 de abril de 2025 7:46 am

      Enfim a verdade começa a brotar, sem subterfúgios e de forma inconteste, evoluindo para uma virada de página dessa triste tragédia que se abateu sobre o nosso País: “A Lava Jato”

  3. +almeida

    24 de abril de 2025 11:51 pm

    “Não era Justiça, era uma quadrilha”: o relato
    exclusivo da ex-juíza que abandonou o cargo após
    abusos da Lava Jato

    “Os casos de Janaína Cassol: além de Cancellier,
    empresário condenado injustamente é inocentado”

    “Fraude no INSS: Governo reage e cria grupo para
    recuperar danos aos aposentados”

    Como é que aposentados e aposentadas, no Brasil, pode evitar de duvidar das boas intenções
    do poder público, justamente quando assistem INSS e judiciário sendo manchetes com certa frequência de escândalos criminosos?
    Em 28 anos de contribuições previdenciárias para o INSS, um pouco mais de 20 anos foram de períodos anteriores a 1994. Justamente nesse período estão os meus 86 maiores salários de contribuição e grande parte deles no teto máximo. Solicitei um estudo de cálculo em empresa credenciada e, em razão de nenhum dos 86 maiores salários e mais outros que não são os maiores, mas são superiores a vários salários que entraram na fórmula de cálculo pós 1994 que usaram para chegar ao valor inicial da minha aposentadoria. Pelo cálculo legal da empresa contratada, eu recebo 1/3 do que deveria receber, se minhas contribuições anteriores a 1994 fossem respeitadas, consideradas e não apropriadas indevidamente, pela quebra de contrato simbólico/oficial entre o INSS e o contribuinte (EU) que inicia seu ciclo de contribuições. Após CNJ e o próprio e contraditório STF terem julgado e reconhecido, em mérito, o nosso direito, do nada surge então o que penso ser perus penetras classificados de ADIs 2110 e 2111, que parece terem sidos transformados de vis penetras em OVNIS Super Poderes e capazes de aniquilar impiedosamente, feito uma Bomba Atômica lançada por governo/INSS/STF, os direitos legais de contribuintes em situações semelhantes. Direitos legais, comprovados, cumpridos e conquistados com os pagamentos antecipados através dos descontos nas folhas de pagamentos. A totalidade de aproximadamente 140.000 contribuintes que estão com processo e que cumprem as exigências legais se assemelha as vítimas das manchetes acima, ou seja: em exemplo criativo, se correr ´para um lado o governo pega, se for para outro lado o INSS come e se for para o terceiro lado o STF extermina.
    Resumo – antes o STF alarmava que haveria um rombo de 480 BILHÕES de REAIS (a estimativa dos R$ 480 bilhões consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024) e que seriam milhões de contribuintes com direitos que quebrariam o INSS; também nega que exista a insegurança jurídica, justamente no momento que aparenta ser um dos mais inseguros vivido pelo Poder Judiciário, nos últimos tempos (uma simples consulta na internet nos últimos 10 anos é suficiente para comprovação); então os defensores dos aposentados provam exemplarmente que os tais 480 BILHÕES DE REAIS foi uma fake news enviada pelo INSS, mas que o STF aceitou de imediato mesmo tendo recursos técnicos que poderia ter averiguado a verdade e procedência da informação. Ninguém fala e ninguém toca no assunto de que somente entre as 500 maiores empresas devedoras do INSS existe uma divida com o INSS que atinge um pouco mais de 1 TRILHÃO de REAIS. Estão na lista bancos, prefeituras, participantes da Grande Mídia, grandes empresas privadas, etc… Muitos estão na lista faz tempo, mas a totalidade de contribuintes malcriados, abusados e rebeldes, que por terem tido a audácia de reivindicarem direitos legais e legítimos, que lhes pertencem, esses serão os escolhidos novamente e mais uma vez e duas, e três e quantas o abuso de autoridade e de poder possa permitir, para assumirem todo o peso de responsabilidade. (In)justa ou injustamente.

  4. Lacyr

    25 de abril de 2025 1:16 am

    Nassif, sério! Não consegui ver o vídeo da ex-juiza até o fim! É revoltante!

  5. Rui Ribeiro

    25 de abril de 2025 7:50 am

    Por falar na quadrilha jateira, o STF retoma hoje o julgamento da golpista Débora do Baton… na calcinha.
    Porra, mas não é possível uma pena tão exarcebada só por causa de uma simples pichação batônica, né, Fux?

    Um sujeito roubou um cabresto e foi condenado a uma pena desproporcional ao valor do objeto roubado. E começaram a malhar o judiciário. Aí o condenado disse: “Realmente, é uma pena exarcebada pois eu roubei apenas um cabresto com um boi encabrestado”.

  6. ERNESTO

    25 de abril de 2025 12:19 pm

    Toca no que qualquer lógica básica suspeita desde muito: os concursos, que capacidade estupenda de selecionar gente de última, de ideologia nefasta, falsa erudição, ambição desmedida, desonestidade que aflora sem pudor, desumanidade orgulhosa, enfim seres abjetos dotados de um poder que jamais poderia ser concedido pelo estado a esse tipo de gente. Onde está o problema nessa seleção viciada que privilegia uma casta há tanto tempo? Entrevistas orais? Provas feita pra robots concurseiros? Fraude mesmo, pra que entrem os filhinhos da dinastia?

  7. Francisco Alves de Assis

    25 de abril de 2025 9:52 pm

    Foi essa quadrilha da lava jato que tirou a liberdade de um inocente por 580 dias.

  8. José de Almeida Bispo

    25 de abril de 2025 10:07 pm

    Para mim ficou mais que claro que a Justiça, por ação ou omissão, salvo alguns “malucos” esteve de cabeça enterrada na patranha do Golpe. É impossível enganar a tantos durante tanto tempo. Especialmente gente tão preparada. Impossível!
    Ainda bem decidiram que tinham feito caca, e boa parte, a maior parte dos que mandam, conseguiu controlar a explosão do esgoto.
    Onde já se viu, um sujeitinho ordinário, como o tal juiz, chegar a ter poder absoluto?
    E a aventura destruiu o futuro do país.

    1. WRamos

      27 de abril de 2025 1:00 pm

      Houve notícias de reuniões entre Gilmar Mendes e a turma da “Pinguela para o passado” do Temer. Certamente o último dos tucanos operou nos bastidores do STF.
      Ainda agora tentou reverter a prisão do Collor e está empenhadíssimo em transformar CLT em PJ e conseguiu um marco temporal para seus amigos ruralistas.

  9. Cezar Roberto Bitencourt

    28 de abril de 2025 9:24 am

    Parabéns Nassif pela maravilhosa entrevista com a Dra. Luciana!
    Abs

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